“No dia 4 de Novembro de 1980, a maioria dos eleitores norte-americanos votaram favoravelmente a Ronald Reagan e foi eleito o quadragésimo Presidente dos EUA. A 8 de Dezembro de 1980, 34 dias depois, John Lennon – o ex-beatle que representou o efeito que a música rock pode ter na vida real mais do que qualquer outro artista da sua geração – foi assassinado à porta do seu apartamento em Nova Iorque por um fã, um tal de David Chapman.
A relativa coincidência destes dois eventos marcou o tom da década de cultura pop que se instalou.
A música rock, outrora considerada a banda sonora do movimento da contracultura, modificou-se.”
Alec Foege
Não é muito frequente eu gostar de um álbum ao vivo, mas tenho de referir que houve um que me despertou extraordinariamente para a música: From The Muddy Banks of Wishkah. Está lá tudo o que o punkrock quer dizer: o exorcismo da angústia. É assim que eu o vejo, foi assim que ele nasceu.
Ao longo desta compilação cada power chord é uma libertação, cada arranhar de corda vocal, uma elevação espiritual. Trata-se de algo sombrio sujo interior – nada a ver com o gel que o Billie Joe Armstrong dos Green Day usa para espetar o cabelo – que chegou ao âmago de tanta gente.
Viviam-se tempos deprimentes: o alastrar do capitalismo, a descrença generalizada, a morte dos sonhos, o Lionel Ritchie. Claro que haviam coisas boas: a cena toda de Manchester no início da década de oitenta, os Sonic Youth, Ravi Shankar… Mas o pop o consumo imediato os gelados de verão absorviam as massas (encefálicas). Como hoje em dia, de resto. E uma insatisfação latente alastrava pela população ao ritmo duma ruptura familiar.
O Smells Like Teen Spirit é uma música que poderia ter sido banal. Mas não o foi porque surgiu em uníssono com a angústia juvenil do início da décade de noventa, com a necessidade de rejeitar a lama. O Vasco fez um paralelo entre Pixies e Nirvana, tentado compará-los, levando à letra aquilo que o Cobain disse a propósito do roubar a ideia aos Pixies. Por mais incríveis que os Pixies tenham sido, com uma linguagem não totalmente diferente da de Nirvana, não transmitiam a mesma mensagem, e haverá algo de mais importante que a mensagem? Não é isso que é a arte? Não é isso que faz a difreença? Há que não confundir os meios com os fins. E só fica bem a uma banda admitir as suas influências musicais, especialmente a uma banda como os Nirvana, tão dedicada em partilhar, promover outras bandas. Não se entenda que uns têm “melhores mensagens” que outros; simplesmente, umas chegam a mais gente, encontram maior empatia e foi isso mesmo que aconteceu com o Nevermind: empatia. Os Pixies interessavam-se por outras coisas e ainda bem. Vasco, não sejas ingénuo ao ponto de pensar que a glória dos Nirvana foi aleatória, que o mega sucesso que ironizas não teve razão de ser ou que, pior, se baseou num plágio.
O “From The…” revela-nos tudo isto mesmo: a força; a expressão da angústia; Cobain e público em harmonia celestial.
Acho que dá para compreender o beco sem saída em que ele acabou e só as mentes paranóicas é que pensam em assassinato.
A. Dudu
Oh meu amigo Raul…
Tens que ler melhor as coisas “pá”.
Não fiz comparações nem falei em plagios, apenas falei de uma citação do Kurt Cobain.
Era para explicar que os Pixies tocaram em muita gente inclusive a umas das maiores bandas do mundo: os Nirvana.
É óbvio que Cobain estava a ser bondoso e simpático . A originalidade e qualidade da sua banda são indiscutíveis.
Tens que ter mais atenção rapaz.
Tirando isso, escreves bem e dizes coisas interessantes no teu artigo.
Abraço