O aguardado retorno de Rodrigo Amarante a Lisboa, consagrou-se num concerto bonito e reconfortante, despido de instrumentos e cheio de um amor mútuo.
Perante um Capitólio já bem composto, às 21h00 entrou em palco Naima Bock, convidada de Rodrigo Amarante, para dar início à noite. A artista com ascendência brasileira, sediada em Londres, apresentou seis músicas com inspirações de “European folk” (como refere o seu Bandcamp), acompanhada por uma guitarra e dois microfones, um dos quais fazia de back up distorcido. Bock, cujo álbum de lançamento sairá em julho pela super editora Sub Pop, foi uma agradável surpresa.
O público mostrou-se interessado, mas era visível, pelo burburinho e crescente nervoso miudinho ao longo de toda a primeira parte, que a expectativa quase insuportável era a de ver a pessoa que os trouxera até ali: Rodrigo Amarante.
Às 21h45, e uma sala esgotada, entre um suspiro coletivo, palmas e muitos gritos, apareceu, a princípio timidamente, entre a neblina que preenchia o palco, Rodrigo Amarante.
De violão e com um sorriso estampado na cara, a primeira coisa que diz “Vocês vieram”, de mãos ao peito. A sensação que iria marcar todo o concerto foi estabelecida: sintonia entre cantor e público, numa empatia e apreço mútuo.
Despido de instrumentos acessórios e apenas de violão na mão, Rodrigo Amarante veio sozinho, ou, como ele disse “ou não vinha – a banda não podia, ou vinha sozinho”. E ainda bem que veio.
Um repertório que passou pelo mais recente Drama e Cavalo, Little Joy e que no encore ainda teve direito a Los Hermanos, Orquestra Imperial e um dueto com Moreno Veloso, teve a hombridade de preencher o espaço do Parque Mayer com uma sonoridade bonita e acústica.
Entre partilhas íntimas como “três anos sem fazer a minha profissão”, ou “tenho muitos amigos aqui, estou tentando não pensando nisso”, o que mais transpareceu, ao longo da noite, foi uma sintonia entre músico e plateia, uma harmonia constante. O público, que cantou baixinho todas as músicas, mostrou uma voz mais alta em momentos como “Tardei”, “Tuyo”, “O Cometa” e “O Vento”, quase como se fosse impossível não soltar a voz e partilhar daquela comunhão.
Ao longo de uma hora e meia, Rodrigo Amarante foi simpático, divertido (“adoro este suco de maçã [whiskey]. Estão rindo do que?”), amável (“todos decidiram, em algum momento, vir me ver e me dar uma chance, obrigado”) e, acima de tudo, presentear-nos com um concerto que transformou o espaço numa sala de estar, quase como se se tratasse de um grande abraço. Mesmo sozinho, o músico conseguiu preencher a sala toda.
Sempre de sorriso meio incrédulo, o músico fez aquilo que melhor faz: cantar com sentimento e deixar-nos todos de corações ao alto.
Alinhamento
- Evaporar – Little Joy
- Tara
- Tango
- Nada em Vão
- I Can’t Wait
- Tao
- O Cometa
- Tuyo
- Um Milhão
- Maré
- The Ribbon
- Irene
- Tardei
Encore
- O Vento
- Pode ser
- Deusa do Amor (com Moreno Veloso)
Fotografia: Inês Silva










































