Ricardo Romano
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"Um bom disco justifica sempre os meios”- defendeu-se Ricardo Romano, ao ser acusado de ter vendido o rim esquerdo da sua tia entrevada para comprar uma edição rara do Led Zeppelin II - o melhor disco de sempre. O juiz não se convenceu, mandando-o para uma prisão com condições desumanas, onde uma vez foi obrigado a ouvir do princípio ao fim um disco do Neil Diamond. Actualmente em liberdade, cumpre pena de trabalho a favor da comunidade no site Altamont mas a proximidade com boas colecções de discos não augura nada de bom.

Thelonious Monk – Solo Monk (1965)

Singelo. Engraçado. Desconcertante. Puro. Como uma criança a bater nas teclas ao calhas, só para ver a mãe sorrir.

The Byrds – Fifth Dimension (1966)

O disco que inventou o rock psicadélico. Uma síntese inspiradora entre sensibilidade pop e experimentalismo.

“O Novo Normal” – Sérgio Godinho

É uma canção sobre a pandemia mas também uma reflexão sobre o medo: o medo bom que nos defende e o medo mau que nos paralisa.

Sérgio Godinho em entrevista: “A criação tem algo de mágico e misterioso”

Estivemos à conversa com Sérgio Godinho. Tudo girou à volta da sua nova canção, “O Novo Normal” (uma reflexão sobre a pandemia que se abateu sobre nós) e do que há de godinhiano na mesma.

Sérgio Godinho – Mútuo Consentimento (2011)

Um disco apenas bom, traído por algumas canções menores. Destaque para a valsa gótica “Em Dias Consecutivos”, de uma beleza arrepiante.

Sérgio Godinho – Tinta Permanente (1993)

Um disco elegante, que cruza a guitarra com pinceladas jazz e arranjos eruditos. Pelo menos dois temas tornam-se canónicos: a arabesca “O Elixir da Eterna Juventude” e a soturna “Fotos de Fogo”.

Sérgio Godinho – Sérgio Godinho canta com os Amigos do Gaspar (1988)

Isto não é um disco, é um pedaço de infância. “É Tão Bom” que voltamos para lá.

Sérgio Godinho – Salão de Festas (1984)

Um disco incompreendido na época mas redescoberto pela geração seguinte. “Coro das Velhas” e “Quimera do Ouro” ficam para a posteridade.

“O Elixir da Eterna Juventude” – Sérgio Godinho

Envelhecer é uma inevitabilidade e os remorsos sempre vãos, vai dizendo nas entrelinhas. À-pre-lom-pom-pom…

Sérgio Godinho – De Pequenino se Torce o Destino (1976)

O disco português mais interessante feito no turbulento PREC, albergando pérolas como “O Namoro” e “Os Demónios de Alcácer Quibir”.

Sérgio Godinho – Os Sobreviventes (1972)

Sérgio Godinho encontrou uma identidade própria logo no seu disco de estreia. “Que Força é Essa”, “O Charlatão” e “Maré Alta” perduram até hoje.

Vem aí especial Sérgio Godinho no Altamont

Obrigado, Sérgio. Faz tão bem saber com quem contar…

John Lennon – Plastic Ono Band (1970)

O melhor disco de um Beatle a solo. Lennon escarafunchando as suas feridas com uma chave de fendas e gritando.

Stevie Wonder – Innervisions (1973)

O menino-prodígio da soul faz-se um homem, com um disco que tem tanto de político como de espiritual. Nove canções perfeitas, transbordantes de luz interior.

Dusty Springfield – Dusty In Memphis (1969)

A soul acontece quando uma alma transborda. Dusty in Memphis é um extravasante dilúvio.

Velvet Underground – White Light/White Heat (1968)

Ainda as flower girls de Manson não haviam cortado Sharon Tate em pedacinhos, já os Velvet suspeitavam que havia algo de profundamente pueril na utopia hippie. White Light/White Heat nem chega a ser desencantado porque nunca teve ilusões.

Manu Chao – Clandestino (1998)

Um disco de Verão, cheio de boas vibrações caribenhas e uma névoa forte de marijuana a sair das colunas de som.

The Beach Boys – Surfin’ U.S.A. (1963)

Querem evocar a candura do início dos anos 60? Nada melhor do que o veraneante Surfin’ U.S.A..