Ricardo Romano
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"Um bom disco justifica sempre os meios”- defendeu-se Ricardo Romano, ao ser acusado de ter vendido o rim esquerdo da sua tia entrevada para comprar uma edição rara do Led Zeppelin II - o melhor disco de sempre. O juiz não se convenceu, mandando-o para uma prisão com condições desumanas, onde uma vez foi obrigado a ouvir do princípio ao fim um disco do Neil Diamond. Actualmente em liberdade, cumpre pena de trabalho a favor da comunidade no site Altamont mas a proximidade com boas colecções de discos não augura nada de bom.

Nitin Sawhney – Beyond Skin (1999)

O seu poder está na suspensão, nem que seja provisória, do nosso cinismo. Durante 58 minutos voltamos a ter compaixão pelo mundo.

Lorde – Melodrama (2017)

Uma festa trágica, na ressaca de um amor finado. Mais do que música, é cinema e verdade.

Lana Del Rey – Born to Die (2012)

Que se lixe a verdade, diz Born to Die a cada instante. A beleza é muito mais importante.

Cardi B – Invasion of Privacy (2018)

O segredo deste disco? Transbordar de personalidade. Cardi é assim: desbocada e divertida, arruaceira e frágil, fanfarrona mas verdadeira. O segredo deste disco é a própria Cardi B.

“Ob-la-di, Ob-la-da” – The Beatles

Com a sua desesperada leveza, a sua letra divertidamente disparatada e a sua sonoridade compacta, o tema era o mais comercial do Álbum Branco, mesmo para os padrões estupidamente altos de McCartney.

“Piggies” – The Beatles

A misantropia escondida em muita espiritualidade está bem patente nesta sátira de Harrison à sociedade dominante.

“Sexy Sadie” – The Beatles

Com o seu eco no piano, as suas vozes hipnóticas, e a guitarra repetindo a melodia da voz, tudo nesta canção é sabiamente desassossegado.

“Octopus’s Garden” – The Beatles

Com o seu divertido solo de guitarra, e a voz bonacheirona e despretensiosa de Ringo, quase nem reparamos no facto de o tema ser uma espécie de “Yellow Submarine” dos pequeninos.

Billie Eilish – When We All Fall Asleep, Where Do We Go? (2019)

Ao longo da história da pop há sempre estes momentos em que as pessoas se fartam do excesso de artifício e reclamam um pouco de verdade. A verdade chegou e chama-se Billie.

Playlist da Semana: Revisitando os Beatles

Mergulhemos por esta semana nos Beatles.

“I’m So Tired” – The Beatles

Escrita por Lennon na Índia, numa noite de insónia causada por excesso de meditação, e ampliada pelas ansiedades em relação ao seu casamento.

“A Short Term Effect” – The Cure

“Short Term Effect” é uma viagem irreal, com os seus ecos, a sua guitarra arabesca e onírica à Hendrix, as suas dissonâncias e distorções fantasmagóricas.

The Cure – The Top (1984)

The Top tem essa estranheza, de ser tudo e o seu contrário, luz e sombra, amor e raiva, às vezes tudo na mesma canção.

The Cure – Pornography (1982)

Pornography é o disco onde os Cure se descobriram claustrofóbicos, transformando a depressão em epopeia.

Luís Severo – O Sol Voltou (2019)

Onde Luís Severo era citadino, bem-disposto e orelhudo, O Sol Voltou é pastoral, melancólico e deliciosamente esquivo.

Lena d’Água – Desalmadamente (2019)

Um grande disco pop: fresco, soalheiro e divertido. Sabe a Rita Lee e a algodão doce, a Entre-Aspas e a calippo de limão, a Clã e melancia no Verão.

Howlin’ Wolf – Moanin’ in the Moonlight (1959)

Uma voz cavernosa na noite escura. O blues como transe e maldição.

Big Brother and the Holding Company – Cheap Thrills (1968)

O primeiro disco a revelar o génio de Janis Joplin. A angústia de uma geração captada, por fim, em vinil.