Ricardo Romano
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"Um bom disco justifica sempre os meios”- defendeu-se Ricardo Romano, ao ser acusado de ter vendido o rim esquerdo da sua tia entrevada para comprar uma edição rara do Led Zeppelin II - o melhor disco de sempre. O juiz não se convenceu, mandando-o para uma prisão com condições desumanas, onde uma vez foi obrigado a ouvir do princípio ao fim um disco dos Creed. Actualmente em liberdade, cumpre pena de trabalho a favor da comunidade no site Altamont mas a proximidade com boas colecções de discos não augura nada de bom.

“All Along the Watchtower” – Jimi Hendrix

Um cover que se tornou maior que o original…

Canção do Dia: Janis Joplin – Mercedes-Benz

Três dias antes de morrer, Janis cantou “Mercedes Benz” à capela e ao primeiro take, Talvez por isso a sua voz soe ainda mais frágil e intensa. Dadas as referenciais hippies de Janis,  e o seu delicioso riso de bruxinha no final da canção, só…

“Lazy Sunday Afternoon” – The Small Faces

Nesta canção o sotaque é propositadamente cockney, o “dialecto” das zonas working class de Londres. Os Blur roubaram a ideia no brilhante “Parklife”.

Canção do Dia: The Clash – I’m So Bored with the USA

Sempre houve duas tradições no punk: o niilismo orgulhosamente egocêntrico de uns Ramones ou de uns Pistols e o comprometimento político de uns Clash ou de uns Dead Kennedys. Deixamos aqui um exemplar dessa segunda corrente, onde os Clash apontam a mira contra os crimes do império americano.

O Tropicalismo (1967-1968)

O meu gosto musical sempre foi da mais indecorosa promiscuidade: no meu MP3 o Fela Kuti bebe tranquilamente um copo com os Smiths, o Fausto joga matrecos com os De La Soul, e a Billie Holiday vai para a cama…

“Um Tempo Que Passou” – Sérgio Godinho

Em 82 Godinho é detido no Brasil, rescaldo kafkiano de um processo anterior (dos tempos em que integrava o “incómodo” Living Theater). Já em liberdade, Godinho desabafa: “tenho que recuperar o tempo que passou”. Chico Buarque responde-lhe: “Já encontrei o…

Canção do Dia: The Smiths – Big Mouth Strikes Again

Onde acaba o humor e começa o ódio? Podemos proferir qualquer insulto desde que no fim digamos que é a brincar? Morrissey leva ao limite estas questões com as suas palavras ácidas: “I was only joking when I said I’d like…

“God” – John Lennon

Que Lennon diga nesta canção que não acredita em Jesus, em Buda e nos mantras, tudo bem; agora que cante também “I don’t believe in Beatles”  é que já me parece uma blasfémia absolutamente inaceitável.

Canção do Dia: The Doors – Moonlight Drive

Venice Beach, Junho de 65. Jim Morrison e Ray Manzarek acabaram de se conhecer. Jim, que não sabe tocar nenhum instrumento, revela-lhe porém que tem um concerto de rock’n roll sempre a tocar na sua cabeça. Canta-lhe “Moonlight Drive”. Tinham…

Canção do Dia: Pearl Jam – Jeremy

No dia 8 de Janeiro de 1991 Jeremy Delle, um miúdo tristonho que nunca abria a boca para nada, abriu-a por fim numa aula de inglês, encostando o cano frio de um revólver contra o céu da boca e apertando o gatilho.…

Canção do Dia: Louis Armstrong – What a Wonderful World

Uma canção alegre e triste. Alegre no seu deslumbramento com a beleza do mundo. Triste porque para quem o canta, um Louis nos últimos anos da sua vida, há já a amargura de uma despedida.

“Serve The Servants” – Nirvana

Para alguém tão frágil como Cobain, o sucesso de Nevermind foi uma maldição: os moralistas indie acusavam-no de se ter vendido e os media sensacionalistas alimentavam-se do seu sangue. Em “Serve the Servants” desabafa:”Teenage angst has paid off well/Now I’m…

Canção do Dia: Billie Holiday – Strange Fruit

“A estranha fruta pendurada nos álamos” são norte-americanos de pele escura linchados por bestas racistas. E na voz sofrida de Billie ouvimos o sangue derramado… [fbcomments]

Reportagem: Luísa Sobral || São Luiz

12 de Fevereiro, nove horas da noite. Não cabe nem mais uma alma no São Luiz. Está prestes a começar o concerto de apresentação do segundo álbum de Luísa Sobral There’s a Flower in My Bedroom. Começamos a ouvir os…

Canção do Dia: Charles Mingus – Goodbye Pork Pie Hat

Estávamos em 1959. Lester Young, uma espécie de avô do cool devido à suavidade e subtileza com que abordava o saxofone, tinha morrido há pouco. Mingus dedicou-lhe esta música, evocando o seu famigerado chapéu. Um grande homenageando outro grande.

Canção do Dia: Luísa Sobral – Não És Homem Para Mim

O que separa o bom do mau gosto? A resposta de Luísa Sobral é categórica: não é a canção em si – na sua letra e melodia – mas a forma como a embrulhamos. E para provar que tem razão,…

Canção do Dia: Mão Morta – Avô Cavernoso

O avô cavernoso é Salazar e para fintar a tonta censura nada como turvar a letra com palavras complicadas como “tonsura”, “matinadas” e “persignou-se”. Salazar e a censura já morreram mas os seus espectros ainda pairam sobre nós. Daí a pertinência…

Guta Naki – Perto Como (2014)

Quando ouvi pela primeira vez o nome Guta Naki pensei que se tratava de mais uma daquelas comidas japonesas esquisitas que se comem com gengibre e wasabi. Depois descobri que se tratava de uma banda mas continuava a imaginá-los de…