Ricardo Romano
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"Um bom disco justifica sempre os meios”- defendeu-se Ricardo Romano, ao ser acusado de ter vendido o rim esquerdo da sua tia entrevada para comprar uma edição rara do Led Zeppelin II - o melhor disco de sempre. O juiz não se convenceu, mandando-o para uma prisão com condições desumanas, onde uma vez foi obrigado a ouvir do princípio ao fim um disco do Neil Diamond. Actualmente em liberdade, cumpre pena de trabalho a favor da comunidade no site Altamont mas a proximidade com boas colecções de discos não augura nada de bom.

Bob Dylan – Rough and Rowdy Days (2020)

Dylan oferece-nos uma comovente reflexão sobre a mortalidade, a arte e a memória. Estamos em crer que este miúdo vai longe…

Depeche Mode – Violator (1990)

Electrónicas frias e guitarras orgânicas. Gelado de limão com chocolate quente…

Asimov and the Hidden Circus – Flowers (2020)

Ao quarto capítulo, os portugueses Asimov fazem o seu melhor disco: selvagem, psicadélico e tribal. Para aplacar os maus espíritos do tempo, pendurando cabeças humanas em paus. 

Little Richard – Here’s Little Richard… (1957)

O álbum de rock’n’roll dos fifties mais consistente e electrizante. Punk antes do punk. Glam antes do glam.

Hoje somos George Floyd

Nas próximas duas semanas, como forma de prestarmos a nossa solidariedade com o movimento “black lives matter”, daremos destaque a grandes discos da música negra americana, e ao impacto incalculável que tiveram sobre toda a música pop anglo-saxónica. Hoje somos George Floyd. E George Floyd mais não é que todos nós.

João Peste: A pop não se tem sabido reinventar

No dia do lançamento do novo disco dos Pop Dell’Arte, Transgressio Global, estivemos à conversa com João Peste. Tudo girou à volta da ideia de transgressão, de como a pop não pode desistir de ser transgressiva em relação à estética…

Duran Duran – Rio (1982)

Alguém disse que o primeiro dever da pop é capturar o presente e Rio grita “1982!” a cada instante.

Pop Dell’Arte – Transgressio Global (2020)

Ao quinto disco, os Pop Dell’Arte fazem um apelo: desobedeçam, desobedeçam sempre, porque só desobedecendo o mundo gira e avança.

“The Healer” – Erykah Badu

Em “The Healer”, Madlib faz um dos beats mais viciantes de sempre quase só com um baixo pulsando como um coração, um xilofone que vai descendo, bisonho, e um prato-de-choque solitário que rebenta, saboroso, ao quarto tempo. A voz fumo de Erykah Badu faz o resto.

“Once In A Lifetime” – Talking Heads

O hit mais bizarro da história da pop.

Pulp – This Is Hardcore (1998)

Sexo, drogas e vazio espiritual…

“My Man’s Gone Now” – Nina Simone

No clássico de Gershwin, “My Man’s Gone Now”, acompanhado apenas pelo piano e um baixo delicadíssimo, a voz de Nina uiva de tristeza fúnebre. Quem não se comove já morreu.

“By the Time We Make to Phoenix” – Isaac Hayes

Na epopeia “By the Time I Make to Phoenix”, o baixo repete a mesma nota durante mais de 8 minutos, criando uma tensão exasperante, enquanto Hayes reinventa em spoken word a história daquele coração traído.

Sly and the Family Stone – Stand! (1969)

A primeira obra-prima de Sly mistura funk com pop psicadélico. Uma espécie de James Brown com flores no cabelo.

“Electricity” – Captain Beefheart and the Magic Band

Ponham “Electricity” a rodar e digam-nos se por detrás da enunciação extravagante de cada sílaba (E-LEC-TRIC-CI-TY!) não pressentem um psicopata à beira de cortar a avó aos pedacinhos?

Playlist da Semana: 33 revoluções por minuto

Quando os ares do tempo são tão bafientos, nada como tirar o pó aos velhinhos vinis de música popular portuguesa e pô-los outra vez a rodar.

The Beatles – Let It Be (1970)

Let it be não é o melhor disco dos Beatles, longe disso. Talvez seja, porém, o mais verdadeiro, vulnerável como uma ferida aberta, contraditório como a própria vida.

The Pogues – Rum, Sodome & the Lash (1985)

O segundo dos Pogues é a sua obra mais comovente, pintando a tragédia humana com poesia, humor e romantismo.