2026 trouxe-nos 20 anos de Bons Sons! Durante cinco dias a 13ª edição do principal festival de música portuguesa levou à aldeia de Cem Soldos um mar de gente sedenta de experiências musicais, culturais e comunitárias. Digamos por agora que tiveram muita sorte!
Eu pensava que sim, mas há que reconhecer que não estava preparado para isto! Viver o Bons Sons, ainda por cima pela primeira vez, é uma experiência que ultrapassa, em muito, a sua imensa dimensão musical – mais de cinquenta concertos espalhados por uma dezena de palcos e pelo menos uma garagem. O vastíssimo programa artístico do qual fizeram parte exposições, oficinas, cinema, conversas e um mar de atividades para famílias. Mas, mais do que programas e atividades, mais do que 20 anos e 13 edições, mais do que os números e factos, há uma ambiência e uma experiência comunitária que mereceriam uma boa série de reportagens de fundo e/ou teses académicas. No meio disto tudo é mesmo muito fácil não ficar deslumbrado, assombrado e … confesso, muito baralhado pela profusão de estímulos, de coisas para ouvir, saborear, olhar e, acima de tudo, viver.
Levei mais do que uma semana a recuperar, a digerir e a muito ruminar o que consegui apanhar durante aqueles quatro dias. No meio disto tudo, é mesmo muito provável que deixe escapar muita coisa, sendo muito certo que o que de facto apanhei esteja ainda mesmo muito desarrumado. A começar pelo nome dos palcos.
Palco senta e fecha os olhos
Haverá, com toda a certeza, muito mais coisas que os unem do que as que separam Tiago de Francisco. No entanto, e puramente para efeitos estilísticos, começarei pelas diferenças para posteriormente acabar por os reunir. Um tocou na tarde do primeiro dia, em plena calorina amenizada pelas sombras das magníficas árvores que nos rodeavam e pela limonada atenciosamente distribuída pela organização; o outro actuou com a noite final do festival à espreita e a soprar uma leve brisa suficiente para irmos dando descanso aos leques. Acid Acid (O Tiago) estreou o Palco Rosa Ramalho junto de uma dúzia de privilegiados por inscrição prévia e de outra meia dúzia de bafejados com as credenciais de imprensa. Máximo (Francisco) tocou no enorme anfiteatro do Palco Zeca Afonso para uma maravilhosa multidão sentada em silêncio. Tiago recorreu a mais instrumentos que as minhas vírgulas, Francisco atacou um belíssimo piano de cauda.
As abordagens estilísticas são, claro, muito diferentes. Acid Acid tricota longas mantas de eletrónica ambiental pejadas de vibrantes pérolas de psicadelismo. Numa atuação centrada no recém lançado The Radio Under the Stars, Tiago parece navegar por vagas mais floydianas do que nos registos anteriores. As primeiras indicações são muito boas, mas sinto que preciso de lá voltar mais vezes e, se possível, apanhá-lo novamente ao vivo e em duo, como um dos nossos Tiagos, o Laranjo, teve a sorte de o apanhar.
Por seu lado, Máximo elabora belas composições que fundem o seu virtuosismo de origem jazzística com uma sensibilidade pop singular. Num concerto em que juntou temas dos seus dois primeiros álbuns – Greatest Hits de 2023 e Pangea de 2014 – Máximo aproveitou para nos mostrar alguns sons do seu próximo registo e uma intensíssima versão de “Verdes Anos” de Carlos Paredes. Dois caminhos distintos que convergem na mesma foz: público sentado em deleite contemplativo e olhos fechados para impulsionar a viagem.
No “meu” Bons Sons, O Mau Olhado também tocou no palco da contemplação. Aquela guitarra jazz encharcado em swing mandava-nos para a mesma fruição que descrevi antes. O palco Amália, ao início da tarde, vai um pouco contra isso … e, portanto, fugi até à sombra mais próxima. Sentei-me. Fechei os olhos e curti.
