Reportagens

Allah-Las || Lisboa ao Vivo

A tocar pela terceira vez em solo luso, os Allah-Las deram um concerto competente e honesto, partilhando as suas boas vibrações com o público que encheu o Lisboa ao Vivo.

O Lisboa ao Vivo (LAV) está de parabéns. Primeiro, porque descentralizou o eixo de espectáculos lisboeta, trazendo uma opção para uma zona que começou a ganhar uma nova visibilidade com a abertura das cervejeiras, o dito “Beer District”. Segundo, porque a sala está impecavelmente bem montada, desde a altura do palco, ao posicionamento dos bares e dos lugares sentados, na mezzanine. Em último lugar, e o mais importante de todos, a qualidade do som. Uma verdadeira lufada de ar fresco em relação a muitas salas lisboetas, grandes ou pequenas. No entanto, para usufruirmos da qualidade da sala temos de ter bons concertos, e os Allah-Las não deixaram o LAV ficar mal visto.

Na sua terceira passagem por Portugal, a segunda em nome próprio, depois de terem actuado no Musicbox e em Paredes de Coura, a banda californiana trouxe um convidado, Tim Hill, para fazer a primeira parte. Só com a sua guitarra, Hill deu um concerto acústico e íntimo para uma sala ainda a meio gás. O som estava impecável, como se o músico estivesse a tocar no seu próprio quarto. Infelizmente, é de realçar a falta de respeito de muita gente que se manteve à conversa durante a actuação, que ainda contou com uma cover de Townes Van Zandt.

Para gáudio da plateia, que acabara por encher a sala, os Allah-Las subiram ao palco (com Tim Hill a ajudar nas teclas) e começaram a soltar os seus acordes. O público automaticamente entrou na onda da banda californiana e as boas vibrações da “West Coast” começaram a encher a sala. À instrumental “Sacred Sands” seguiu-se “Busman’s Holiday”, ambas do seu disco de estreia. Não deixando arrefecer o ambiente, a banda apresentou “Prazer Em Te Conhecer”, faixa que estará presente no próximo disco de originais da banda. A música, cantada em português (do Brasil), volta a demonstrar o amor da banda pela bossa nova e MPB, algo que já demonstrado em “Ela Navega”, instrumental do primeiro disco e “De Vida Voz”, do trabalho seguinte.

Os Allah-Las tocam um tipo de música que não é necessariamente enérgica o suficiente para que possa acontecer um mosh, coisa já vista nesta sala, mas é indesmentível a energia positiva que se sentiu no recinto. O público batia o pé, abanava a cabeça ou deixava-se perder ao som das faixas mais conhecidas (“Tell Me (What’s On Your Mind)”, “Sandy” ou “Catalina”).

A banda também passou pelo repertório de Worship The Sun e Calico Review: “No Werewolf”, “Had It All”, do primeiro e “Could Be You” e “Brittany Glasz”, do segundo, mostraram que, apesar de terem sido discos pouco conseguidos, ainda continham números de interesse.

No meio do setlist, houve espaço para mais canções novas (“In The Air, “Polar Onion”, “Roco Ono” e “Light Yearly”) que deixaram água na boca para o novo trabalho da banda de Los Angeles, liderada por Miles Michaud. De referir, também, a versão de George Harrison, “Fish On The Sand”, que a banda já tinha lançado como single há dois anos. A versão dos Allah-Las pretende despir os arranjos que Jeff Lynne incorporou no álbum de 1987 do ex-Beatle. Todavia, tanto a voz como a falta dessa mesma produção fazem desta versão um produto bem inferior ao original.

No entanto, no que diz respeito ao seu som particular, uma espécie de surf-rock semi-depressivo, com aquele toque de Velvet Underground, os Allah-Las são senhores do seu castelo e as músicas finais do concerto, “Catamaran” e “No Voodoo” provaram isso mesmo.

Um concerto honesto e competente, onde as boas vibrações se sentiram e, por momentos, nos esquecemos que o Outono está mesmo aí à porta.

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Fotografia: Inês Silva

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