Em 2012, quando os Pallbearer editaram o seu disco de estreia, Sorrow and Extinction, os especialistas consideraram-no um dos melhores trabalhos do ano dentro do seu género: doom metal à antiga, daquele para rijos. Dois anos depois, a banda de Little Rock traz-nos o segundo disco.
O segundo disco, esse pau de dois bicos.
O segundo trabalho é como o segundo teste daquelas cadeiras tramadas na faculdade. Até nos podemos ter safado bem à primeira, mas, se o segundo nos corre mal, sabemos que vamos facilmente ficar muito mais marcados com esse do que com o anterior. Nesta questão dos primeiros e segundos testes, os Pallbearer podem considerar-se dentro da média, daqueles que se safam de forma equilibrada nas duas provas, que até progridem na segunda, mas, para serem brilhantes, não se podem limitar aos apontamentos das aulas.
De Sorrow and Extinction para este Foundations of Burden, o salto maior foi dado no estúdio. A boa recepção do disco de estreia deu os seus frutos, e a cadeira de produtor acabou a ser ocupada por Billy Anderson, conhecido pelo seu trabalho com Sleep, Neurosis ou Swans, entre outras dezenas de bandas. É evidente logo na primeira audição que um produtor experiente pode fazer toda a diferença. O som dos Pallbearer é agora mais cheio, mais coeso. As guitarras, por exemplo, ganharam uma dimensão que não atingiam até aqui, com «Foundations» a ser um bom exemplo disso mesmo logo nos primeiros minutos, quando as guitarras não precisam de ser tão sujas para se evidenciarem e soarem muito maiores.
Mas se na produção e consequente qualidade técnica do som a progressão é evidente, ficam dúvidas sobre se os objectivos terão sido atingidos a nível criativo. Na verdade, não fossem as produções distintas, teríamos alguma dificuldade em distinguir um disco do outro. No entanto, o detalhe que me pareceu mais gritante durante as audições foi não pensar nunca em Foundations of Burden como um álbum de 2014. Se por um lado existem aqueles trabalhos feitos antes de nascermos de que não nos cansamos de ouvir e que fazem décadas sem um ruga, por outro lado há discos (como este) que parecem mal desenterrados de outro ano, com uma sonoridade limitada a uma linha cronológica que não é a de agora: não consegui não ficar desiludida com isso.
Num mercado volátil e feito de ondas e modas como é o da música, parece-me que existem dois grandes grupos de melómanos: nichos apaixonados por géneros muito específicos com carência de novas produções que podem e devem ser abordados; depois, uma massa heterogénea de ouvintes com a vontade de ouvir música de géneros distintos, à condição de se mostrarem relevantes, de trazerem novidades para cima da mesa. Foundations of Burden não deixa de ser um bom álbum de doom metal, mas o apego ao cânone do género é tão forte que, entre nichos homogéneos e massas heterogéneas, os Pallbearer só conseguirão agarrar os primeiros.