Eu acho que tenho um enguiço – juro que não estou a tentar fazer nenhuma piada com o artista anterior – com os Yakuza. Ainda não foi desta que os consegui ouvir como deve ser! Os seus discos são fantásticos e prometem uma igualmente fantástica experiência neste palco, ou até noutros mais movimentados, mas a coisa está difícil. Ainda que em locais totalmente diferentes, repetiu-se o cenário do início de 2025: demasiada gente junta e os malditos problemas técnicos – que desta vez, ao fazerem atrasar o concerto em mais de meia hora, viraram mantra: “que se fodam os problemas técnicos, let’s go” … nós até que fomos, mas pelo menos para mim, a coisa soou a pouco. Será que à terceira é de vez?
Palco Let’s go, mesmo a sério!
O facto de sermos fãs, como acabei de descrever, não torna a experiência ao vivo necessariamente boa, portanto que se fodam os … disclamers! Sim, gosto mesmo do som dos Them Flying Monkeys (sobretudo desde a terceira audição de Best Behavior (2025)) e isso não me impedirá de afirmar que deram um dos concertos que gostei mais no Bons Sons … número 1, mesmo … ex aequo com … logo verão! Em cima do palco, ou fora dele, a rodagem da banda faz-se notar desde o início. O público, por sua vez, atiça o quinteto de Sintra e deixa-se atiçar ainda mais ao ponto do concerto se tornar num mosh contínuo sem direito a pausas para hidratação. As malhas de Best Behavior ganham ainda mais corpo, mas o meu destaque vai mesmo para a versão de “A morte saiu à rua” de Zeca Afonso – e o meu ouvido já estava mais do que formatado à longínqua interpretação dos Peste & Sida – e principalmente para como tão bem resultou o single “Big Boy”! No fim, para coroar esta beleza de concerto, abriu-se uma via rápida de “crowd surf” que aposto que resultará num pedido de aumento dos seguranças para a próxima edição. Ele há bens que vêm por bem!
Quem também não facilitou, mesmo nada, foram os Cortada. Três e meia da tarde, sol a pino a refletir no asfalto? So fucking what? Desta vez, sem cabos marados ou outros quejandos a atrapalhar, os únicos problemas que o quarteto teve de enfrentar foram mesmo o dito calor – aposto que terão perdido uns bons quilos em pouco mais de meia hora – e uma pancada no lábio de Dusmond no meio do mosh! Tudo o resto foi o estado de plenitude energética que só o punk rock nos pode dar! As malhas de Gānbēi (干杯) soam cada vez mais potentes e viciantes. Concertaço!
Mantenhamos a palavra, mudemos quase tudo o resto! A atuação de Fidju Kitxora na segunda noite do festival foi simplesmente arrasadora. Pouco mais de duas horas após o final do concerto dos Monkeys, e já a área em frente do Palco António Variações vibrava novamente com a agulha sempre nos vermelhos. O mosh deu lugar à dança, aos saltos e ao movimento livre. A mistura da eletrónica dançante com os ritmos, tons e cores de origem africana é viciante e eletrizante, principalmente quando aos sons projetados da consola se juntam as guitarras, a bateria e as percussões digitais. Se as pistas lançadas pela audição de Racodja (2024) ou do mais recente Ti manxe (2026) já tinham deixado água na boca, é ao vivo que a coisa ebula e nos faz passar por todos os estados até aterrarmos de exaustão e êxtase.
Apesar da sua juventude, Marquise e os Mordo Mia são nomes que giram com alguma frequência nas páginas e nos corredores virtuais da redação do Altamont. Lançados no ano passado, Ela Caíu e Chumbo Côncavo ajudaram a espalhar a(s) palavra(s) e empurraram ambas as bandas para tocarem por este país fora. Essa rodagem adquirida na estrada faz-se sentir, e bem, tanto na sonoridade como na postura em palco de ambas as bandas. Se nem todas as promessas se cumprem, fica a doce sensação de que estas duas estão aí para durar!
