Ricardo Romano
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"Um bom disco justifica sempre os meios”- defendeu-se Ricardo Romano, ao ser acusado de ter vendido o rim esquerdo da sua tia entrevada para comprar uma edição rara do Led Zeppelin II - o melhor disco de sempre. O juiz não se convenceu, mandando-o para uma prisão com condições desumanas, onde uma vez foi obrigado a ouvir do princípio ao fim um disco dos Creed. Actualmente em liberdade, cumpre pena de trabalho a favor da comunidade no site Altamont mas a proximidade com boas colecções de discos não augura nada de bom.

Guns N’ Roses – G N’R Lies (1988)

Em 1987, Appetite For Destruction fora um retumbante sucesso. Agora, volvido um ano, era preciso pôr depressa um disco cá para fora, sob pena do burburinho esmorecer. Os Guns tinham acabado de gravar quatro temas acústicos, pelo que alguém da Geffen…

Cavalheiro – Mar Morto (2015)

Comecemos pela fineza de apresentar sua senhoria: Cavalheiro é o mui nobre alter-ego do songwriter portuense Tiago Ferreira, a espalhar o seu obséquio desde 2010. Nesse ano assinou o longa-duração Primeiro, uma espécie de Bill Callahan à Gomes de Sá, com o…

Capitão Fausto – Capitão Fausto têm os Dias Contados (2016)

A música como escapismo nunca me disse nada. Enganar os tolos com pão e circo é um costume tão antigo como degradante. Se não for para mergulhar de cabeça na tragédia humana, então não vale a pena. Talvez por isso…

Do Mississippi a Chicago: o apogeu da história do blues

No lamento da voz, no deslizar dolente das cordas da guitarra, nos bemóis do diabo, o blues conta toda a lúgubre história da comunidade negra nos Estados Unidos.

Canção do dia: Stormy Monday Blues – T-Bone Walker

Este tema, de 1942, é uma das canções mais influentes da música popular americana, por ter sido uma das primeiras a ser gravada com uma guitarra eléctrica. A influência que o disco exerceu, primeiro sobre o blues eléctrico e, mais…

Canção do dia: Sweet home Chicago – Robert Johnson

Mais cosmopolita do que a maior parte dos seus colegas do Mississippi, Robert Johnson foi dos primeiros a estudar intensivamente a obra de dezenas de bluesmen, fazendo uma apurada síntese dos seus nomes maiores. Johnson sabia que só quem assimila…

Canção do dia: Devil Got My Woman – Skip James

Skip James foi um dos grandes do blues rural do delta do Mississippi. Este tema é de 1931, daí o característico ruído de fundo dos velhinhos 78 rotações. O som da sua guitarra é sombrio, quase etéreo, resultante de uma…

Canção do dia: Hoochie Coochie Man – Muddy Waters

Nos anos quarenta, milhares de camponeses negros abandonam o inferno dos campos de algodão do Mississippi e rumam para Chicago à procura de vida melhor. Os bluesmen seguem também na enxurrada. Da síntese entre origens rurais e novas vivências citadinas,…

Playlist da Semana: 04-04-2016

Numa semana em que publicamos um artigo de fundo sobre o blues, convidamo-lo a ouvir uma playlist dedicada exclusivamente a este género musical. Nesta selecção, optámos por intercalar os velhos bluesmen nascidos no sul profundo (de Charley Patton a John Lee Hooker)…

Canção do dia: Mississippi Bo Weavil Blues – Charley Patton

Este tema, gravado em 1929, reúne todas as características típicas de Charley Patton, todas elas profundamente influentes: a voz rouca e pujante, a crueza da sua slide guitar e a forma percussiva como ataca a guitarra. Por outro lado, a…

Good Times Bad Times: Ascensão e queda dos gigantes Led Zeppelin

A banda que inventou o rock moderno: musculado, centrado nos riffs e jogando habilmente com os contrastes leve-pesado. A alma do blues levada até às suas últimas consequências.

Como um gato do Japão: as sete vidas que Bowie nos deu

Há tanta heterogeneidade no seu percurso – no estilo de vida, aparência, sexualidade, drugs of choice, música que fez – que parece que Bowie não viveu uma vida mas muitas, “like a cat from Japan”, como o próprio nos chamou a atenção em “Ziggy Stardust”.

David Bowie – Aladdin Sane (1973)

“Ziggy goes to America”. Foi assim que o próprio Bowie definiu Aladdin Sane e continuamos a não encontrar melhores palavras para o descrever. “Ziggy” porque permanece a reflexão glam sobre a natureza da fama, encetada no disco anterior; “goes to America”…

Courtney Barnett – Sometimes I Sit and Think, And Sometimes I Just Sit (2015)

A australiana Courtney Barnett já tinha gravado uns EPs engraçados mas nada nos tinha preparado para a perfeição do seu álbum de estreia, o único este ano capaz de se medir com o luto agridoce de Carrie & Lowell. Tem-se…

Bernardo Barata – Turista! (2015)

Toda a gente conhece o Bernardo Barata baixista, o groove de Diabo na Cruz, Oioai, Real Combo Lisbonense e Feromona. O que pouca gente sabe é que por detrás deste discreto sideman existe um original autor de melodias, urdindo na penumbra…

Benjamim – Auto Rádio (2015)

Estava Walter Benjamin posto em sossego, sonhando com Rosemarys impossíveis no seu exílio em Londres, quando se dá conta que ao longe a sua pátria se esboroa, usada, descartada, vilipendiada, vendida por um par de sapatilhas e um pires de…

“Comfortably Numb” – Pink Floyd

Com “Confortably Numb”, os Floyd-propriamente-ditos despedem-se do mundo. Bonita a despedida, pá.

Canção do Dia: So What – Miles Davis

Primeiro, vem a bruma misteriosa, contrabaixo e piano perdidos, à procura ainda até do próprio tempo do tema. Até que finalmente entra a melodia e, coisa rara no jazz, é o próprio contrabaixo quem a faz, um golpe de estado…