Ricardo Romano
567 Articles1 Comments

"Um bom disco justifica sempre os meios”- defendeu-se Ricardo Romano, ao ser acusado de ter vendido o rim esquerdo da sua tia entrevada para comprar uma edição rara do Led Zeppelin II - o melhor disco de sempre. O juiz não se convenceu, mandando-o para uma prisão com condições desumanas, onde uma vez foi obrigado a ouvir do princípio ao fim um disco do Neil Diamond. Actualmente em liberdade, cumpre pena de trabalho a favor da comunidade no site Altamont mas a proximidade com boas colecções de discos não augura nada de bom.

Grimes – Visions (2012)

É na celebração do artificial e do sintético que Grimes faz a sua pop; a tecnologia não como uma ameaça distópica mas como um paraíso de possibilidades infinitas. A geração smartphone a jogar finalmente em casa.

“Five Years” – David Bowie

No tema de abertura de Ziggy Stardust, Bowie pincela o cenário apocalíptico onde a acção decorre: por esgotamento de recursos naturais, o planeta Terra está condenado a extinguir-se em cinco anos.

“Dá mais música à bófia” – B Fachada

Se manifestantes e polícias se divertem no mesmo jogo erótico, onde raio para a luta de classes? Cínico e provocador, como B Fachada sempre o é.

“Dog at Your Door” – Mazgani

“Dog At Your Door” fala-nos do amor enquanto submissão.

Fiona Apple – The Idler Wheel Is Wiser Than the Driver of the Screw and Whipping Cords Will Serve You More Than Ropes Will Ever Do (2012)

Ao quarto disco, Fiona troca os sonhos pop pela pura arte. A sua voz está tão ensopada de verdade que chega a raiar o obsceno.

“Rio-me de Janeiro” – JP Simões

Neste chorinho brasileiro, o ácido do humor de JP Simões é arremessado contra a elite yuppie que nos governa.

Playlist da Semana: Saudades

A lista desta semana é triste: canções sobre o suicídio ou que pelo menos deixam em aberto essa interpretação. Algumas foram tragicamente premonitórias. Recordamo-las porque temos saudades e chovia lá fora…

Unknown Mortal Orchestra – Unknown Mortal Orchestra (2011)

Associados à nova vaga psicadélica, os UMO sempre foram, porém, um bicho diferente: mais originais, com pouca pachorra para os lugares comuns do acid rock.

Micachu & The Shapes – Jewellery (2009)

Ao princípio tudo soa cacafónico mas à terceira audição já estamos a cantarolar as melodias no banho.

Hot Chip – Coming On Strong (2004)

Música de dança para doutorados. Electro-gangsta para quem não sabe distinguir cocaína de farinha maizena.

Dirty Projectors – Bitte Orca (2009)

O álbum que pôs os Dirty Projectors no mapa, fazendo a ponte entre o vanguardismo erudito dos primeiros discos e o melodismo pop dos seguintes.

Panda Bear – Person Pitch (2007)

A sensação é a de rodopiarmos num carrossel, como se tivéssemos outra vez quatro anos: cor, leveza, deslumbramento, medo.

N.W.A. – Straight Outta Compton (1988)

Straight Outta Compton é o Never Mind the Bollocks do hip-hop: niilista, escandaloso e efervescente.

J Dilla – Donuts (2006)

Feito no leito da morte, Donuts não é só um grande disco de hip-hop instrumental. É a vitória de um homem contra a estupidez do destino.

Kanye West – 808s & Heartbreak (2008)

Uma nova era do hip-hop começou com este disco: melódica e melancólica, anestesiada em auto-tune, onde o vazio interior pós-fama vale mais do que qualquer ouro ao pescoço.

Prince – 1999 (1982)

Com um pé na pop e outro no funk, 1999 revolucionou ambos, inundando-os de fantasia e cor.

Thelonious Monk – Solo Monk (1965)

Singelo. Engraçado. Desconcertante. Puro. Como uma criança a bater nas teclas ao calhas, só para ver a mãe sorrir.

The Byrds – Fifth Dimension (1966)

O disco que inventou o rock psicadélico. Uma síntese inspiradora entre sensibilidade pop e experimentalismo.