Discos acabados de lançar

Bill Callahan – My Days of 58 (2026)

Aos 58 anos (entretanto já fez os 59), Callahan parece menos interessado em esconder-se atrás de narradores ambíguos e mais disposto a falar de si próprio.

Mitski – Nothing’s About to Happen to Me (2026)

Mitski reafirma‑se como uma das compositoras mais consistentes da música alternativa contemporânea, capaz de transformar minimalismo em tensão dramática. Um disco coeso mas onde faltam canções que se destaquem.

A Sul – QUER QUER QUER (2026)

QUER QUER QUER, o álbum de estreia d’A Sul, nasce do luto, mas também da necessidade de continuar e das formas que essa necessidade toma quando a contemplação do vazio se revela insuficiente.

Gorillaz – The Mountain (2026)

Se Chimamanda Ngozi Adichie escreveu “Notas sobre o Luto”, pequeno-grande livro pouco depois da morte do pai, Albarn e Hewlett apresentam aqui uma ultrapassagem da perda de um pai. Resultado: beleza grandiosa.

MARO – SO MUCH HAS CHANGED (2026)

No limiar dos 30 anos, MARO olha para o passado com a serenidade de quem sabe que crescer não precisa de pesar. Em SO MUCH HAS CHANGED, tudo é leve. Um disco sem excessos, escrito de um lugar onde tudo está bem.

Cara de Espelho – B (2026)

Ao segundo disco, o supergrupo mantém a matriz do álbum anterior, mas sublima e aperfeiçoa.

Summer of Hate – Blood & Honey (2026)

Os Summer of Hate são uma banda nascida a norte do país, mais concretamente em Espinho, e já andam nisto há alguns anos, embora sempre tenham estado abaixo do nosso radar.

Chet Faker – A Love For Strangers (2026)

Depois de vários anos de espera, o novo disco de Chet Faker surge num registo mais introspetivo e melancólico do que os trabalhos anteriores, ficando aquém do que o músico australiano pode fazer.

Moby – Future Quiet (2026)

Em 1999, o mundo embalava-se com Play. Duas décadas e meia depois, Moby volta a embalar-nos, agora com um disco de pacífica guerrilha, repleto de boas emboscadas. E é tão bom cairmos nelas…

Beck – Everybody’s Gotta Learn Sometime (2026)

O “velho camaleão” muda mais uma vez de cor. Ou melhor, de indumentária. O outrora adolescente rebelde dos anos 90, autor do disruptivo “Loser”, troca a camisola larga e os Adidas pelo smoking e os sapatos de vela, neste aglomerado de esmagadora tristeza.

Mães Solteiras – Vamos ser breves (2026)

Prometiam que iam ser breves e cumpriram, não avisaram é que no final iríamos estar derreados.

Bruno Pernadas – unlikely, maybe (2026)

Unlikely, Maybe é tudo menos incertezas ou indefinições. É mais um sólido álbum que Bruno Pernadas nos oferece. Que sejamos dignos de tanta beleza e de tão vasta poesia sonora!

Luca Argel – O Homem Triste (2026)

Um álbum que nos faz ouvir música e pensar. Um trabalho de questionamento interior que dá pano para mangas no exterior. Um olhar para o outro lado da masculinidade que desbrava caminho para rebentar com estereótipos.

Kula Shaker – Wormslayer (2026)

Uma poção alucinogénica composta em partes iguais por rock cósmico, psych-folk, o groove que lhes vem desde a génese, refrões monumentais, vermes, dragões e a lenda dum rapaz alado posto a trabalhar no circo por um empresário tirano. Um novo pico de forma 30 anos depois da estreia.

Expresso Transatlântico – Trópico Paranóia (2026)

Quando a marca de água musical se constrói a partir da diversidade e do multiculturalismo, o resultado é um belo arco-íris sonoro. Atual e de sempre.

Dry Cleaning – Secret Love (2026)

Em Secret Love, os Dry Cleaning parecem fazer algo paradoxal: consolidam a sua identidade ao mesmo tempo que a colocam discretamente em causa.

SAULT – Chapter I (2026)

Conhecidos pela sua sonoridade experimental, mas com rasgos de batidas reconfortantes e dançáveis, com letras impactantes, os SAUL voltam com um álbum coeso, mais introspectivo e reflectivo, mas também menos fresco e irreverente.