“What Once Was” – Her’s

Numa época de poucos discos (e muitos singles), os Her’s fizeram um álbum pouco memorável – mas deixaram-nos coletânea de singles, onde se inclui “What Once Was”, para a posteridade.

“Saudade, saudade” – MARO

De voz suave e ritmos do mundo, o investimento dos últimos anos tem dado frutos — nem que seja por “Saudade, Saudade”, uma das melhores canções apresentadas no mítico Festival da Canção.

“Recolher” – Miramar

Editado recentemente, o segundo round de Miramar, projeto de Frankie Chavez e Peixe, trazia-nos uma surpresa.

“O padeiro de Portalegre” – Jónatas Pires

Ora experimentem e digam lá a verdade. Acabaram a perguntar ao Senhor Salgados quanto do seu sal são lágrimas de Portugal?

“3,14” – GSON, Slow J, Sam the Kid

Os discos estão fora de moda. Lançam-se singles à vez, músicas isoladas ou mesmo colaborações que, ainda para mais nos anos mais estranhos da nossa vida, acabam por não receber a atenção devida. É o caso de “3,14”, colaboração entre GSON e dois dos maiores do hip hop nacional, Slow J e Sam the Kid. Fica a chamada de atenção.

“Who’s Gonna Stand Up” – Neil Young

Tempos de guerra. Who’s gonna stand up?

“Eu Dizia” – José Afonso

O último tema que Zeca cantou em estúdio. Como seria de esperar, a voz fraqueja, e nem os quilos de reverb conseguem disfarçá-lo. Essa vulnerabilidade – humana, demasiado humana – torna tudo mais comovente.

“Senhor Arcanjo” – José Afonso

A divertida “Senhor Arcanjo” tem um icónico falso começo: “ó Zé Mário, não se ouve, pá”. A letra é deliciosamente nonsense, com anjos a caírem no alguidar e doutores a comerem repolhos, surrealista e popular ao mesmo tempo. As congas dão-lhe o remate final: um exótico travo africano.

“Cantigas do Maio” – José Afonso

“Cantigas do Maio” abre com um acordeão dolente, uma levíssima pincelada por cima da viola quase fadista. No refrão o tempo duplica, para dar mais força à catarse emocional dos versos roubados ao cancioneiro popular: “minha mãe quando eu morrer…”. O acordeão, antes suave, é agora nervoso e agitado.

“Milho Verde” – José Afonso

O ritmo sincopado de um adufe dá balanço a “Milho Verde”, um bonito tema popular, com um imaginário singelo e malandro ao mesmo tempo: “à sombra do milho verde namorei uma casada”…

“Cantar Alentejano” – José Afonso

Menos é mais, pensou José Mário Branco quando chegou a hora de encenar “Cantar Alentejano”, a comovente elegia a Catarina Eufémia. O dedilhado da viola é tão bonito, e o falsete de José Afonso tem tanta dor, que Zé Mário não lhe acrescentou absolutamente nada.

“Grândola, Vila Morena” – José Afonso

O povo português, em forma de canção.

“Canarinho” – José Afonso

“Canarinho” é, provavelmente, o tema mais experimental em todo o cancioneiro de José Afonso: minimalista e hipnótico, repetindo-se de uma forma obsessiva, como quem desbasta caminho numa selva, encontrando sempre o mesmo estonteante calor húmido.

“Tenho Barcos, Tenho Remos” – Os Golpes

A versão feita em 2010 pelos Golpes pega no cantar ancestral e reveste-se de um rock de guitarras rendilhadas.

“Já o Tempo Se Habitua” – B Fachada

Entre os músicos da nova geração, B Fachada é o mais digno herdeiro de Zeca Afonso. Não de forma copista decalcada, mas precisamente pela liberdade com que cria e pela pureza com que escreve.

“Maio Maduro Maio” – José Afonso

A flauta de “Maio Maduro Maio” é delicada como uma brisa fresca.

“Mulher da Erva” – José Afonso

“Mulher da Erva” tem uma melodia linda e colorida, um festim de prazer para o nosso córtex auditivo. A letra é de uma comovente empatia, como se assim se conseguisse aliviar um pouco o fardo de erva que a pobre velha carrega.

“Ronda das Mafarricas” – José Afonso

A profana “Ronda das Mafarricas”, com as suas quatrocentas bruxas e o chibo velho a dançar no adro, tem letra do pintor António Quadros. O berimbau de boca e as sílabas insólitas inventadas pelo Zeca acentuam a estranheza pagã de todo o imaginário.