Canção do dia

“1913 Massacre” – Woody Guthrie

Woody Guthrie é um dos mais importantes músicos norte-americanos de sempre. Fazendo-se acompanhar da sua guitarra que matava fascista foi o mais influente cantor folk da sua época, a par de Pete Seeger.

Tratando a sua música como uma arma, Guthrie pôs-se sempre do lado dos trabalhadores e dos desfavorecidos, denunciando as atrocidades praticadas contra estes. E uma das canções mais carregada de mágoa e raiva é esta: “1913 Massacre”.

Com um dedilhado simples e uma gravação já muito desgastada – a canção foi editada no início da década de 40 -, Woody conta uma história passada na noite da Véspera de Natal numa comunidade mineira dos Estados Unidos da América.

Centenas mineiros de Calumet juntaram-se com a sua família num salão chamado Italian Hall. Pela sala ecoavam risos e conversas, crianças a correr e música a tocar. A festa estava concentrada no segundo piso. Canta Woody que até uma jovem se sentou ao piano para tocar uma canção, fazendo todos silêncio para a escutar. Era um dia de felicidade e regojizo mesmo para aqueles mineiros que trabalhavam em troco de menos de um dólar por dia.

Mas as coisas começaram a correr mal quando os arruaceiros do patrão gritaram, para dentro da sala, que havia um fogo. Um homem pegou na filha e correu com ela até à porta, para a proteger do fogo, num instinto paternal. Mas os homens do lado de fora prendiam a porta. Atrás do primeiro progenitor outros se seguiram, empurrando-se uns aos outros e pisando-se.

No total, 73 pessoas morreram, entre elas, 59 crianças. Ninguém sabe se quem gritou “fogo” foram mesmo os capangas do patrão, mas o resto da história é verdadeira e representa a versão de Guthrie, embalada por uma bonita melodia, cantada cheia de emoção, com apontamentos que fazem apertar o coração pela tristeza e cerrar os punhos de raiva: “We carried our children back up to their tree/ The scabs outside still laughed at their spree”.

Esta canção tornou-se das mais icónicas do cancioneiro de Guthrie e foi essencial para o desenvolvimento de um jovem chamado Robert Zimmerman que mais tarde adaptaria o acompanhamento para uma composição de homenagem a que chamou “Song to Woody”,