Ricardo Romano
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"Um bom disco justifica sempre os meios”- defendeu-se Ricardo Romano, ao ser acusado de ter vendido o rim esquerdo da sua tia entrevada para comprar uma edição rara do Led Zeppelin II - o melhor disco de sempre. O juiz não se convenceu, mandando-o para uma prisão com condições desumanas, onde uma vez foi obrigado a ouvir do princípio ao fim um disco do Neil Diamond. Actualmente em liberdade, cumpre pena de trabalho a favor da comunidade no site Altamont mas a proximidade com boas colecções de discos não augura nada de bom.

The Arctic Monkeys – Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not (2006)

O álbum de estreia dos Arctic Monkeys é um dos clássicos maiores do indie moderno: endiabrado, melódico e inteligente. Um tratado sobre o beco sem saída da adolescência nos subúrbios.

“Take Me Out” – Franz Ferdinand

É impossível não dançar ao som desta ogiva atómica lançada pelos Franz Ferdinand.

“The Modern Age” – The Strokes

Casablancas finge-se inexpressivo para parecer cool mas, na verdade, é um imenso vocalista, versátil e convincente como poucos.

Franz Ferdinand – Franz Ferdinand (2004)

Com a sua explosiva mistura de indie rock com disco sound, o álbum de estreia dos Franz Ferdinand faz dançar as cinzas da tua tia-avó coxa.

The Strokes – Is This It (2001)

O álbum de estreia dos Strokes, Is This It, é garage na produção propositadamente tosca mas indie no charme e inteligência das canções. O disco-bandeira do renascimento do rock pós-2001.

“I Bet You Look Good in the Dancefloor” – The Arctic Monkeys

Os solos de guitarra dos Arctic Monkeys, desajeitados e fanfarrões, transbordam de tusa e suor. Aposto que ficarias a matar no centro da pista.

Hawkwind – In Search of Space (1971)

O segundo dos Hawkwind, In Search of Space, é o disco-manifesto que apresenta o space rock. Psicadelismo lento, pesado e hipnótico. Como uma nave gigante à deriva no espaço.

T. Rex – Electric Warrior (1971)

Electric Warrior dos T-Rex não é apenas um manual de bom gosto e concisão pop. É o primeiro manifesto glam, com ressonâncias que perduram até hoje.

Love – Da Capo (1966)

O segundo álbum dos Love, Da Capo, é psicadélico mas realista, doce e zangado ao mesmo tempo. 

The Who – Who’s Next (1971)

Das cinzas de um projecto falhado, nasce o despretensioso Who’s Next, tão imaginativo como Tommy e Quadrophenia mas sem o seu peso conceptual. O favorito dos fãs menos virados para as óperas rock.

Echo & the Bunnymen – Ocean Rain (1984)

O quarto álbum dos Echo & the Bunnymen, Ocean Rain, é a sua consensual obra-prima: orquestral, misteriosa, evocativa.

The Fall – This Nation’s Saving Grace (1985)

O oitavo álbum dos Fall, This Nation’s Saving Grace, é abrasivo mas acessível. O rabugento Mark E. Smith deixando-se amaciar pela senhora Brix Smith.

“Closer” – Nine Inch Nails

O que é interessante na relação de Trent Reznor com a música industrial é o deprezo por qualquer livro de regras.

“Fell off the Floor, Man” – dEUS

É num irresponsável desprezo por todas as convenções que os dEUS vão buscar a sua estranha originalidade. Como uma criança a pintar a lua de verde só porque sim.

“River” – Joni Mitchell

Quando Joni Mitchell canta “I would teach my feet to fly” a sua voz voa também, como um pequeno pássaro assustado riscando o azul do céu.

Playlist da Semana: Pós-Panca

Deixamo-vos aqui alguns dos clássicos do pós-punk para vos aguçar o apetite…

“Love, Hate, Love” – Alice in Chains

O ponto mais alto de Facelift é “Love, Hate, Love”, que vai crescendo devagar até toda a lava de sentimentos contraditórios se derramar no refrão: amo, odeio, amo outra vez.

“Red Barchetta” – Rush

“Red Barchetta” tem uma melodia doce e suave como um piquenique no campo.