Se Chimamanda Ngozi Adichie escreveu “Notas sobre o Luto”, pequeno-grande livro pouco depois da morte do pai, Albarn e Hewlett apresentam aqui uma ultrapassagem da perda de um pai. Resultado: beleza grandiosa.
MARO – SO MUCH HAS CHANGED (2026)
No limiar dos 30 anos, MARO olha para o passado com a serenidade de quem sabe que crescer não precisa de pesar. Em SO MUCH HAS CHANGED, tudo é leve. Um disco sem excessos, escrito de um lugar onde tudo está bem.
Cara de Espelho – B (2026)
Ao segundo disco, o supergrupo mantém a matriz do álbum anterior, mas sublima e aperfeiçoa.
Joan As Police Woman – Real Life (2006)
São 20, as velas que aqui sopramos, daquela que é, desde o primeiro momento, a minha eternal flame. Real Life está de parabéns este ano. Joan As Police Woman, essa, está sempre.
Olivia Dean – The Art of Loving (2025)
O segundo longa-duração de Olivia Dean é um disco de canções de amor, mas de outros tipos de amor menos cantados: o próprio, o prometido, o exigível e o que se encontra nos lugares mais improváveis.
Summer of Hate – Blood & Honey (2026)
Os Summer of Hate são uma banda nascida a norte do país, mais concretamente em Espinho, e já andam nisto há alguns anos, embora sempre tenham estado abaixo do nosso radar.
Chet Faker – A Love For Strangers (2026)
Depois de vários anos de espera, o novo disco de Chet Faker surge num registo mais introspetivo e melancólico do que os trabalhos anteriores, ficando aquém do que o músico australiano pode fazer.
Moby – Future Quiet (2026)
Em 1999, o mundo embalava-se com Play. Duas décadas e meia depois, Moby volta a embalar-nos, agora com um disco de pacífica guerrilha, repleto de boas emboscadas. E é tão bom cairmos nelas…
Kings of Convenience – Riot on an Empty Street (2004)
Um pequeno motim doméstico contra o inverno, vencido não pela força, mas pela delicadeza de duas vozes, e o simples milagre de ficarmos quentes por dentro.
Beck – Everybody’s Gotta Learn Sometime (2026)
O “velho camaleão” muda mais uma vez de cor. Ou melhor, de indumentária. O outrora adolescente rebelde dos anos 90, autor do disruptivo “Loser”, troca a camisola larga e os Adidas pelo smoking e os sapatos de vela, neste aglomerado de esmagadora tristeza.
Marisa Monte – Infinito Particular (2006)
Duas décadas podem custar a passar, mas parece que foi ontem, o que vos trazemos hoje aqui: particularidades infinitas de quem sabe o que faz.
Mães Solteiras – Vamos ser breves (2026)
Prometiam que iam ser breves e cumpriram, não avisaram é que no final iríamos estar derreados.
Bruno Pernadas – unlikely, maybe (2026)
Unlikely, Maybe é tudo menos incertezas ou indefinições. É mais um sólido álbum que Bruno Pernadas nos oferece. Que sejamos dignos de tanta beleza e de tão vasta poesia sonora!
Luca Argel – O Homem Triste (2026)
Um álbum que nos faz ouvir música e pensar. Um trabalho de questionamento interior que dá pano para mangas no exterior. Um olhar para o outro lado da masculinidade que desbrava caminho para rebentar com estereótipos.
Pearl Jam – Vs. (1993)
O segundo álbum da banda de Seattle é músculo e nervo, com uns recantos bonitos…
João Gilberto – Amoroso (1977)
Amoroso é um disco perfeito. Se julga que exageramos, é porque nunca se apaixonou. Nem por ele, nem por ninguém. Agora imagine o que anda a perder…
Kula Shaker – Wormslayer (2026)
Uma poção alucinogénica composta em partes iguais por rock cósmico, psych-folk, o groove que lhes vem desde a génese, refrões monumentais, vermes, dragões e a lenda dum rapaz alado posto a trabalhar no circo por um empresário tirano. Um novo pico de forma 30 anos depois da estreia.
Expresso Transatlântico – Trópico Paranóia (2026)
Quando a marca de água musical se constrói a partir da diversidade e do multiculturalismo, o resultado é um belo arco-íris sonoro. Atual e de sempre.