Canção do dia

Chick Corea e Bobby McFerrin – “Spain”

Não é um dos meus pianistas. Sou devoto do Keith Jarrett, McCoy Tyner e do Herbie Hancock. E esta enumeração não é inocente, até porque todos eles tocaram com Chick Corea (incluindo num disco de piano a oito mãos). E apesar de reconhecer o mérito do seu trabalho com o Miles Davis (Bitches Brew ou In a Silent Way), com os Return to Forever ou com o Stanley Clarke, sempre que oiço o nome “Chick Corea”, o que me vem à cabeça é Bobby McFerrin.

Os puristas poderão ter uma apoplexia ao ler a última frase. Os progressistas devem desvalorizar a escolha. Eu não demovo. Gosto de humor na música (seja com o Manuel João Vieira, o Zappa ou o Mahler a compor uma marcha fúnebre baseada na canção infantil “Frère Jacques”) e sempre que oiço os discos do Bobby McFerrin e do Chick Corea ou os vejo a tocar ao vivo no YouTube sinto que eles se estão a divertir que nem loucos – não se chamasse o primeiro disco que gravaram juntos Play (brincadeira) – e eu gosto disso.

E visto que este texto é uma pequena elegia ao Chick Corea, procurei condensar as suas várias facetas duma assentada. Então temos o pianista a tocar uma canção da sua banda vanguardista (“Spain”, dos Return to Forever), baseada num concerto clássico (o Concierto de Aranjuez) e acompanhado por um dos vocalistas mais divertidos do jazz.

Chick Corea já está a tocar no grande concerto lá no céu, enquanto nós na Terra ouvimos o seu namorico com McFerrin.

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