Skip James foi um dos grandes do blues rural do delta do Mississippi. Este tema é de 1931, daí o característico ruído de fundo dos velhinhos 78 rotações. O som da sua guitarra é sombrio, quase etéreo, resultante de uma afinação fora do comum em ré menor e de um dedilhar ágil e melodioso. A sua voz dolente em falsete não canta, chora, numa angústia indizível, beleza e terror em partes iguais. Sentimos um fio a percorrer a espinha em “Devil got my woman” quando James suspira: “I’d rather be the devil, to be that woman’s man”. Agradecemos à mulher de Skip James a oferta da matéria-prima mais valiosa para um bluesman: um coração destroçado.
Canção do dia: Devil Got My Woman – Skip James
Ricardo Romano
"Um bom disco justifica sempre os meios”- defendeu-se Ricardo Romano, ao ser acusado de ter vendido o rim esquerdo da sua tia entrevada para comprar uma edição rara do Led Zeppelin II - o melhor disco de sempre. O juiz não se convenceu, mandando-o para uma prisão com condições desumanas, onde uma vez foi obrigado a ouvir do princípio ao fim um disco dos Creed. Actualmente em liberdade, cumpre pena de trabalho a favor da comunidade no site Altamont mas a proximidade com boas colecções de discos não augura nada de bom.
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