Alexandre R. Malhado
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Apesar de pinga-amor e bonacheirão, Alexandre José Ribeiro Malhado cresceu saudavelmente na Portela de Sacavém. Cedo lidou com o hino do Benfica e com os discos familiarmente empoeirados e antigos que o fizeram discernir. O Rock ‘n’ Roll do pai, a Soul da Motown da mãe e as modernices do irmão. Os Petrus Castrus, os Whispers e os Pantera conviviam todos alegremente no mesmo gira-discos e, acima de tudo, no universo daquele rapaz pinga-amor e bonacheirão. Hoje, mais graúdo e barbudo, tornou da música e do jornalismo o seu credo. Guitarrista dos Supreme Soul e licenciado em Comunicação Social e Cultural na Universidade Católica Portuguesa, Alexandre augura partilhar a sua nuvem com António Sérgio, Martin Hannett e Frank Zappa no Éden da música. Até lá, continuará a ouvir e a escrever.

Arcade Fire || Campo Pequeno: Uma explosão de alegria

Foi uma alegria que ninguém pôde conter. Hit atrás de hit, os Arcade Fire não mudaram o tom dos seus concertos — e no primeiro dia de Campo Pequeno, nós cantámos aos berros todas as músicas de Butler e Chassagne.

Playlist da Semana: Meo Kalorama

Terminou o MEO Kalorama. Viveram-se três dias intensos com grandes canções, entoadas, berradas (e até choradas). Agora é altura de recordar o festival através do que se ouviu. Eis os destaques Altamont do que se tocou no novo festival

“Nakamarra” – Hiatus Kaiyote

“Não se preocupe… apenas clique.” A sugestão veio de, nada mais, nada menos, o lendário Prince, que partilhou “Nakamarra” no seu Twitter em 2015, meses antes de morrer.

“Bunny is a Rider” – Caroline Polachek

Podia ser mais só mais um nome da música pop, com os mesmos clichés e lugares comuns, mas não é. Caroline Polachek, como boa geek do solfejo, confeciona uma pastilha elástica pop com sabores novos. Foi assim no seu disco…

“What Once Was” – Her’s

Numa época de poucos discos (e muitos singles), os Her’s fizeram um álbum pouco memorável – mas deixaram-nos coletânea de singles, onde se inclui “What Once Was”, para a posteridade.

“Saudade, saudade” – MARO

De voz suave e ritmos do mundo, o investimento dos últimos anos tem dado frutos — nem que seja por “Saudade, Saudade”, uma das melhores canções apresentadas no mítico Festival da Canção.

Playlist da Semana: Os virtuosos

Não interessa se é da pop ou do krautrock, do death metal ou da soul. Venha o indie e o grindcore. Tudo cabe nesta playlist cuja única regra é: complexidade.

Conferência Inferno – Ata Saturna (2021)

Ritmos maquinais dançáveis, hinos orelhudos em cordas MIDI, spoken word e uma atitude punk e melancólica. Onde é que já ouvimos isto?

Kaiser Chiefs – Employment (2005)

Com riffs reconhecíveis ao primeiro dedelho, Employment, dos Kaiser Chiefs, arranjou o seu espaço na história da música britânica.

Névoa – Towards Belief (2020)

Ao terceiro longa duração, o duo portuense de Black Metal encontraram uma fórmula para encaixar no seu caos distorcido e gutural a elegância jazzística do saxofone e do trompete.

“If We Make It Through December” – Phoebe Bridgers

Já sabemos que Phoebe Bridgers tem um dos melhores discos de 2020 — Punisher tem aparecido, até ver, nos principais tops, como o da NPR (em 4.ª) e do jornal New York Times (2.ª). Mas o annus mirabilisde Bridgers não…

“Ven” – Moullinex

Em 2021 há novo disco do viseense Moullinex — o nome artístico de Luís Clara Gomes — para nos voltar a fazer dançar. “Ven” é o primeiro cheirinho do que nos espera: camadas de sintetizadores que crescem, crescem, crescem… até…

“Why Don’t You” – Cleo Sol

A soul music está na moda, nomeadamente o uso de baixos cheios de groove que acompanham batidas lentas, cujas taroladas fazem mexer os quadris, em movimentos de fazer bebés, numa cama de teclados ácidos e jazzísticos. E não faz mal:…

“I Wish I Was Stephen Malkmus” – Beabadoobee

Nasci em 1993, o início de uma grande década para o rock. Havia o grunge, com os Nirvana e Pearl Jam à cabeça; o britpop, com os Oasis e Blur; para não falar de discos camaleónicos que viriam a marcar…

“You Take Nothing” – Ragana

Se o desespero tiver um timbre, pode muito bem ser o de Maria Stocke das Regana. O duo feminino de Oakland, Caliórnia, descreve-se no Bandcamp como “queer antifascist black metal/doom”, mas a agressividade da guitarra e bateria de “You Take…

Playlist da Semana: Bourbon de isolamento

Do delta blues do Mississipi à voz de bagaço do Waits de New Orleans, sem esquecer o pós-punk do subúrbio Nottingham pelos temas dos Sleaford Mords, tudo serve para nos curar desta pandemia que nos escarra na cara. Figurativamente, claro.

Stella Donnelly – Beware of the Dogs (2019)

Em Beware of The Dogs, o seu disco de estreia, a australiana é doce, sim, mas é mordaz e espevitada, petulante e divertida nas canções de amor, ao longo de 13 temas.

The Cure – The Cure (2004)

Na ressaca do sucesso do nu-metal, os The Cure acrescentaram o peso certo à sua melancolia, participando na ressurreição do rock. O disco homónimo tem grandes canções mas foi eclipsado por novidades desse ano, como os Arcade Fire, Franz Ferdinand e Killers.