Alexandre Pires
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Nasci em terras de Vera Cruz, decorria ainda a década de 70. De pequenino me apercebi que estava destinado a grandes feitos e quis desde logo deixar a minha marca, começando por atravessar o Atlântico a nado. Dessa experiência guardo sobretudo água salgada nos ouvidos, água essa que me impediu de dar ouvidos ao meu pai que queria fazer de mim engenheiro. Hoje, quando me perguntam a profissão, não sei o que responder. Tenho vários chapéus que vou usando consoante a ocasião, desde economista proeminente a futebolista de sonho, de crítico de música amador a empreendedor visionário, de tenista de meia tigela a DJ concorrido, de amante cinéfilo a pai dedicado.

Nick Cave – Dig, Lazarus, Dig!!! (2008)

É assim que os músicos de rock devem envelhecer!!! Começar por referir que Dig, Lazarus, Dig!!! é o produto de um senhor de 50 anos, e isso é relevante sobretudo numa altura em que Cave já nada tinha a provar…

“Bright Horses” – Nick Cave & the Bad Seeds

Uma das músicas mais pujantes de Ghosteen, “Bright Horses” é de deixar qualquer alma arrebatada. Ao ouvi-la de olhos fechados, estamos mesmo ali, na plataforma de comboio junto de Cave, à espera do regresso do seu filho. Oh the train…

“Push the Sky Away” – Nick Cave & The Bad Seeds

Como se não bastasse uma carreira inteira dedicada a esta bonita causa do rock and roll, Cave presenteia-nos na canção final do álbum homónimo estes versos que irão ecoar na eternidade: And some people say it’s just rock and roll…

“Jubilee Street” – Nick Cave & The Bad Seeds

Presente em Push the Sky Away, esta canção entra directamente para o panteão das grandes músicas de Cave e os seus Bad Seeds, contendo em si um pouco de tudo o que Cave nos deu na sua longa carreira –…

Slint – Spiderland (1991)

Disco menosprezado em 1991, Spiderland tornou-se um clássico de culto para quem aprecia pós-rock (e diria rock em geral). Ouvindo-o, percebe-se facilmente as razões para tal. Estivémos há umas semanas reunidos para analisar e debater o ano de 1991, e…

SPIRIT OF THE BEEHIVE – ENTERTAINMENT, DEATH (2021)

ENTERTAINMENT, DEATH, quarto álbum dos SPIRIT OF THE BEEHIVE, oscila entre insanidade e delicadeza, eletrónica e psicadelismo, ácidos e sonolência.

“Hey” – Pixies

“Hey” transpira sensualidade a cada “We’re chained” cantado, suspirado, gritado, por Black Francis e Kim Deal.

“Fa Cé-La” – The Feelies

Os Feelies foram seminais na transição do punk para o rock alternativo.

“Uncertain Smile” – The The

Retirada do álbum de estreia dos The The (Soul Mining (1983)), “Uncertain Smile” é irresistível.

“When Can I Be Me” – Adrian Borland

Adrian Borland foi o grande mentor dos The Sound, mais uma banda refundida desse década que é vista hoje como de culto.

“Bill is Dead” – The Fall

A languidez com que Mark E. Smith nos presenteia com o facto de que “These are the greatest times of my life” é o cúmulo da incoerência.

Playlist da Semana: Oitentas Rebuscados

Durante um largo período da minha vida esnobei totalmente a música feita nos anos 80. (Ah, a soberba de quem acha que a música do seu tempo é que é a melhor de todas…) Cheguei a ir a uma festa…

Dry Cleaning – New Long Leg (2021)

Tal como aconteceu com os Black Country, New Road, com os black midi, com os Sons of Kemet, The Comet is Coming, também urge dar atenção de ouvido aos Dry Cleaning.

Yo La Tengo – I Am Not Afraid Of You And I Will Beat Your Ass (2006)

É sempre um bom dia quando nos debruçamos sobre um belo disco desta bela banda. Acompanhem-me então por este I Am Not Afraid Of You And I Will Beat Your Ass adentro.

“Balance” – Future Islands

Para terminar esta semana em beleza, deixamo-vos uma música dos Future Islands (álbum “On the Water”) que apela à paciência e à resiliência que todos precisamos para enfrentar o regresso à vida.

Cassandra Jenkins – An Overview on Phenomenal Nature (2021)

A delicadeza de An Overview on Phenomenal Nature é transcendental, se a deixarmos entrar pelos nossos poros dentro seremos, garantidamente, pessoas melhores no fim da experiência.

“Consumado” – Arnaldo Antunes e Clã

Numa das mais bem conseguidas conexões Brasil-Portugal, entre os Clã e Arnaldo Antunes sempre houve uma ligação natural.

“Tudo no Amor” – Clã

Mais uma letra de Sérgio Godinho que se fundiu com música escrita por Hélder Gonçalves, é prova provada que o tempo, pura e simplesmente, não passa pela banda.