Agora entramos no plano das vozes e das canções míticas, aquelas que nos podem salvar do mundo em apenas dois ou três versos: “And didn’t you know that I’m not the world’s strongest man / When it comes to you and your world I’m lost”. É tudo tão bonito e simples, que parece fácil. Mas não é. Nem é sequer humano o que aqui se ouve: é divino!
“Um Índio” – Caetano Veloso
Depois da distante data do “achamento”, os índios foram sofrendo na pele os massacres que desumanamente lhes foram impostos. Mas um dia, mais cedo ou mais tarde, eles regressarão “Em átomos, palavras, alma, cor / Em gesto, em cheiro, em sombra, em luz, em som magnífico”.
“Los Ídolos No Comen” – Sr. Chinarro
Gosto desta canção. Gosto muito. Pelo embalo, pela sombra na voz de Antonio Luque, que mais se insinua do que canta. Gosto dos meus ídolos, alimento-me deles e daquilo que eles me dão.
“Terra das Palmeiras” – Taiguara
Taiguara é um monstro esquecido da música popular brasileira. “Terra das Palmeiras” é apenas um bom exemplo desse escandaloso esquecimento. Um tesouro. Há outros, muitos outros igualmente capazes de “em outras línguas te acordar”.
“Do the Wrong Thing” – The Lounge Lizards
John Lurie é, nos dias de hoje, um tipo nos seus sessenta e quatro anos que se dedica a fazer pintura que, pensa ele, “deeper than you think”. Há uns bons anos atrás, era um gajo que além de gostar…
Neil Hannon: o humor ajuda a revelar o lado negro das coisas
The Divine Comedy actuou no passado dia 4 de Fevereiro no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa. O projecto de Neil Hannon voltou aos palcos e aos discos depois de um hiato de sete anos e o Altamont aproveitou o regresso à capital portuguesa para falar com o compositor irlandês.
“I’ll Be Your Mirror” – The Velvet Underground
Foi no final dos anos sessenta que os Velvet editaram o famosíssimo álbum da banana que aproximou muita gente por este mundo fora. De seu nome, The Velvet Underground & Nico, disco de estreia desta que é uma das melhores…
“Do It All Over Again” – Spiritualized
Deitado na cama, lençóis brancos, roupa por todo o lado e pouco que fazer. Tudo igual, excepto a ausência de uma ventoinha por cima de mim e o talento incrível deste spaceman. Mas para voar não é preciso muito mais do que isto; uma cama, um tecto e pouco que fazer. Spiritualized a dar, um pouco de imaginação e depressa me ponho fora daqui, deste lugar que pouco serve para um gajo como eu. E quando regressas? Voltas a fazer tudo de novo.
“Any Way the Wind Blows” – The Mothers of Invention
“Any Way The Wind Blows” é uma das melhores coisas que este mundo já viu; um Zappa, com esta voz à Zappa que tanto nos deixa felizes, num sarcasmo absoluto sobre o amor duradouro que é o amor de adolescentes. E isto soa-nos tão bem.
“Distant Sky” – Nick Cave & The Bad Seeds
Canção do Dia: “Distant Sky” – Nick Cave & The Bad Seeds
“There’s No Other Way” – Blur
Parece haver certo paralelismo inevitável na temporalidade de géneros antipódicos, uma simultaneidade destinada, por um lado que reverbere as qualidades de um dos lados e pelo outro despreze as do restante, e vice-versa. Exemplo paradigmático disso é o extremismo ideológico…
“Audrey’s Dance” – Angelo Badalamenti
A banda sonora de Twin Peaks mimica o ambiente que envolve a série (e a cidade fictícia) – lynchiano e, portanto, denso, misterioso, ora cómico, ora austero, com um toque de sex-appeal. “Audrey’s Dance” é, então, todas estas coisas: a…
“Big Poppa” – The Notorious B.I.G.
O beat relaxado, o inconfundível sintetizador, as letras descritivas e sinceras, a voz grave e aveludada de Biggie: tudo aponta para um clássico do hip-hop.
“Silhouettes (I, II & III)” – Floating Points
No vídeo “What’s in my bag?”, para a Amoeba Music, com Sam Shepherd, também conhecido por Floating Points, ficamos a conhecê-lo enquanto “record nerd” (palavras do próprio). Até ao ano 2015, Floating Points tinha-se focado na eletrónica, tendo apresentado trabalhos…
“Honestly?” – American Football
“Honestly?” é a 3ª faixa do álbum homónimo de American Football (1999), banda conhecida por eternizar o género emo. O riff inicial e backbone da música, um entrelaçar descomprometido math-ish de guitarra e baixo, faz o prenúncio dos 6 minutos…
“Love Is A Special Feeling” – Toots & The Maytals
Toots & The Maytals são uma das bandas de reggae mais interessantes que já existiram. Ainda andam em actividade, após mais de 50 anos na estrada. São enormes neste estilo musical e como qualquer banda que se preze, seja qual…
The Temper Trap || C.C.B.
Reportagem fotográfica do concerto de The Temper Trap no Centro Cultural de Belém. A banda australiana passou por Lisboa para apresentar o mais recente trabalho, Thick as Thieves, editado em Junho passado. Fotografias de Luís Flôres.