Desafiámos os nossos escribas a fazer a difícil escolha de selecionar um álbum, uma banda/artista, uma música, um concerto e um artigo escrito no altamont que os tenha marcado, nestes últimos 20 anos. Poderão vê-las no decorrer das próximas semanas, aqui e na nossa página de instagram.
Uma banda / artista: Arcade Fire
Descobri Arcade Fire em 2014 com o lançamento de Reflektor. Depois de um estrondoso concerto de apresentação do álbum no Rock in Rio desse mesmo ano (a t-shirt que comprei nesse dia é um dos meus bens mais preciosos), parti para descobrir The Suburbs, depois Funeral, e finalmente Neon Bible. Depois disso, nunca mais os larguei. São a banda que vi mais vezes ao vivo (são sempre incríveis) e são provavelmente o mais perto que tenho de uma banda favorita (lugar que pode apenas ser disputado pelos National). Faz, portanto, todo o sentido que figurem nesta lista.
Um álbum: B Fachada – B Fachada (2009)
Os discos lançados entre 2005 e 2025 são aqueles que saíram quando estava a moldar o meu próprio gosto musical (sem a influência do gosto dos pais) e serão aqueles que mostrarei aos meus filhos, antes de eles começarem a descobrir as suas próprias músicas. Assim sendo, escolher só um é a mais ingrata das escolhas. Vêm-me à cabeça os discos dos Arctic Monkeys, do Mac DeMarco, dos Arcade Fire ou dos National. Ainda assim, um elemento que destacaria nas descobertas musicais da minha adolescência foi a nova música portuguesa. Nesse campo, o B Fachada, em especial com o seu disco homónimo de 2009, foi a minha porta de entrada. É um disco que sei de cor de uma ponta à outra, que me acompanha há anos e ao qual volto sempre. Um disco que me levou a descobrir um sem-número de artistas que ele influenciou e também aqueles que o influenciaram. É, portanto, essencial.
Uma Canção: “Bigger Boys and Stolen Sweethearts” – Arctic Monkeys
Os Arctic Monkeys foram a minha banda favorita durante alguns anos e ouvi até à exaustão todos os discos até ao AM. O dia em que descobri que existia o equivalente a quase dois álbuns de canções que tinham saído como b-sides dos singles e que, portanto, eu nunca tinha ouvido, foi muito feliz. Ouvir estas pérolas escondidas fazia-me sentir imensamente fixe, como se fosse a única a conhecer este segredo, e esta canção terá sido das que mais rodou no meu velhinho ipod touch, depois de eu a ter sacado no SoulSeek e de ter cuidadosamente juntado ao ficheiro a capa do primeiro single da banda, “I Bet You Look Good On The Dancefloor”, da qual “Bigger Boys and Stolen Sweethearts” era b-side.
Um Artigo: Heartattack and Vine – Tom Waits
Gosto sempre de participar nos especiais que fazemos no Altamont, não só porque me dão um prazo para entregar o texto, mas também porque me fazem sair da minha zona de conforto. O que haverá mais a dizer sobre um dos mais bem-sucedidos álbuns e um dos mais bem-sucedidos artistas de sempre? Não sei, se calhar mais nada, mas sei que redescobrir este disco enquanto participava na bonita discussão que se gerou na nossa comunidade de melómanos sobre a obra de Tom Waits tornou a experiência de escrever sobre ele num desafio excelente, e é, ainda hoje, um dos meus artigos preferidos.
Um Concerto: Patti Smith and Her Band – Vodafone Paredes de Coura (2019)
É sempre um privilégio ver Patti Smith ao vivo e os concertos dela são sempre especiais (já tive, aliás, a sorte de escrever sobre um por aqui). Porém, vê-la com a sua banda no auditório natural do festival Paredes de Coura, lugar onde fui tão feliz, foi particularmente memorável. Foi o primeiro concerto que me emocionou, no meio da energia que emanava da plateia e que parecia alimentar a performance pujante da artista septuagenária. Cantei “People Have The Power” com um nó na garganta e abraçada à minha irmã mais nova, cheia de orgulho por ter sido eu a mostrar-lhe aquelas canções.