Ricardo Romano
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"Um bom disco justifica sempre os meios”- defendeu-se Ricardo Romano, ao ser acusado de ter vendido o rim esquerdo da sua tia entrevada para comprar uma edição rara do Led Zeppelin II - o melhor disco de sempre. O juiz não se convenceu, mandando-o para uma prisão com condições desumanas, onde uma vez foi obrigado a ouvir do princípio ao fim um disco do Neil Diamond. Actualmente em liberdade, cumpre pena de trabalho a favor da comunidade no site Altamont mas a proximidade com boas colecções de discos não augura nada de bom.

Elliott Smith – XO (1998)

O quarto disco de Elliott Smith tem uma produção mais cuidada e uma mais extensa paleta de timbres. As canções são as de sempre: doces e tristes, lindas de morrer.

Anderson .Paak – Malibu (2016)

O segundo disco de Anderson Paak é quase uma história da música negra americana, uma síntese feliz entre soul, jazz, funk e hip-hop. A sua voz rouca cheia de grão tem tanto de dor como de luz.

Flying Lotus – Cosmogramma (2010)

O terceiro disco de Flying Lotus leva a arte dos beats instrumentais para um novo patamar de sofisticação. 

PJ Harvey – Let England Shake (2011)

Let England Shake é um álbum conceptual sobre o horror da guerra com letras literatas, melodias memoráveis e uma estética etérea. Nem só do rock vive PJ Harvey…

Júlio Resende – Júlio Resende Fado Jazz Ensemble (2020)

Júlio Resende Fado Jazz Ensemble é muito mais do que um exercício formal. É a saudade da sua infância. O destino de tudo passar…

The White Stripes – Elephant (2003)

O disco que alberga “Seven Nation Army” é a obra-prima incontestada dos White Stripes. Um equilíbrio perfeito entre riffs corrosivos e uma cativante sensibilidade pop.

Future – DS2 (2015)

À terceira é de vez: DS2 é a obra-prima de Future. Trap sombrio encharcado em sedativos.

James Blake – James Blake (2011)

O álbum de estreia de James Blake traz algo que não se ouvia há muito tempo na pop: uma refrescante originalidade.

“Frank’s Wild Years” – Tom Waits

“Frank’s wild years” fala-nos de um pai de família que, farto da sua vidinha suburbana, pega fogo à própria casa, desaparecendo estrada fora. Uma parábola sobre o desmembramento da sua própria família quando Tom Waits tinha 10 anos.

Grimes – Visions (2012)

É na celebração do artificial e do sintético que Grimes faz a sua pop; a tecnologia não como uma ameaça distópica mas como um paraíso de possibilidades infinitas. A geração smartphone a jogar finalmente em casa.

“Five Years” – David Bowie

No tema de abertura de Ziggy Stardust, Bowie pincela o cenário apocalíptico onde a acção decorre: por esgotamento de recursos naturais, o planeta Terra está condenado a extinguir-se em cinco anos.

“Dá mais música à bófia” – B Fachada

Se manifestantes e polícias se divertem no mesmo jogo erótico, onde raio para a luta de classes? Cínico e provocador, como B Fachada sempre o é.

“Dog at Your Door” – Mazgani

“Dog At Your Door” fala-nos do amor enquanto submissão.

Fiona Apple – The Idler Wheel Is Wiser Than the Driver of the Screw and Whipping Cords Will Serve You More Than Ropes Will Ever Do (2012)

Ao quarto disco, Fiona troca os sonhos pop pela pura arte. A sua voz está tão ensopada de verdade que chega a raiar o obsceno.

“Rio-me de Janeiro” – JP Simões

Neste chorinho brasileiro, o ácido do humor de JP Simões é arremessado contra a elite yuppie que nos governa.

Playlist da Semana: Saudades

A lista desta semana é triste: canções sobre o suicídio ou que pelo menos deixam em aberto essa interpretação. Algumas foram tragicamente premonitórias. Recordamo-las porque temos saudades e chovia lá fora…

Unknown Mortal Orchestra – Unknown Mortal Orchestra (2011)

Associados à nova vaga psicadélica, os UMO sempre foram, porém, um bicho diferente: mais originais, com pouca pachorra para os lugares comuns do acid rock.

Micachu & The Shapes – Jewellery (2009)

Ao princípio tudo soa cacafónico mas à terceira audição já estamos a cantarolar as melodias no banho.