É um lugar comum, eu sei, mas o problema de criar muitas expectativas é correr o risco de inconscientemente ficarmos presos às coisas que correm menos bem ou mesmo a pequenos defeitos que não estaríamos à espera. Esta conversa vem, infelizmente, a propósito do concerto de Lavoisier (com o Coro Polifónico da Pedreira), ou para ser mais correto e mais justo, com a minha experiência nesse concerto. As (minhas) expectativas foram criadas pelo interessantíssimo era com h e pela curiosidade sónica de perceber como resultaria a colaboração com o Coro. O problema terá sido a escolha do palco Zeca Afonso (o nome verdadeiro do palco e não os nomes tontos que eu para aqui inventei), ou melhor, o sítio onde consegui ficar depois de sair do concerto de Luta Livre. Cá bem em cima, era quase impossível ver e muito difícil de perceber todas as nuances musicais que esta banda tão bem distribui pelos seus temas. Confesso ainda que também acabei por ficar à espera de quando o coro entraria e que, quando entrou, mal se ouvia – cá em cima, repito, a mistura parecia dar primazia aos instrumentos em detrimento das vozes! Fica para a próxima!
Palco Festa
Não sei se é por ter acabado de aqui chegar, mas o Palco Lopes-Graça parece-me assumir uma posição privilegiada na aldeia de Cem Soldos. Continuando a especular, desconfio que terá sido por essa razão que a organização escolheu o palco para as propostas musicais mais consensuais e de tom festivo. Devo reconhecer que Cacique’97, TT Syndicate, Xauxau Dodô e Quinta do Bill não costumam fazer parte da minha dieta musical. Aliás, deste conjunto apenas conhecia a banda tomarense. Se o meu pressuposto estiver correcto, os objetivos da(s) escolha(s) foram plenamente cumpridos. Plateia cheia, sorrisos em riste, muita dança e muita festa … com um tom particularmente emotivo de quem, ao fim destes anos todos, jogou em casa.
Palco Luta
Seguindo a máxima do Almada, da alegria ser a coisa mais séria da vida, vamos para a luta mantendo-nos na festa! Seguindo a tal abordagem muito menos profunda que o caso merece, é visível palpável a componente ideológica de forte cariz comunitário de que se reveste o Bons Sons – recomendo a propósito a leitura do respectivo manifesto. Neste cenário, e diga-se no contexto que atravessamos, é perfeitamente natural que haja projetos musicais com mensagens políticas fortes e explícitas tanto nas letras das suas composições como na conversa com o público.
Deste conjunto de artistas, gostaria de destacar – até pelo facto de pouco conhecer a sua obra … pelo menos até agora – o concerto de Xullaji. Partindo da premissa de que “É bonito sempre que o povo fala”, eram projetadas fotografias de escritos na parede … tomadas de posição, reivindicações, desabafos … ideias tatuadas na rua … para todos verem, para todos lerem, para todos saberem. Foi forte … luta e festa juntas, na cabeça e na mente, no ritmo e nas palavras! Tão bom!
Horas antes, no mesmo palco, tocaram as Mães Solteiras. A banda que continua a prometer ser breve – os temas são, de facto, muito rápidos – anunciou que irá publicar nos próximos tempos o sucessor do disco de estreia, lançado nos primeiros dias de 2026. Não praticando um som propriamente inovador – nem me parece que seja propriamente esse o objetivo, até pela conotação neo liberal do termo … eh eh eh – a verdade é que, pelo menos para mim, a coisa vai crescendo a cada audição e a cada concerto. Há malhas e frases que se vão tornando viciantes e que não nos saem da cabeça o dia inteiro – é uma coisa boa, neste caso! Ainda que tenha ficado mais longe do palco e da ação, confesso que gostei mais deste concerto do que da estreia na Casa Capitão. Desconfio que mais pela referida invasão que as canções têm feito no meu cérebro do que pela rodagem da banda … é que é tudo gente muito madura!
Uma das bandas que queria muito ver, até porque foi a primeira vez, eram os Luta Livre – cuja carreira tanto temos gostado de acompanhar no Altamont. O concerto pareceu, ou ameaçou, arrancar morno … e às tantas pensei mesmo que Luís Varatojo estaria a ensaiar aquela famosa tática de alguns professores (ou palestrantes): falar/cantar baixinho para todos prestarem atenção. O mais certo era eu estar a delirar, … demasiado calor na cabeça! À medida que o alinhamento ia avançando, ia aquecendo também a festa dentro e fora do palco. Muito bom. A repetir!
Antes, já num dos locais mais difíceis para o público (por ser pequeno e por quase não ter sombra) tínhamos apreciado uma das surpresas (para mim, que não conhecia) mais bonitas de todo o festival: CRUA. O colectivo de mulheres portuenses que aliam percussões tradicionais a vozes de fazer arrepiar os pelos mais oprimidos pelo calor escaldante. Foi bela a luta!
