Carlos Lopes
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O autor destas linhas tem já idade para ter (algum) juízo, e isso deve notar-se, assim o espero. Os seus gostos variam, como será fácil perceber. Para além da paixão pela música, o escriba deste texto é professor de Português e Literatura Portuguesa, e é assim que ganha a vida. Com a música ganha o céu, o que já não é pouco. Tem um blog há já seis anos (http://i-blog-your-pardon.blogspot.pt/) onde escreve alguma coisa para pouca gente ler.

Elza Soares em nova digressão por Portugal

Elza Soares em nova digressão por Portugal.

Jane Weaver – Modern Kosmology (2017)

Jane Weaver anda por novos caminhos. O space rock delicado e krautiano de Modern Kosmology é mesmo muito bom!

Edição deste ano do EDP Cool Jazz está fechada

Festival acontece em julho e traz vários nomes nacionais e internacionais a Oeiras. Maceo Parker e Pretenders são alguns dos destaques.

Blondie – Pollinator (2017)

Chegaram na primavera para espalhar o pólen pop-rock de Pollinator. Os Blondie estão vivos, muito vivos, capazes de mostrar ao mundo aquilo que foram durante muitos anos: uma esplendorosa máquina de fazer álbuns e canções memoráveis!

Ryuichi Sakamoto – async (2017)

Depois de muitos anos de silêncio, o yellow magic man está de regresso. Vem com mais de duas mãos cheias de belíssimos temas. Vem renovado e com vigor, mas também repleto de uma mágica melancolia que me enche o peito de contentamento.

Arto Lindsay – Cuidado Madame (2017)

Não é necessário qualquer cuidado especial com este Cuidado Madame. Arto Lindsay regressa em boa forma. Atlético e musculado quanto baste, mas também capaz de se espreguiçar voluptuosamente.

Vaarwell – Homebound 456

Homebound 456 é de uma fragilidade desarmante. Parece feito para nos tocar por dentro, para nos fazer recordar que é em nós que residem todas as inquietações, todos os suspiros, todos os desejos.

Scott Walker – Scott (1967)

Cinquenta anos é quase a minha idade e 1967 foi também o ano em que surgiu Scott. Fomos envelhecendo os dois e tornámo-nos bons amigos. Eu ouço-o assiduamente, e ele nunca me nega o conforto das suas excelentes interpretações.

“Fall On Me” – R.E.M.

“Fall On Me” sempre pareceu ser uma canção-metáfora sobre o progresso (ou sobre os custos desse mesmo desenvolvimento humano). Independentemente do que a letra do tema nos possa dizer, a verdade é apenas uma: ele é um dos mais bonitos momentos da carreira de Michael Stipe e seus parceiros. Ouvi-la é sempre um renovado prazer.

R.E.M. – Lifes Rich Pageant (1986)

Lifes Rich Pageant foi um disco de transição. Mais declaradamente pop do que qualquer dos seus discos anteriores, o álbum conta com temas gloriosos como “Fall On Me”, “Cuyahoga” ou “Swan Swan H.” Um autêntico tesouro!

Jesca Hoop – Memories Are Now (2017)

Memories Are Now é surpreendente. Com este álbum, Jesca Hoop faz-nos ganhar o céu, e isso é coisa rara de acontecer.

“The World’s Strongest Man” – Scott Walker

Agora entramos no plano das vozes e das canções míticas, aquelas que nos podem salvar do mundo em apenas dois ou três versos: “And didn’t you know that I’m not the world’s strongest man / When it comes to you and your world I’m lost”. É tudo tão bonito e simples, que parece fácil. Mas não é. Nem é sequer humano o que aqui se ouve: é divino!

“Espíritu Olímpico” – Los Planetas

Canção do Dia: “Espíritu Olímpico” – Los Planetas

“Um Índio” – Caetano Veloso

Depois da distante data do “achamento”, os índios foram sofrendo na pele os massacres que desumanamente lhes foram impostos. Mas um dia, mais cedo ou mais tarde, eles regressarão “Em átomos, palavras, alma, cor / Em gesto, em cheiro, em sombra, em luz, em som magnífico”.

“Los Ídolos No Comen” – Sr. Chinarro

Gosto desta canção. Gosto muito. Pelo embalo, pela sombra na voz de Antonio Luque, que mais se insinua do que canta. Gosto dos meus ídolos, alimento-me deles e daquilo que eles me dão.

“Terra das Palmeiras” – Taiguara

Taiguara é um monstro esquecido da música popular brasileira. “Terra das Palmeiras” é apenas um bom exemplo desse escandaloso esquecimento. Um tesouro. Há outros, muitos outros igualmente capazes de “em outras línguas te acordar”.

Playlist da Semana: Diversidade

Los Planetas, Sr. Chinarro, Julian Cope, Manu Chao, Benjamin Biolay, Caetano, Tom Zé, Milton, Kevin Ayers, Robyn Hitchcock, Blondie e Creedence Clearwater Revival. Há espaço para muita e boa música. É só dar-lhe som…

Taiguara – Imyra, Tayra, Ipy (1976)

Imyra, Tayra, Ipy é um assombro! Um disco verdadeiramente único, um autêntico ovni que surgiu no panorama da MPB em 1976, para ir desaparecendo quase sem deixar rasto.