Os Velhos reencontraram-se com os amigos da Cuca Monga e fizeram a festa na Musa, para mais uma edição da Casa Andante.
Estava uma daquelas noites em que o inferno batia incessantemente à nossa porta, prestes a entrar pelas inevitáveis frechas. Entrar na Musa, em Marvila, foi um bálsamo de ar fresco que rezámos que se mantivesse (plot twist: nem uma hora mais tarde o bafo dos infernos tinha entrado pelo rés do chão da Musa).
Rapidamente deu para perceber que o que iria acontecer naquela noite seria um retorno de vários tipos, desde muitos amigos a cumprimentarem-se efusivamente (“não te vejo há tanto tempo!”), às suas crianças que desbravavam os cantos da Musa, passando pelas pessoas mais velhas (seniores) que envergavam orgulhosamente a t-shirt com “VELHOS”, certamente familiares da banda, às ditas t-shirts a serem vendidas que nem pãezinhos quentes na mesa de merch, tudo culminando no mais óbvio: pessoas que vieram ver uma banda muito querida e que não toca ao vivo desde 2016.
Os Velhos foram uma das numerosas bandas lançadas pela Flor Caveira e Amor Fúria nos idos 2010s, que lançaram dois álbuns e depois foram viver as suas vidas, deixando a banda intacta desde então.
O concerto teve duas partes distintas (não oficial). Ao som de uma música melosa que não consegui identificar (perdão), um público bastante nervoso (o concerto começou atrasado), que gritava e assobiava muito, por fim lá surgiram do fundo os membros da banda, que, em fila, foram levados quase em braços pelo público até ao palco.
Quando finalmente começaram a tocar e cantar, deu-se uma explosão no público. O entusiasmo sentiu-se nos poros de todos (foi aqui que começou a luta inglória entre o entusiasmo e o ar condicionado, o último a perder em 1 minuto). Parcos nas palavras, no fim da primeira música apresentaram-se: “Obrigado, somos os Velhos”.
O que se seguiu foi uma espécie de primeira parte (não oficial) mais dedicada ao álbum Os Velhos (2016), um som mais calmo e talvez monótono, mas que nem isso fez recuar o público que estava empenhadíssimo em acompanhar, sabendo as letras todas, ao mesmo tempo que de forma continuada gritavam e assobiavam.
Suponho que existisse uma expectativa muito grande de quem estava presente e que isso possa ter colocado uma pressão injusta na banda e que, talvez por isso, deram tudo em palco, mas não interagiram muito com quem assistia. A verdade é que quem fez a festa foi mesmo o público.
A segunda parte (não oficial) do concerto arrancou quando os Velhos começaram a tocar músicas do Os Velhos (2011), álbum de estreia e mais daquela onda dos Pontos Negros e Capitão Fausto (mais rock, melodias mais leves e catchy). Se o público já estava entusiasmado… desenvolveu-se um histerismo colectivo que me apanhou desprevenida, confesso. Mas, foi nesse preciso momento que o concerto ganhou outra energia, bastante contagiante: todos dançaram (crianças e velhos incluídos) e suaram como se mais nada importasse (e bem).
Talvez esta noite tenha sido uma ode à juventude perdida, à juventude que não volta mais, mas que durante uma hora permitiu que os Velhos (a banda e o público) fossem jovens novamente, dançando e saltando, sem pensar nas variadas dores que com certeza se sentiriam no dia seguinte.
No final da noite é isto que fica: os Velhos entregaram aquilo que se esperava deles, houve muitos aplausos, inúmeros assobios de alegria e pessoas contentes.
Fotografias de Eddie Speaks Love