Outra presença assídua das páginas do Altamont, Luca Argel encheu o imenso palco Zeca Afonso apenas com a sua voz e o seu violão. Canções e palavras de luta encantaram e inspiraram uma imensa mole humana que respondeu com palmas, sorrisos, lágrimas e coloridas bolas de sabão.
Palco Vozes de Encanto
Num cartaz tão vasto como o do Bons Sons, é mais do que natural encontrarmos nomes que pouco conhecemos ou que ainda falta prestar atenção – sobretudo quando as nossas (ou as minhas, neste caso) tendem a refugiar-se em contextos mais barulhentos. A Sul, Líquen, Rita Cortezão e Lisa Sereno são exemplos da nova geração de vozes femininas que vão ganhando novos admiradores a cada concerto e a cada publicação. Tudo, um pouco de Rita Cortezão chegou ao top das nossas escolhas de 2025 e Belonging de Lisa Sereno andou por lá perto!
Deste quarteto, gostaria de destacar a atuação de A Sul – a última deste ano do Palco Rosa Ramalho … o tal das caminhadas bucólicas e das limonadas retemperadoras. Reavivando memórias de infância, A Sul chegou ao palco instalado numa bela ilha de sombra a cavalo de um tractor! Apoiando-se no seu recém editado primeiro longa duração QUER QUER QUER, e dona de um vozeirão tímido a fazer lembrar divas de outros tempos, A Sul soprou a brisa pelo campo, e desculpem-me o chavão, encantou a bem encantar! Belo!
Palco Fusões à moda da casa
Será que se pode começar por pedir desculpas a’O Marta? Será que faz sentido? … Deveria era pedir desculpas a mim próprio. Queria muito ter visto tudo, mas só consegui apanhar o fim do concerto … mesmo a tempo de “Snoopy” e pouco mais. A banda e a sonoridade estão um pouco diferentes da que ouvi no meu primeiro Capote Fest em 2022 … um pouco mais rocky, parece-me! Vou ter de tirar teimas, é o que é … para me redimir … a mim mesmo!
O nome Rossana já me tinha passado pelos olhos, mas a sua música andava longe dos meus ouvidos. Vamos conhecer! Depois da primeira vez, é difícil esquecer! Difícil, o tanas! Impossível! Rossana é, dito assim à bruta e à cota, um animal de palco. Canta e dança com todos os milímetros do corpo … e tem das expressões faciais mais fixes que vi nos últimos tempos. E a parte mais interessante é que a “figura” é só uma parte – a música é muito maior! Rossana e o quarteto que a acompanha não misturam, integram um caldo de influências que vão da música tradicional portuguesa ao psicadelismo, atravessando o jazz e roçando no prog.
Diz-se que a música é uma viagem quando pairamos por diversas paisagens sonoras, certo? Se assim for, a eletrónica será uma viagem de comboio, enquanto Rossana será uma viagem de carro por uma estrada de montanha. Curvas e contracurvas … escaladas verticais, descidas vertiginosas … e tudo com a segurança do talento e da musicalidade vibrante do quinteto. Brilhante!
Na atuação que achei ser a mais adequada ao Palco Zeca Afonso de todo o festival, Jonas e a Maçã de Adão levaram a teatralidade ao extremo. Não foi um concerto, foi um verdadeiro espetáculo! Juro que pensei em ligar à minha mãe para ver se estava a dar na televisão … ela iria adorar! Não conheço a obra de Jonas – por esta altura já terão percebido que tendo a convergir para a distorção – mas depois de acabar a reportagem, aposto que irei lá parar. Até porque descobri para aqui mais um texto Altamont.
Andei para aqui indeciso em que palco colocar os Miss Universo – aqui, na Luta ou no Let’s go. Podem entrar em todos, parece-me! Para ser mais justo, no entanto, teria que os colocar no Palco “tenho que os ver outra vez”. Fui para o concerto com muita curiosidade em descobrir. Talvez com demasiada sede ao pote, já que abri as portas dos chavões. Perdi-me … confesso! O palco (Giacometti) pareceu-me demasiado grande. Eles fazem a festa, é verdade … mas fazem muito mais e acho que preciso de um sítio mais pequeno para apanhar tudo. Mais uma vez, a culpa a minha! Desculpem! Lá voltarei!
