A Casa Capitão celebrou o seu primeiro aniversário com um estrondo. Entre dj sets, conversas e concertos, a festa fez-se pelo dia (e noite fora), com um estouro.
No meio de mais uma enésima onda de calor que assolou o país neste verão, seguimos em força para a Casa Capitão, para celebrar o seu primeiro aniversário.
Apesar de terem decorrido muitas (muitas) actividades neste dia, estes humildes repórteres só conseguiram assistir aos concertos de bandas cujos nomes têm uma linha condutora interessante. Sabiam que saíssemos de Gondomar, passássemos por Mangualde, depois Varge Mondar, chegando a Lisboa, faríamos cerca de 480 kms de carro? Que bom foi poder simplesmente aparecer na Casa Capitão e assistir a estas três bandas no conforto (relativo) da (nossa) Casa.
Com um Sótão ainda fresquinho, os Varge Mondar arrancaram com seu set, desde logo incendiando (metaforicamente) a alma colectiva de quem esteve presente. Apresentaram o seu mais recente Jogo do Bicho e, certo e sabido que, em pouco mais de 20 minutos conseguiram tocar 16 músicas, com a famosa energia capaz de alimentar várias salas inteiras. Foi tudo muito rápido, firme e sem grandes cerimónias, com muita empatia e dedicação, capaz de pôr a malta a dançar (e saltar!). Se havia cansaço, não o notámos (só calor).
Findo o concerto de abertura, a Casa Capitão seguiu a encher todos os cantos. Com cada vez mais pessoas em todo o lado (Terraço? Cheio. Restaurante? Cheio. Piso intermédio? Cheio. Casas de Banho? Cheias), a celebração continuou, sempre com música de fundo a acompanhar o nosso passeio pela Casa.
Subimos novamente até ao Sótão, também a sua subida já meia congestionada de pessoas, todas com o objetivo de ir ver os Mangualde. Amigos, se já estava calor antes… A temperatura subiu (e muito), acompanhando a energia pesada da banda (sobre a sua presença no Festival Emergente 2025: [a banda] eleva a agressividade sónica mais uns graus”). Com um som menos frenético do que os Varge Mondar, mais metal do que punk, talvez, mas com uma intensidade bastante própria, a banda manteve uma energia constante e acelerada, aproveitando os interlúdios para tiradas certeiras sobre a cena underground nacional e afins, naquele tom sarcástico já conhecido, com o público sempre do seu lado.
Se calhar sou eu que já (não) sou boomer (millennial, se faz favor), mas há uma certa frescura na seriedade com que estas interjeições lhes saem do peito, acreditando profundamente que é o seu papel usar a sua plataforma da maneira que lhes é possível e assumindo potenciais consequências. Acho óptimo, que venham mais.
Depois do concerto suado dos Mangualde, foi tempo de chegar ao ponto mais a norte desta noite, que contrapõe com sendo o ponto mais a sul da Casa Capitão (Rés do Chão) para ver os 800 Gondomar.
Assim que deram os primeiros acordes, deixámos de ter espaço à nossa frente, atrás das nossas costas, lado direito e lado esquerdo. Foi instantâneo, a malta começou toda a andar para a frente, com uns malucos mais lá à frente a começarem a saltar. Rapidamente já só conseguimos ver alguns pés e pernas no ar e cabeças a saltitar. “Olá, boa noite, nós somos os 800 Gondomar”.
O trio mostrou mais uma vez que sabe fazer muito bem o que as pessoas querem ver e ouvir, com uma energia que fez match com quem assistia, dando um concerto frenético, entusiasmado, directo, bruto (mas sem aleijar), e sobretudo muito divertido. A meio do concerto percebemos que já não nos conseguíamos mexer, assumindo o ponto fulcral desta celebração, com um frenesim incapaz de ser parado.
Já dizia, e bem, o Chico Buarque: foi bonita a festa, pá. Parabéns à Casa Capitão por ter celebrado um ano em que conseguiu fazer muitas coisas bonitas, relevantes e importantes, não se tendo deixar abalar por uma cidade que cada vez mais se configura como uma amálgama de coisas sem nenhuma caracterização. Seguimos em frente!
Fotografias por Rui Gato
































