Ricardo Romano
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"Um bom disco justifica sempre os meios”- defendeu-se Ricardo Romano, ao ser acusado de ter vendido o rim esquerdo da sua tia entrevada para comprar uma edição rara do Led Zeppelin II - o melhor disco de sempre. O juiz não se convenceu, mandando-o para uma prisão com condições desumanas, onde uma vez foi obrigado a ouvir do princípio ao fim um disco do Neil Diamond. Actualmente em liberdade, cumpre pena de trabalho a favor da comunidade no site Altamont mas a proximidade com boas colecções de discos não augura nada de bom.

The Flying Burrito Brothers – The Gilded Palace of Sin (1969)

O álbum-manifesto que inventou o country rock.

“Gimme Shelter” – The Rolling Stones

Poucas canções conseguiram apanhar melhor os ares do tempo que a magistral “Gimme Shelter”. A guitarra cintilante de Keith Richards vai acumulando uma tensão insuportável, até tudo rebentar num grito de angústia e desespero. “Love, peace and harmony? Very nice. Maybe in the next world…”

Jay-Z – The Blueprint (2001)

Talvez o disco de hip-hop mais influente dos anos 2000.

Wilco – Yankee Hotel Foxtrot (2001)

Nunca a beleza pop e a estranheza experimental casaram tão bem.

The Good, The Bad And The Queen – The Good, The Bad And The Queen (2007)

Bom dia, tristeza. Se é para seres amargura e desilusão, que sejas assim também, linda de morrer.

Daft Punk – Discovery (2001)

Quando nostalgia e futurismo são misturados na dose certa, aparece uma das obras maiores do século XXI.

Ariel Pink – The Doldrums (2000)

É sempre fora das linhas que Ariel desenha o seu estranho mundo. Não queremos sair dele.

Dizzee Rascal – Boy in da corner (2003)

E é aqui que chamamos Dizzee Rascal, que com o rasgo do seu disco de estreia se tornou o grande embaixador do grime.

Sublime – Sublime (1996)

Infelizmente, foi muito breve o namoro do mainstream com o soalheiro ska punk.

Lily Allen – Alright, Still (2006)

Um disco que vive da permanente tensão entre a inocência sonhadora da música e a malícia filha da puta das letras.

Temples – Hot Motion (2019)

Um disco óptimo mas irrelevante. Bem-vindos ao século XXI.

Solange – A Seat at the Table (2016)

O ponto de viragem na carreira de Solange, afastando-se do R&B comercial dos seus dois primeiros discos, e fazendo aquilo que sabe fazer melhor: um R&B alternativo e vanguardista, quase anti-pop.

Metronomy – Metronomy Forever (2019)

Tudo o que encontramos aqui são melodias bonitas, electrónica vintage com groove e a elegância que advém da total despretensão.

Amy Winehouse – Back to Black (2006)

Disseram-lhe que bastava mais ou menos. Respondeu que não, não, não…

The Comet is Coming – Trust in the Lifeforce of the Deep Mystery (2019)

É o seu sentido poético fora do comum que tudo ordena, com elegância e sensibilidade. Não é jazz ou electrónica, é pura poesia.

Sons of Kemet – Your Queen is a Reptile (2018)

Um álbum electrizante de jazz, trazendo-nos África através da ênfase dada ao ritmo: complexo e frenético, convidando à dança e à transe.

Billie Eilish || Altice Arena

Sabíamos do hype mas nada nos tinha preparado para a noite de ontem: 20 mil adolescentes, na sua maioria miúdas, numa transe colectiva como o Altice Arena nunca vira, gritando eufóricas todas as letras, abafando a voz da sua heroína. Temos Beatlemania para o século XXI.