Da cabeça de R. Loren sai a música mais complexa que já ouvi. Entre o primeiro disco dos Pyramids e este que agora nos chega às mãos, passaram sete anos, sete anos férteis. Foi tempo de conhecermos White Moth e Sailors With Wax Wings, das colaborações com Nadja (levanto os meus polegares) e Horseback. Para usar uma expressão (ainda) trendy, R. Loren é um empreendedor e deve fazer os melhores pitches da história, basta passarem os olhos pelas listas de colaborações (Swans, Slowdive, Godflesh, My Dying Bride, Katatonia, Dälek, Marissa Nadler…).
Por tolo que possa parecer, o meu primeiro contacto com A Northern Meadow foi com o seu enigmático (e brilhante) artwork. E foi um “que raio? de quem é isto?” e consequente clique que me deu a notícia da chegada do segundo álbum dos Pyramids. Daí à audição, foi um pulinho.
A Northern Meadow é o trabalho mais consistente e poderoso que ouvi desde Salvation, dos Cult Of Luna, já lá vão 11 anos. É metal, sim, mas recheado de detalhes que o tornam singular. A começar pela voz, que anda ali numa amálgama algures entre um Thom Yorke (e não fui eu que disse isto pela primeira vez, mas concordo) e a espaços um Jónsi Birgisson. Claro que temos aqui um desvio àquilo que à partida consideraríamos o cânone do género. Reconhecendo que isto pode causar alguma estranheza, não tarda a diluir-se e a fazer sentido, porque tudo está perfeitamente conjugado. Se dúvidas tiverem, oiçam “The Earth Melts Into Red Gashes Like The Mouths Of Whales” e “Indigo Birds”, dois temas-chave deste disco, talvez a melhor ilustração do que os Pyramids nos propõem em 2015. Riffs fortes mas melodiosos, um som que oscila entre sujo e iluminado, o tom shoegaze, uma bateria incrivelmente bem programada (excelente trabalho de Vindsval, dos franceses Blut Aus Nord) e aqui e ali, um bem-vindo toque de drone.
Se definitivamente farei as pazes com o género, a culpa será toda dos Pyramids. O que em A Northern Meadow mais me convence e me leva a audições sucessivas é esta conciliação entre o lado mais extremo e mais melódico, como em “I Have Four Sons, All Named To Men We Lost To War”, que já ouvi bem mais que uma dezena de vezes.
Mesmo dizendo que A Northern Meadow é um disco de metal, se me questionassem em relação ao público-alvo, não saberia o que responder, mas sei que quero seguir a direcção que os Pyramids levam. Para mim, o head-banging voltou a fazer sentido.
P.S. Sempre que ouvirem o riff de entrada de “I Am So Sorry, Goodbye”, ponham a vossa melhor metal face.
