Na última noite de um Fevereiro rigoroso, muitos se foram despedir deste mês na companhia dos Sensible Soccers. O lugar era o Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém e os anfitriões foram sublimes.
Mal a banda entrou em palco a música começou a jorrar. Entre os temas que todos conhecem e outros que, embora não tão conhecidos, não serão menores em termos de qualidade, a banda foi animando a sua audiência que dançava nas cadeiras e aplaudia com entusiasmo a cada fim de canção. Desde sons mais suaves e tropicais, às texturas mais densas e agressivas, teclas e cordas complementavam-se nos ambientes experimentais tão dançáveis a que temos vindo a ser habituados. De quando a quando, a romper por entre as lianas da electrónica, brotava das seis cordas de Filipe Azevedo um solo carregado de Blues que chamava de volta à Terra até os mais sonhadores. E quem não sentiu a vontade que emanava dos quatro músicos de largarem os instrumentos e dançarem embalados pelos sons que iam criando? E, depois de um concerto que correu sem incidentes, os Sensible Soccers despediram-se do Pequeno Auditório.
Mas… Filipe Azevedo voltou rapidamente a palco, acompanhado apenas pela sua guitarra e estacionou-se frente ao seu incrível set de pedais. O guitarrista lançou-se então num solo, fazendo-se acompanhar pela sua loop station. À medida que o solo se desenvolvia, o palco compunha-se. Primeiro chegou Hugo Alfredo Gomes para junto das suas teclas, depois Manuel Justo para as teclas do outro lado da mesa e, por fim, Emanuel Botelho entrou e pegou no seu baixo, para se juntarem – homem e instrumento – à peça iniciada por Azevedo. A meio da canção, umas interferências tomam lugar, teimando em estragar o momento. O que faria uma banda normal? Provavelmente, deixava de tocar até o problema ser arranjado. O que fizeram os nossos anfitriões?! Tocaram mais alto e com mais pujança! Não seriam uns problemas tecnológicos que iriam travar esta força da natureza que são os Sensible Soccers! Quando a música terminou, Manuel Justo disse o que todos queríamos ouvir. “Vamos tocar de novo a música, desta vez sem interferências.” A resposta que obtiveram foi um público que se levantou das cadeiras e dançou como forma de agradecimento à banda. Quanto mais música havia, mais energia enviávamos. E a banda recebia essa energia e devolvi-a, numa relação de simbiose mais que natural.
Os Sensible Soccers abandonaram o recinto e também nós, dolentes por não haver mais… Adeus Fevereiro e que Março traga concertos tão bons como este!
Fotos: Alexandre R. Malhado













