Ricardo Romano
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"Um bom disco justifica sempre os meios”- defendeu-se Ricardo Romano, ao ser acusado de ter vendido o rim esquerdo da sua tia entrevada para comprar uma edição rara do Led Zeppelin II - o melhor disco de sempre. O juiz não se convenceu, mandando-o para uma prisão com condições desumanas, onde uma vez foi obrigado a ouvir do princípio ao fim um disco do Neil Diamond. Actualmente em liberdade, cumpre pena de trabalho a favor da comunidade no site Altamont mas a proximidade com boas colecções de discos não augura nada de bom.

Daft Punk – Discovery (2001)

Quando nostalgia e futurismo são misturados na dose certa, aparece uma das obras maiores do século XXI.

Ariel Pink – The Doldrums (2000)

É sempre fora das linhas que Ariel desenha o seu estranho mundo. Não queremos sair dele.

Dizzee Rascal – Boy in da corner (2003)

E é aqui que chamamos Dizzee Rascal, que com o rasgo do seu disco de estreia se tornou o grande embaixador do grime.

Sublime – Sublime (1996)

Infelizmente, foi muito breve o namoro do mainstream com o soalheiro ska punk.

Lily Allen – Alright, Still (2006)

Um disco que vive da permanente tensão entre a inocência sonhadora da música e a malícia filha da puta das letras.

Temples – Hot Motion (2019)

Um disco óptimo mas irrelevante. Bem-vindos ao século XXI.

Solange – A Seat at the Table (2016)

O ponto de viragem na carreira de Solange, afastando-se do R&B comercial dos seus dois primeiros discos, e fazendo aquilo que sabe fazer melhor: um R&B alternativo e vanguardista, quase anti-pop.

Metronomy – Metronomy Forever (2019)

Tudo o que encontramos aqui são melodias bonitas, electrónica vintage com groove e a elegância que advém da total despretensão.

Amy Winehouse – Back to Black (2006)

Disseram-lhe que bastava mais ou menos. Respondeu que não, não, não…

The Comet is Coming – Trust in the Lifeforce of the Deep Mystery (2019)

É o seu sentido poético fora do comum que tudo ordena, com elegância e sensibilidade. Não é jazz ou electrónica, é pura poesia.

Sons of Kemet – Your Queen is a Reptile (2018)

Um álbum electrizante de jazz, trazendo-nos África através da ênfase dada ao ritmo: complexo e frenético, convidando à dança e à transe.

Billie Eilish || Altice Arena

Sabíamos do hype mas nada nos tinha preparado para a noite de ontem: 20 mil adolescentes, na sua maioria miúdas, numa transe colectiva como o Altice Arena nunca vira, gritando eufóricas todas as letras, abafando a voz da sua heroína. Temos Beatlemania para o século XXI.

Nitin Sawhney – Beyond Skin (1999)

O seu poder está na suspensão, nem que seja provisória, do nosso cinismo. Durante 58 minutos voltamos a ter compaixão pelo mundo.

Lorde – Melodrama (2017)

Uma festa trágica, na ressaca de um amor finado. Mais do que música, é cinema e verdade.

Lana Del Rey – Born to Die (2012)

Que se lixe a verdade, diz Born to Die a cada instante. A beleza é muito mais importante.

Cardi B – Invasion of Privacy (2018)

O segredo deste disco? Transbordar de personalidade. Cardi é assim: desbocada e divertida, arruaceira e frágil, fanfarrona mas verdadeira. O segredo deste disco é a própria Cardi B.

“Ob-la-di, Ob-la-da” – The Beatles

Com a sua desesperada leveza, a sua letra divertidamente disparatada e a sua sonoridade compacta, o tema era o mais comercial do Álbum Branco, mesmo para os padrões estupidamente altos de McCartney.

“Piggies” – The Beatles

A misantropia escondida em muita espiritualidade está bem patente nesta sátira de Harrison à sociedade dominante.