Alexandre R. Malhado
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Apesar de pinga-amor e bonacheirão, Alexandre José Ribeiro Malhado cresceu saudavelmente na Portela de Sacavém. Cedo lidou com o hino do Benfica e com os discos familiarmente empoeirados e antigos que o fizeram discernir. O Rock ‘n’ Roll do pai, a Soul da Motown da mãe e as modernices do irmão. Os Petrus Castrus, os Whispers e os Pantera conviviam todos alegremente no mesmo gira-discos e, acima de tudo, no universo daquele rapaz pinga-amor e bonacheirão. Hoje, mais graúdo e barbudo, tornou da música e do jornalismo o seu credo. Guitarrista dos Supreme Soul e licenciado em Comunicação Social e Cultural na Universidade Católica Portuguesa, Alexandre augura partilhar a sua nuvem com António Sérgio, Martin Hannett e Frank Zappa no Éden da música. Até lá, continuará a ouvir e a escrever.

“Cheated Hearts” – Yeah Yeah Yeahs

Um dos chavões mais memoráveis de uma época repleta de criatividade.

Anna von Hausswolff – Dead Magic (2018)

Mais erótica do que temerosa, mais blasfema do que sagrada, Anna von Hausswolff faz do órgão um instrumento de auto-veneração. Mas Dead Magic é um requiem de música extrema que esmurra como se o ouvissemos da nossa própria sepultura. Do nascimento…

“Everything Means Nothing to Me” – Elliott Smith

E assim nasceu uma das maiores canções do novo milénio, do nada. Da indiferença.

Playlist da Semana: Os regressos de 2018

Entremos em 2018, mais um ano com certeza recheado de boa música.

Angus & Julia Stone – Snow (2017)

Snow é uma colecção agradável de 12 temas de folk orelhuda e sensível. Contudo, é tudo menos memorável.

“Bad Liver and a Broken Heart” – Tom Waits

Canção do Dia: “Bad Liver and a Broken Heart” – Tom Waits

“Rejoice” – Julien Baker

Canção do dia: “Rejoice” – Julien Baker

“I Want It I Need It (Death Heated)” – Death Grips

Canção do dia: “I Want It I Need It (Death Heated)” – Death Grips

Canção do Dia: “La Prima Estate” – Erlend Øye

Canção do Dia: “La Prima Estate” – Erlend Øye

Playlist da Semana: Calor

É oficial: as festas começaram. Com a despedida da Primavera, as brisas acalmam-se e o sol fica mais vaidoso. Lisboa veste-se de Santo António – com sardinhas no prato, cerveja na mão e tonsura no couro cabeludo – e o Porto de…

Fleet Foxes – Crack-Up (2017)

Passados seis anos, o regresso dos Fleet Foxes é difícil e incrível. Crack-Up é a continuidade natural de Helplessness Blues, com tónica nos fragmentos mais atonais da banda. O bucolismo típico de músico-lenhador permanece, mas não há refrões.

Father John Misty – Pure Comedy (2017)

Father John Misty armadilhou Pure Comedy de desconforto, garantindo que um dia estaremos moribundos. Mas tal não passa de uma nota de rodapé: o que nos amarra à infelicidade não é a mortalidade, mas sim algumas formas de entretenimento que nos distraem de sermos livres. É a derradeira pregação que este pastor sempre quis apresentar ao seu caótico rebanho.

Thundercat – Drunk (2017)

Em Drunk, Thundercat compacta a fragilidade humana em 23 canções. Na companhia de amigos, como Kendrick Lamar e Pharrel Williams, o virtuoso baixista mostra ao terceiro disco como a neo-soul soa amarga quando não fala de amor.

Salto – Passeio das Virtudes (2016)

Com mais dois membros, os Salto tornaram-se orgânicos e ácidos. Falam menos de desamor e mais de vida/morte. Mas ainda falam de amor. Se a vida depois da morte for uma festa numa “cidade branca” repleta de música negra, então os Salto instituíram em 2016 um credo novo. Se substituir versículos por canções e vestes rasgadas por sintetizadores, verá que Passeio das Virtudes é uma epopeia (quase) bíblica.

Metallica – St. Anger (2003)

St. Anger (2003) não é um disco mau, mas não consegue sobreviver (e conviver) com a discografia que os Metallica nos deixaram décadas antes. A banda tentou ultrapassar o alcoolismo (e respectiva reabilitação) de Hetfield, o mau feitio de Lars, a saída…