Pop fresca e bem-disposta, o novo disco de Beatriz Pessoa vai beber inspiração ao jazz e à MPB, resultando num caldeirão de influências que funciona muito bem.
Beatriz Pessoa regressa aos discos com Muito Mais, álbum leve, orelhudo, pop fresca e bem-disposta, indo beber a muitas fontes de inspiração. É um caldeirão de estilos musicais, aos quais Beatriz se atira sem receios e sem medos.
A própria disse que este foi um álbum em que decidiu deixar de lado a timidez e fazer exatamente aquilo que lhe apeteceu, e isso nota-se. Há muitas camadas que vão surgindo em cada faixa, ouvimos um pouco de Rita Lee (de quem a artista é fã confessa, estando mesmo a ler autobiografia da cantautora brasileira quando fez este disco) mas onde também está presente o lado mais alternativo e etéreo de Kate Bush.
Beatriz Pessoa põe a sua formação musical ao serviço deste disco. Formada no Hot Club e na Escola Superior de Música, sente-se bem esta mistura de jazz, pop e de MPB, com algumas colaborações que tornam o disco muito interessante. “Ai quem me dera”, com Femme Falafel, foi um êxito instantâneo. Destaque também para “Espanta”, onde se junta a Guilherme Gomes (dos Napa) e ainda a faixa-título, “Muito Mais”, com o produtor Guss.
“A Pique C’est Chique” é puramente pop, enquanto que em “O Fim do Princípio” temos a simplicidade do piano numa balada clássica, para logo saltarmos para a salsa cheia de salero de “I Wish” (faixa em inglês). Por fim, “9,99€” prende-nos numa eterna repetição ritmada e “Figuração” soa mesmo a Rita Lee ou Júlia Mestre.
O facto de ser o primeiro disco pela editora Cuca Monga também não será alheio a este ir mais além. Não é um disco revolucionário, mas é perceptível que Beatriz Pessoa arriscou, saiu da sua zona de conforto e combateu a timidez. Escolheu, para título, Muito Mais, e efetivamente é o que este disco é: arejado, pop bem feita, com momentos de fragilidade, mas sempre com um tom positivo.
A autora dá o mote, já no fim do disco, colocando em palavras aquilo que quis entregar: “Muito mais que ser é sermos nós.” Missão bem-sucedida. Ponham o disco a tocar, soltem o corpo e dancem, sem timidez, sem vergonha e, nesses 45 minutos, sintam só o que é ser leve e livre.