Alexandre Pires
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Nasci em terras de Vera Cruz, decorria ainda a década de 70. De pequenino me apercebi que estava destinado a grandes feitos e quis desde logo deixar a minha marca, começando por atravessar o Atlântico a nado. Dessa experiência guardo sobretudo água salgada nos ouvidos, água essa que me impediu de dar ouvidos ao meu pai que queria fazer de mim engenheiro. Hoje, quando me perguntam a profissão, não sei o que responder. Tenho vários chapéus que vou usando consoante a ocasião, desde economista proeminente a futebolista de sonho, de crítico de música amador a empreendedor visionário, de tenista de meia tigela a DJ concorrido, de amante cinéfilo a pai dedicado.

Sigur Rós & Orquestra Sinfonietta de Lisboa || Campo Pequeno: Palavras que não existem no dicionário

Os Sigur Rós têm o condão de nos fazer viajar. Desta vez, com orquestra, a viagem ganhou contornos difíceis de explicar.

Nina Simone – Wild is the Wind (1966)

O Olimpo será demasiado pequeno para Nina?

Westside Cowboy – It Goes On (2026)

It Goes On é um disco de guitarras, sim, mas não é simplesmente mais um daqueles discos de indie-rock britânico, que parecem ter sido fabricados para preencher festivais.

New Order – Substance (1987)

Ah, os New Order e a sua velha desordem, o seu caos controlado de singles fora de álbuns e canções com múltiplas versões, sobre as quais ainda hoje se debate qual é a “definitiva”.

Foo Fighters – The Colour and the Shape (1997)

Será The Colour and the Shape um disco que só faz sentido para quem o ouviu na sua altura ou aguentou bem os 29 anos que carrega às costas? Façamos o teste do algodão.

Broken Social Scene – Remember the Humans (2026)

Primeiro álbum de inéditos dos Broken Social Scene em nove anos, Remember the Humans é uma tentativa de reencontro com a essência do coletivo canadiano, sem a tentação de repetir fórmulas.

Superchunk || LAV: Mais vale tarde que nunca

Tinham vindo a Paredes de Coura em 2024 e chegaram agora a Lisboa – eis a estreia dos Superchunk na capital, vibrante e convincente.

Momoko Gill – Momoko (2026)

Um disco delicioso que nos veio parar ao colo, Momoko é cativante e belo e expressivo e será mais uns quantos adjectivos superlativos que agora não me ocorrem.

Iceage – For Love of Grace & the Hereafter (2026)

O mais recente dos Iceage recupera a espontaneidade do início de carreira, sem abdicar da riqueza melódica conquistada ao longo da última década. O resultado é, talvez, o disco mais humano da sua discografia.

Moby – Play (1999)

Em 1999, quando Moby lançou Play, poucos imaginavam que um disco melancólico, construído sobre batidas eletrónicas suaves e velhas gravações de blues e gospel norte-americano, se transformaria num dos álbuns mais omnipresentes da viragem do milénio.

The Beach Boys – Surfer Girl (1963)

Lançado em setembro de 1963, Surfer Girl, terceiro longa-duração da banda, marcou o momento em que os Beach Boys começaram a querer deixar de ser apenas “aqueles miúdos das harmonias sobre surf”, e começaram a mostrar ambições artísticas mais sérias.…

My New Band Believe – My New Band Believe (2026)

Um inesperadamente bonito disco acústico, onde Cameron Picton nos atira com as muitas ideias sonoras que lhe percorrem o ser.

Courtney Barnett – Creature of Habit (2026)

Com Creature of Habit, Courtney Barnett não se procura reinventar e ainda bem. Nunca sabemos o quanto precisamos da zona de conforto, até a encontrarmos numa combinação energia guitarrística e nervo melódico.

caroline || B.Leza: o nome do local do concerto não podia ser mais apropriado
Concerto enxuto da banda britânica, levando-nos na sua montanha russa sonora cheia de loops, descidas vertiginosas e pausas para recuperar fôlego. Durante muitos anos, o bardo que vive na aldeia do Asterix chamou-se Assurancetourix. Em 2002, alguém que não tem…
bbb hairdryer || Musa Marvila: ode ao poder da distorção

Concerto vibrante dos bbb hairdryer, de descarga alta e de uma sonoridade que parece estranha pela crueza, mas que agarra incautos e entranha-se rapidamente em quem vem para se deixar levar pela santa trindade guitarra-baixo-bateria.

Coldplay – Parachutes (2000)

Aquele momento em que alguém tem a ousadia de escrever sobre os Coldplay, num site de melómanos com a mania que percebem muito mais de música do que qualquer outro ser no planeta e tenta fazer disso uma dissertação de mestrado.

Bill Callahan – My Days of 58 (2026)

Aos 58 anos (entretanto já fez os 59), Callahan parece menos interessado em esconder-se atrás de narradores ambíguos e mais disposto a falar de si próprio.

Kings of Convenience – Riot on an Empty Street (2004)

Um pequeno motim doméstico contra o inverno, vencido não pela força, mas pela delicadeza de duas vozes, e o simples milagre de ficarmos quentes por dentro.