Joana Canela
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Saí para o mundo em 91. Licenciei-me em Jornalismo e andei por aí a fazer coisas até um dia ter percebido que o que queria mesmo fazer da vida era escrever sobre música. Porque a vida não teria metade da intensidade se não tivéssemos uma banda sonora constante. É tão bom ser compreendida assim e poder compreendê-la também. De bloco de notas na mão e mochila às costas a pensar que a vida é só rock'n'roll.

Militarie Gun || LAV: a esperança de não nos afogarmos

Não é somente uma sala cheia que faz um bom concerto – com uma plateia pequena, mas quentinha, a primeira actuação dos Militarie Gun em Lisboa foi a melhor forma de sobreviver à tempestade que se fazia ouvir lá fora.

Hetta – Acetate (2025)

Das tripas coração, da música compreensão. A missa a metade, a vida por inteiro. Se os passos pequeninos dos Hetta os fizeram grandes, o álbum de estreia torna-os reais.

Yung Xalana – RIP Xalana (2025)

Há uns meses, antes do lançamento do segundo EP de Yung Xalana, duas almas penadas deram as mãos para escrever sobre ele. Mas o texto ficou perdido no éter. Recuperamo-lo agora.

Scowl || LAV: uma rapidinha de hardcore emocional
Num Domingo marcado por ansiedades eleitorais, um pequeno submundo de catarse acontecia dentro das paredes negras do Lisboa Ao Vivo. Antecedidos pelos espanhóis Boneflower - que em Janeiro passaram pela mesma sala a abrir para Touché Amoré - e pelos…
Kim Gordon + Zamilska || Capitólio: o elixir da eterna juventude sónica

Num Capitólio completamente esgotado, a co-fundadora de Sonic Youth apresentou o álbum ‘The Collective’, prova de vida e de vitalidade deste ano. Dizem que tem 71 anos – mas deve ser bruxaria.

Touché Amore – Spiral In A Straight Line (2024)

Ao fim de quatro anos, os Touché Amoré desenjaularam os demónios que foram acumulando desde o último álbum. A cada berro um despojo da alma, a cada sussurro um prenúncio de um coração a definhar. E “Spiral In A Straight…

Playlist da Semana: Festinhas no âmago

Fica aqui um abracinho de melancolia para os dias mais quentes.

Vaiapraia – Estrelas e Trovões [EP](2023)

Vaiapraia tem o soro da verdade e o fruto da incerteza. E pela força da sua palavra tem a pujança para condensar o poder da dor em quatro faixas que valem por muitas mais.

“Fran” – Norberto Lobo

Palavras, palavrinhas, são minhas e são vossas. Mas nunca serão propriamente as mesmas. E para quando elas escassearem, eis “Fran”, a música que as fazem brilhar em qualquer ecrã.

“angels” – bar italia

“angels” é bem capaz de ser a mais bonita discussão conjugal alguma vez cantada. Ele sofrido, ela em agonia, mas o que ouvimos é doce e delicado.

“Hands Around My Throat” – Death In Vegas

Negro e sexy, “Hands Around MyThroat”, dos Death in Vegas, é o melhor dos dois mundos.

“Birthday Party” – Porridge Radio

Os Porridge Radio são tão crus que se chegam a tornar próximos. Numa intimidade onde a palavra carrega a força da honestidade. As unhas roídas, a música em canal aberto e “Birthday Party” como o nosso hino. Esta canta-se lá do fundo.

“Vento Irado” – José Almada

Há uma profunda angústia nas palavras de José Almada. E o que sobra delas são os escombros que ficam depois do vento irado. E nós, impotentes, fugimos dos silvos espinhosos de que é feita a angústia do passado. Para que, talvez um dia, o vento se vá embora

Playlist da Semana: Quanto mais fundo melhor

Convençam-se da beleza da escuridão. Ela não é nossa serva, mas sim nossa mestra. E as desavenças da vida merecem a noite a esvair-se nas suas profundezas.

Russian Circles || Lisboa ao Vivo

Pujança e competência é coisa que nunca falta aos Russian Circles. Agora com mais peso e tonalidades negras, cumpriram a profecia de mais um serviço exemplar num Lisboa ao Vivo quase cheio.

“Tua Mulher” – José Pinhal

“Tua Mulher” é dedicado ao desejo perigoso – tão irresistível – que é o fruto proibido. Mas pelo olhar de José Pinhal, até o mercado negro do amor parece valer uma paixão assolapada.

Wet Leg em entrevista: “Estamos orgulhosas do novo álbum”

Como é que se cria um hype sem um disco editado? Altamont esteve à conversa com elas sobre o seu álbum de estreia.

“I Go To Sleep” – Anika

Entre afagos e ilusões, os lençóis são o esconderijo das almas cansadas. É no lugar onde a escuridão é segura que os pensamentos são livres e o corpo também.