Os Yard Act aterraram em Lisboa para uma noite que serviu para mostrar que ainda se pode dançar rock, mas o timing não terá sido o ideal.
A banda de Leeds deu o seu primeiro concerto em Lisboa, depois de, no ano passado, terem sido parte do cartaz do Nos Primavera Sound, no Porto. De facto, mereciam um concerto em nome próprio, dada a boa recepção que teve The Overload, álbum de 2022, e o público presente fez questão de o mostrar. No entretanto, chegou-nos, há pouco mais de um mês, Where’s My Utopia?, álbum que ainda estamos a digerir, e que é o centro da atual digressão. Foi precisamente pela primeira canção do recente álbum que arrancou o concerto, “An Illusion”, que serve de bom aquecimento de motores.
Na verdade, podemos afirmar que o concerto só arrancou mesmo à terceira canção, “When the Laughter Stops”, que, com laivos de !!! e LCD Soundsystem (e participação mais activa de uma das backing singers, Katy J Pearson), mostrou a nova face da banda liderada por James Smith, mais dançável ao ritmo da sua cadência vocal, que tanto varia para a forma rap, como para a via spoken word. Os óculos de massa, a fazer lembrar um tal de Buddy Holly, embaciaram para não mais regressar à forma inicial.
“We Make Hits”, “Dream Job” e “Payday” foram as músicas que conquistaram o público aos primeiros acordes, e ficou também marcado o momento em que a letra de “Peanuts” foi esquecida momentaneamente, música essa escolhida em modo spin the wheel (os Yo La Tengo a fazerem escola…) por um membro da audiência.
Para o fim ficou “The Trench Coat Museum”, single do ano passado que ficou de fora do alinhamento do recente disco. Do alto dos seus oito minutos de duração, e com o repto lançado por James Smith para aproveitarmos o privilégio que é estarmos em liberdade e a divertir-nos naquele momento, coisa que muitos no mundo não podem fazer, transformou o LAV numa discoteca em modo 6h da manhã, fechando o concerto em êxtase.
O facto de ainda não se conhecer bem o novo disco sentiu-se bem no público, que tanto saltava com as canções mais catchy de The Overload, como torcia o nariz às utopianas, que, apesar de serem mais dançáveis, ainda estão muito verdinhas. Talvez por alturas da próxima visita, no Meo Kalorama, seja possível uma maior absorção desta faceta mais gingona dos Yard Act.
A primeira parte esteve a cabo de Murkage Dave.
Setlist:
- An Illusion
- Dead Horse
- When the Laughter Stops
- Grifter’s Grief
- Pour Another
- Fizzy Fish
- We Make Hits
- Peanuts
- Witness (Can I Get A?)
- Down by the Stream
- Dream Job
- Payday
- The Overload
- A Vineyard for the North
- The Trench Coat Museum
Fotografias: Rui Gato











