O que é delicioso no Monk é o seu estilo desajeitado, como se fosse um bêbado ou uma criança pequena a tocar pela primeira vez num piano. Parece sempre que toca a nota ao lado; soa sempre emperrado, sem qualquer fluidez; tem a total ausência de virtuosismo; não toca verdadeiramente, apenas martela, abordando o piano como uma espécie de xilofone grande e esquisito; e, no entanto, toda a sua sedução reside precisamente nesse lado infantil e trôpego.
Play it, Monk, e que se lixem as boas maneiras.
Canção do Dia: Thelonious Monk – Straight No Chaser
Ricardo Romano
"Um bom disco justifica sempre os meios”- defendeu-se Ricardo Romano, ao ser acusado de ter vendido o rim esquerdo da sua tia entrevada para comprar uma edição rara do Led Zeppelin II - o melhor disco de sempre. O juiz não se convenceu, mandando-o para uma prisão com condições desumanas, onde uma vez foi obrigado a ouvir do princípio ao fim um disco dos Creed. Actualmente em liberdade, cumpre pena de trabalho a favor da comunidade no site Altamont mas a proximidade com boas colecções de discos não augura nada de bom.
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