Romeu Bairos – esse mesmo, o Romê das Furnas – e Claiana tocaram à mesma hora da grelha no palco Amália (em dias diferentes, claro). E mesmo à hora da grelha arrebanharam multidões dançantes e muito empolgadas. Assim dá gosto de ouvir, assim dá gosto de olhar.
Palco Comoção
Como faço desde miúdo, guardei o melhor pedaço para o fim – ex aequo com os Them Flying Monkeys, claro … mas por razões muito diferentes. Este Bons Sons, como tentei dizer no início deste texto, foi uma avalanche de estímulos e de sensações. Arrepios: confere! Ganas de dançar e moshar como se tivesse menos 30 anos: confere! Deleite: confere! Espanto: confere! Deslumbre: confere! Lágrimas: confere! Guardei para o fim quem me levou às lágrimas … por mais que as tenha combatido!
Não sou suspeito! Nunca fui fã dos Diabo na Cruz, até porque não os conhecia. Andava noutras correntes (heavy metal e rock progressivo, principalmente) aquando do seu auge e só cheguei a tempo de Lebre (2018) e de assistir ao fim da banda. Entretanto redescobri outros sons que tinha deixado para trás (como os meus queridos TV Rural), mas por algum motivo parvo não fui espreitar a estrada do(s) Diabo … até à semana passada, claro. O disco de estreia de Jorge Cruz a solo – Transumante de 2024, por outro lado, rodou bastante cá por casa e terão sido as primeiras linhas do “Caminho de Casa” que me acordaram as entranhas. Ao timbre quente de Cruz juntou-se o puzzle sónico da Torrente – que reúne parte dos Retimbrar e O Marta – e a partir daí está montada a tempestade musical perfeita. Tocaram-se hinos que ainda não conhecia – “Vida de Estrada”, “Casamento” ou “Luzia” – e outras canções que ainda não reconheci … mas, acima de tudo, tocou-se música que bateu forte cá dentro!
Cremalheira do Apocalipse começa logo muito bem com um dos nomes de bandas mais fixes de todos os tempos. É claro que será importante dizer que a Cremalheira não é apenas um grupo musical, mas também um projeto de cariz social oriundo do Centro Social de Soutelo (Rio Tinto – e o Rio Tinto quando nasce é para todos!) que envolve mais de 20 pessoas. Um palco cheio de baterias, de bidons, de baldes, de teclados, de xilofones, uma guitarra e de pessoas … do tal povo com voz e com vontade de a ter! Como eles próprios dizem “é uma máquina que produz música incatalogável” e que soa mesmo bem, acrescento eu! Há mensagens de luta, há mensagens de crítica e há muita humanidade, daquela sem condescendências. Houve primeiro moshinhos e depois moshes à séria, houve letras perdidas e problemas técnicos que se foderam ainda mais à séria porque a malta foi mesmo até ao fim. Houve lágrimas no palco e fora dele, daquelas boas … acompanhadas de sorrisos.
Em jeito de conclusão, gostava de sublinhar que este foi o artigo que escrevi até hoje para o Altamont com o maior número de links internos – se puderem/quiserem, espreitem! A maioria deles são de discos e reportagens escritos por um vasto grupo de camaradas do Altamont, o que penso revelar a diversidade de gostos e sensibilidades que ajudam a criar a nossa identidade! Provavelmente, também quererá dizer que teriam ficado melhor servidos se a reportagem tivesse sido feita por algumas dessas e alguns desses camaradas, mas alguém tinha de o fazer. Como fui eu, aproveito o tempo de antena para reclamar um palco novo para o Bons Sons 2028: que tal um Zé Pedro ou um João Ribas para sons um pouco mais distorcidos?
Fotografias de Rui Gato. Fotografias dos Them Flying Monkeys de Gonçalo Nogueira


















































































