Ricardo Romano
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"Um bom disco justifica sempre os meios”- defendeu-se Ricardo Romano, ao ser acusado de ter vendido o rim esquerdo da sua tia entrevada para comprar uma edição rara do Led Zeppelin II - o melhor disco de sempre. O juiz não se convenceu, mandando-o para uma prisão com condições desumanas, onde uma vez foi obrigado a ouvir do princípio ao fim um disco do Neil Diamond. Actualmente em liberdade, cumpre pena de trabalho a favor da comunidade no site Altamont mas a proximidade com boas colecções de discos não augura nada de bom.

Playlist da Semana: 33 revoluções por minuto

Quando os ares do tempo são tão bafientos, nada como tirar o pó aos velhinhos vinis de música popular portuguesa e pô-los outra vez a rodar.

The Beatles – Let It Be (1970)

Let it be não é o melhor disco dos Beatles, longe disso. Talvez seja, porém, o mais verdadeiro, vulnerável como uma ferida aberta, contraditório como a própria vida.

The Pogues – Rum, Sodome & the Lash (1985)

O segundo dos Pogues é a sua obra mais comovente, pintando a tragédia humana com poesia, humor e romantismo.

Frank Sinatra – In The Wee Small Hours (1955)

A obra-prima de Sinatra foi feita no hotel dos corações partidos, a tons de breu e solidão.

The Mothers of Invention – Freak Out! (1966)

Logo ao primeiro disco, Zappa anuncia ao que vem: derrubar todas as estúpidas hierarquias estúpidas que separam a boa música da música também boa.

Erykah Badu – New Amerykah, pt. 1: 4th World War (2008)

A obra-prima de Badu subverte as regras da neo-soul. O R&B moderno a mergulhar de novo no frémito do desconhecido.

Talking Heads – Remain in Light (1980)

O caminho mais curto para a sabedoria sempre foi o de uma boa canção pop.

Nina Simone – Nina Simone Sings The Blues (1967)

O disco mais cru de Nina Simone, mandando as big bands para o diabo que as carregue.

Captain Beefheart and his Magic Band – Safe as Milk (1967)

O álbum de estreia de Beefheart é o mais acessível da sua discografia, longe da anarquia atonal de Trout Mask Replica.

Isaac Hayes – Hot Buttered Soul (1969)

O disco que inventa a soul sofisticada de auto dos dourados anos 70.

Joanna Newsom – Have One On Me (2010)

Ao terceiro tomo, Joanna traz-nos 3 discos de uma assentada: excêntricos e barrocos, é certo, mas também surpreendentemente acessíveis.

Estraca – Dar vida (2020)

Ao terceiro disco, Estraca revela-se um dos mais talentosos MCs da sua geração. O bairro da Cruz Vermelha está prestes a ser demolido mas a sua poesia rude de rua essa já ninguém a de

Capote Fest 2020

Pelo cartaz, pela adesão, pelo ambiente, o Capote deste ano superou todas as expectativas. Só o rock salva!

Kendrick Lamar – good kid, m.A.A.d. city (2012)

A primeira obra-prima de Kendrick: um retrato tocante sobre crescer num bairro difícil.

O rock português regressa ao Capote Fest, em Évora

Entre 5 e 7 de Março, acontece a quinta edição do Capote Fest, o grande festival eborense da nova música portuguesa.

Frank Ocean – Channel Orange (2012)

O sentimento transbordante da soul numa roupagem contemporânea. E um enorme escritor de canções.

Beach House – Teen Dream (2010)

Canções pop a roçar a perfeição. A melancolia e o torpor de sempre.

Outkast – Stankonia (2000)

Com um pé numa nave espacial e o outro no gueto se faz esta obra-prima do hip-hop: experimental sem esquecer a tradição, sonhadora sem esquecer a rua. Andre 3000 e Big Boi, portanto.