Estamos habituados a vê-lo actuar numa das maiores bandas do momento, a tocar diferentes instrumentos, a atirar tambores, palco acima, palco abaixo. Sim, Will Butler não é um artista qualquer e sempre soube dar espectáculo em grupo. Arrisca agora sozinho e Policy soa exactamente aquilo que é: o álbum a solo do irmão mais novo do líder dos Arcade Fire, com parecenças no timbre e na interpretação melódica de cada canção.
Enquanto multi-instrumentista, Will assumiu quase tudo neste seu projecto, contando apenas com ajuda na bateria, a cargo do seu colega de banda Jeremy Gara, nos coros e nos sopros. Em vez de aproveitar a pausa dos Arcade Fire para descansar, agarrou-se aos instrumentos e aventurou-se. Decidiu que tinha apenas uma semana para gravar o seu primeiro disco e ocupou o andar de cima do famoso estúdio Electric Ladyland, espaço que Jimi Hendrix usava como sala de sua casa. O seu som presta homenagem à música alternativa norte-americana, assumindo como influências nomes como Violent Femmes, The Breeders, Bob Dylan, Smokey Robinson ou The Modern Lovers.
Policy é curto e vai directo ao assunto. Composto por 8 faixas e com 28 minutos de comprimento, é perfeito para ouvir no meio da correria da vida. Um Rock n’ Roll, cheio de indie nos tempos, nas guitarras distorcidas, no baixo e na bateria. Mas também é Rockabilly a virar para o Blues em “Take My Side”, aproxima-se da soul e do funk em “Something’s Comming”, roça nos anos 80 em “Witness”, ao mesmo tempo que lembra James Murphy em “Anna” e “Sing To Me”. E depois temos um piano a marcar a diferença, teclados que se mostram particularmente delicados e sedutores em “Sing To Me” e “Finish What I Started”, onde quase conseguimos imaginar um Butler de smoking aprumado, íntimo, profundo.
Sim, Policy tem muita coisa boa mas também nada tem de ambicioso. Fazer uma comparação com os Arcade Fire é inevitável, e enquanto a banda tem traçado um caminho mais pretensioso, carregado de nuances inovadoras, própria de gente grande que sabe o que faz, Will dá a tradicional volta ao básico. O som é mais cru, os arranjos mais simples e as letras sinceras. E também isso é bonito. E também isso é bem feito. Faz lembrar um show improvisado ou uma conversa aberta para com uma plateia atenta. Policy não arrepia como um Funeral, mas é sincero e simplesmente bem feito. Quase sabe a pouco.