Ricardo Romano
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"Um bom disco justifica sempre os meios”- defendeu-se Ricardo Romano, ao ser acusado de ter vendido o rim esquerdo da sua tia entrevada para comprar uma edição rara do Led Zeppelin II - o melhor disco de sempre. O juiz não se convenceu, mandando-o para uma prisão com condições desumanas, onde uma vez foi obrigado a ouvir do princípio ao fim um disco dos Creed. Actualmente em liberdade, cumpre pena de trabalho a favor da comunidade no site Altamont mas a proximidade com boas colecções de discos não augura nada de bom.

Jorge Ben Jor – Samba Esquema Novo (1963)

O disco de estreia de Jorge Ben, Samba Esquema Novo, é inspirado pelo samba e pela bossa nova, mas a sua síntese é tão fresca e original que abre um novo sulco na música popular brasileira.

Capote à Sombra 2022: ninguém acaba assim

A quarta edição do Capote à Sombra, em Évora, cumpriu mais uma vez o seu bonito desígnio: divulgar a nova música portuguesa de qualidade, num ambiente descontraído e acolhedor.

Salif Keita – Moffou (2002)

Moffou é a obra-prima do maliano Salif Keita. Mais acústica do que eléctrica. Africaníssima mas também europeia. E uma voz imensa, feita de mel e de areia.

“Sad Waters” – Nick Cave and the Bad Seeds

“Sad Waters” é lúgubre mas resignada (a miúda linda do rio foi desaguar noutra foz? é assim o mundo, o que é que se há-de fazer?). O órgão Hammond – tocado pelo próprio Nick Cave – vai chorando devagar como o rio triste que passa.

Belle and Sebastian – Dear Catastrophe Waitress (2003)

O quinto disco dos Belle and Sebastian, Dear Catastrophe Waitress, transborda de imaginação melódica e de alegria pop.

Muddy Waters – The Best of Muddy Waters (1958)

The Best of Muddy Waters, de 1958, colige os melhores singles que o bluesman publicou na Chess Records entre 1948 e 1954. Uma resenha perfeita da revolução eléctrica comandada por Muddy Waters nos anos de ouro do pós-guerra.

The Prodigy – Experience (1992)

O primeiro dos Prodigy, Experience, transporta-nos para as raves do início dos anos 90: um disco frenético, extasiado, colorido…

Jorge Palma – O Lado Errado da Noite (1985)

Fala-se muito da perfeição de O Bairro do Amor mas esquece-se, demasiadas vezes, da outra obra-prima de Jorge Palma. Sejam então bem-vindos a’O Lado Errado da Noite.

Carlos Paredes – Guitarra Portuguesa (1967)

O primeiro álbum de Carlos Paredes, Guitarra Portuguesa, disputa a condição de obra maior com o tomo seguinte, Movimento Perpétuo. Há um argumento forte para o primeiro ganhar o braço-de-ferro. Chama-se “Canção Verdes Anos”.

“Ronda dos Paisanos” – José Afonso

“Ronda dos Paisanos” trata de uma forma leve e divertida um tema pesado e sombrio: a guerra colonial.

Creedence Clearwater Revival – Willy and The Poor Boys (1969)

O quarto tomo dos Creedence Clearwater Revival, Willy and the Poor Boys, é o seu álbum mais coeso, conciliando os singles esmagadores do costume com um todo particularmente inspirado.

Asimov – Dialects – Stenar Musik (2022)

O regresso dos Asimov é generoso, oferecendo-nos dois belos discos de uma só assentada, reunidos num CD duplo: Dialects e Stenar Musik, o último coligindo raridades dispersas.

“Stranger than Kindness” – Nick Cave and the Bad Seeds

“Stranger Than Kindness” é o mais próximo que Nick Cave e os seus Bad Seeds alguma vez estiveram da beleza soturna dos Joy Division. Quem ouvir esta música e não sentir qualquer coisa a quebrar, já nada sabe, já nada…

Behind the Sun – Red Hot Chili Peppers

“Behind the Sun” é a canção mais interessante dos Red Hot dos anos 80. Um tema lento e lânguido, de toada psicadélica (com direito a cítaras e tudo). Não abdica do groove, bem pelo contrário, mas coloca uma melodia bonita…

“FMI” – José Mário Branco

O FMI – gravado ao vivo a 1 de Maio de 1981, no Teatro Aberto, no âmbito do espectáculo Ser Solidário – é um disco muito especial: sincero, vulnerável, profundamente humano, escrito com o sangue da desilusão. Muito mais do…

“Utopia” – José Afonso

À primeira audição, desconfiamos dos sintetizadores atmosféricos de “Utopia”, como se fosse um corpo estranho à obra do Zeca. Mas quando percebemos o quanto aquela electrónica nebulosa traduz o éter das próprias palavras, tudo, de repente, ganha sentido. Até os…

Playlist da Semana: Ai Portugal, Portugal

Porque somos provincianos, deslumbrados com o que vem de fora, e descuidando do que é nosso, dedicamos a playlist desta semana a algumas das canções portuguesas mais bonitas de sempre.

José Mário Branco – FMI (1982)

O Maxi single de José Mário Branco, FMI, é um disco muito especial: sincero, vulnerável e profundamente humano.