O sétimo disco de originais de James Blake, Trying Times, merece um tipo muito particular de elogio: este é um trabalho menos eufórico, mais contemplativo, que marca não um ponto de viragem, mas um regresso consciente ao essencial.
Uma das ideias mais presentes no aqui e agora de Blake consiste na tentativa do músico de se afastar da lógica industrial que, nos últimos anos, tem moldado grande parte da música pop e eletrónica. Ao editar por conta própria, fora dos grandes mecanismos de promoção e expectativa, o artista reforça uma autonomia que se reflete também no som: Trying Times soa deliberadamente despojado de ambição comercial imediata, como se recusasse competir por atenção num ciclo cada vez mais acelerado.
Em vez de estruturas fragmentadas, força nas colaborações com nomes do hip hop ou experimentações mais opacas – que marcaram fases anteriores da sua discografia – Blake privilegia aqui temas que se deixam reconhecer rapidamente. Há uma linearidade emocional e melódica que muitos críticos descrevem como um “regresso a casa”: canções que seguem um rumo natural, sem necessidade de desvios conceptuais ou grandes afirmações estéticas.
No anterior, Playing Roboys Into Heaven, destacava-se o dubstep e a eletrónica futurista – o ambiente era negro e denso, contrastante com a luz que em anos mais recentes entrou nalguma música do inglês.
Sublinhe-se que, em Trying Times, não há hiper revelações – não há aqui a urgência inovadora de trabalhos como Overgrown ou o impacto emocional mais amplo de Assume Form. Trying Times não procura redefinir o percurso do artista nem abrir novos caminhos dentro do género. Pelo contrário, assume-se como um objeto de continuidade, quase de manutenção de uma linguagem já consolidada.
Isso tem implicações claras: dificilmente será o disco que trará novos ouvintes para o universo do britânico. Falta-lhe o elemento de surpresa ou de expansão que normalmente atrai públicos exteriores. Mas, para quem já está dentro desse universo, a receção é obviamente calorosa, de regresso a casa, precisamente porque se reconhece nesta coleção de canções uma honestidade desarmante.
Trying Times pode não ser essencial, mas é reconfortante. Não há revoluções nem epifanias, mas há consistência, identidade e um certo prazer em revisitar este espaço sonoro. E isso é mais que suficiente.