Ricardo Romano
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"Um bom disco justifica sempre os meios”- defendeu-se Ricardo Romano, ao ser acusado de ter vendido o rim esquerdo da sua tia entrevada para comprar uma edição rara do Led Zeppelin II - o melhor disco de sempre. O juiz não se convenceu, mandando-o para uma prisão com condições desumanas, onde uma vez foi obrigado a ouvir do princípio ao fim um disco do Neil Diamond. Actualmente em liberdade, cumpre pena de trabalho a favor da comunidade no site Altamont mas a proximidade com boas colecções de discos não augura nada de bom.

Faith No More – The Real Thing (1989)

O terceiro álbum dos Faith No More, The Real Thing, já com Mike Patton ao leme, foi um dos primeiros exemplares de rock alternativo a chegar ao mainstream. A sua profusão esquizofrénica de estilos – rap, metal, funk, o diabo a sete – foi muitíssimo influente.

Black Flag – My War (1984)

O segundo álbum dos Black Flag rasga o livro de regras do hardcore que eles próprios haviam escrito: lento, pesado e sombrio, dormindo com o inimigo, o doom metal. Só os gritos de raiva e frustração mantêm o ADN original.

Motörhead – Ace of Spades (1980)

Ace of Spades, dos Motörhead, é sujo, rápido e perigoso. Como uma mota a derrapar no óleo da estrada.

dEUS – In A Bar, Under The Sea (1996)

O segundo álbum dos dEUS é caótico mas melódico, bizarro mas viciante. Nunca o indie foi tão doido e colorido.

Nine Inch Nails – The Downward Spiral (1994)

O segundo álbum dos Nine Inch Nails é um clássico incontornável dos anos 90. Ao acrescentar uma sensibilidade pop à música industrial, The Downward Spiral democratiza um género antes obscuro.

Ian Dury – New Boots and Panties!! (1977)

Onde houver ternura pela Inglaterra das margens, verbo fácil e um sentido de humor folião, a referência de Ian Dury é incontornável.

Fela Kuti – Zombie (1976)

Zombie, de Fela Kuti, é uma sátira corajosa contra um governo corrupto. Uma festa do ritmo afrobeat.

DJ Rashad – Double Cup (2013)

O primeiro e único longa-duração de DJ Rashad colocou o frenético footwork no mapa. Nunca a electrónica de rua soube tão bem.

Roxy Music – For Your Pleasure (1973)

Em 1973, os Roxy Music estavam à frente de Bowie em termos de inovação e experimentalismo. O elegante For Your Pleasure não deixa dúvidas a esse respeito.

Aphex Twin – Selected Ambient Works Volume II (1994)

O segundo álbum de Aphex Twin é um clássico da música ambiente. Austero, assombroso e sublime.

Elliott Smith – XO (1998)

O quarto disco de Elliott Smith tem uma produção mais cuidada e uma mais extensa paleta de timbres. As canções são as de sempre: doces e tristes, lindas de morrer.

Anderson .Paak – Malibu (2016)

O segundo disco de Anderson Paak é quase uma história da música negra americana, uma síntese feliz entre soul, jazz, funk e hip-hop. A sua voz rouca cheia de grão tem tanto de dor como de luz.

Flying Lotus – Cosmogramma (2010)

O terceiro disco de Flying Lotus leva a arte dos beats instrumentais para um novo patamar de sofisticação.

PJ Harvey – Let England Shake (2011)

Let England Shake é um álbum conceptual sobre o horror da guerra com letras literatas, melodias memoráveis e uma estética etérea. Nem só do rock vive PJ Harvey…

Júlio Resende – Júlio Resende Fado Jazz Ensemble (2020)

Júlio Resende Fado Jazz Ensemble é muito mais do que um exercício formal. É a saudade da sua infância. O destino de tudo passar…

The White Stripes – Elephant (2003)

O disco que alberga “Seven Nation Army” é a obra-prima incontestada dos White Stripes. Um equilíbrio perfeito entre riffs corrosivos e uma cativante sensibilidade pop.

Future – DS2 (2015)

À terceira é de vez: DS2 é a obra-prima de Future. Trap sombrio encharcado em sedativos.

James Blake – James Blake (2011)

O álbum de estreia de James Blake traz algo que não se ouvia há muito tempo na pop: uma refrescante originalidade.