Diogo Montenegro
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Diogo de nome, Montenegro como apelido, intencionalmente confundido por «pontonegro» ou «montepreto» de forma recorrente, teve como maior arrependimento a sua inscrição no IST em 2013; assim, como recompensa, um miminho egoísta, gesticulou um manguito para o prezado instituto, e como maneira de viver engoliu cursos de revisão literária à boca rota e escreveu críticas e reportagens com maior parcimónia no ano lectivo transacto. É inferível portanto, que se passe a vulgaridade, que é um «ser de muitas contradições»: além do ódio a clichés, candidatou-se neste ano escolar a Artes e Humanidades na FLUL e dá explicações de matemática. (Curioso.) É ainda apologista do acordo ortográfico de 1945. Que o ecletismo não se gaste tão cedo. Nem a boa música.

Demoscene Time Machine – Gravity (2016)

Gravity é culpado e orgulhoso réu da herança 8-bit, dos MIDI recursivos, do chiptune inusitado numa amálgama para si necessária.

Canção do dia: Number Song – DJ Shadow

  Tanto Godard como Jarmusch fala(va)m da ilegitimidade autoral como se de teor renascentista: nada é original. Nada diz respeito a criacionismos. O génio não prolifera sem contexto. DJ Shadow, no arquetípico Endtroducing, meandrando pelo hip-trip-hop, parte da premissa que…

Canção do dia: Mathematics – Mos Def

  “…for all of my peoples, negroes and latinos / And even the gringos” aparece coisa de dois ou três versos introdutórios (fora o eloquente e onomatopeico “Booka–booka–booka (…) booka” inicial), e tende a marcar o tom e a pontuar…

Canção do dia: Walking in the Rain – Grace Jones

  O ímpar statement do ecletismo sexual. Tão-só. Grace Jones, no álbum autobiográfico de Nightclubbing, incorpora a persona, a figura que ela própria representa. Quiçá a mais andrógina da cultura pop, quiçá a mais pertinente e relevante no mesmo tema,…

Playlist da Semana: 21-03-2016

São 46 faixas. A cada 24 horas, 6,57. Dá para quatro horas de música. 34,3 minutos por dia. Equivalente sensivelmente a faixa e meia de Miles Davis. Ou 15 dos Stones. Independentemente de como se ponha a questão, é ouvir. A premissa…

Canção do dia: Rival Dealer – Burial

Burial sempre foi vulnerabilidade. Burial foi vulnerabilidade, Untrue foi vulnerabilidade. Vulnerabilidade dissimulada, vulnerabilidade encoberta, porém. “Distant Lights”, no álbum de estreia, adensa e enclausura, num exemplo paradigmático da ambiência burialiana, dessa que enegrecida, embrenhada em agressividades texturais e tensas contenções,…

BadBadNotGood & Ghostface Killah – Sour Soul (2015)

Não haverá presunção alguma em reclamar-se preconizações desta eventual colaboração. Talvez incluindo não Ghostface Killah, possivelmente outra gorda personagem de ombros largos do hip-hop de velha guarnição, lá dos primórdios, dos que se multiplicam em features por meio da reputação…

Playlist da Semana: 17-08-2015

Foi uma sexta-feira bonita, foi. Lá vinha a brisa cálida lisboeta e os shoegazes / trip-hops / hip-hops / ambientes. A primeira do mar, os segundos do quiosque. É tão Verão.

Playlist da Semana: 13-07-2015

Mais uma sexta-feira. Solarenga. Avenida da Liberdade com corrente de ar. Brisa doce. Cerveja. Estação estival resplandecendo em reflexos nos edifícios espelhados. Um sentido de ócio molengão e preguiçoso. Música. Baixos corpulentos. Electrónica ambiciosa. Muita da qual não se dispõe…

Canção do Dia: Val Jester – The National

The National destrói. E quem ouve gosta de ser destruído. Esse sadismo é tão platónico quanto low-profile. Vem de Berninger, da passividade e languidez moral de que incumbe as suas composições, da entrega na sua expressão, da honestidade fraternal que…

Canção do Dia: I Am a God – Kanye West

O ego precede o homem, parece. Segundo Kanye West, não há interpretação que preconize a condição humana e não contemple narcisismo de tal ordem. Não é uma questão de amor-próprio, porquanto termo esse é eufemismo indigno de Narciso egocêntrico personificado…

Canção do Dia: Losing Touch With My Mind – Spacemen 3

Em necessidade, e caso se procure uma definição do termo de contornos minimamente precisos, Sounds of Confusion (1986) pode ser interpretado enquanto apogeu do space rock. Spacemen 3 seguem a doutrina a que mais tarde Spiritualized designariam lar: as cordas…

Canção do Dia: Wonder Years – Real Estate

Titubeia lôbrega e contida, entrelaça-se juntamente com as melodias das cordas, tão intensa quanto breve, tão empedernida quanto visceral; a reminiscência canta pela voz de Courtney, branda como se lhe permite, e, de frondosa melancolia, melancolírica. A reminiscência queda-se por…

Playlist da Semana: 27-04-2015

À medida do tempo, seja o meteorológico, seja o de Cronos. O primeiro lá vem frio e cinzento e embrenhado; o segundo já lá vai, possivelmente com a mesma descrição, em 4 horas de DJ set na Avenida. Aconchegou, esta…

Canção do Dia: Ageispolis – Aphex Twin

“Ageispolis” desabrocha. Vai procurando a luz do dia, vai soltando as pétalas: tempo de mostra, tempo de ostenção recatada. Solta o carpelo, augúrio e premonição, e por fim exibe-se. Auspiciosa é; a anterior desnuda conformemente discreta passa a mostra destemida, segura,…

Canção do Dia: Eyes Be Closed – Washed Out

São mais de carácter casual do que causal, as marcas mobyanas. Não se veja “Porcelain” onde não existe, não se a procure obstinadamente sob o rótulo new wave; marmórea não é “Eyes Be Closed”, nem sólida, nem baça. Vai efervescendo,…

Canção do Dia: Good Friday – Why?

Venha o rap misógino pelas vozes de BONES e derivados que aqui não tem lugar. Why? oferecem a primazia das suas composições à auto-comiseração e ao peso suportável do arrependimento; ao «foda-se, que merda», ao «foda-se; podia ser pior, pelo…

Canção do Dia: Sur la Planche 2013 – La Femme

Dá ares a percussão inicial da virtude do ritmo. Estremecem as pulsações extáticas o peito e motivam ao headbang ameno, e desenvolve por belicosas texturas aveludadas, as cordas metálicas gritam para que o acorde baixo não se cale, e vice-versa, e…