Será que basta uma banda ter uma vocalista super carismática e enérgica para sobreviver num mar de bandas? Cartoon Darkness diz-nos que sim, é possível.
Os Amyl and the Sniffers são aquele tipo de banda que aparecem com um estrondo. E conseguimos perceber o encanto: não querendo descartar os outros membros da banda, mas a vocalista Amy Taylor é o que nos agarra de imediato, com a sua energia e postura rock n’ roll, visualmente lembrando as divas dos anos 70 (aquele cabelo e aquelas roupas, senhores), sobretudo Debbie Harry ou Joan Jett.
O primeiro álbum Amyl and the Sniffers é de 2019, depois de dois EPs lançados em anos anteriores (Giddy Up de 2016 e Big Attraction, 2017), e este terceiro álbum Cartoon Darkness foi lançado no final de 2024. A banda australiana provou ser uma banda com imensa vontade de lançar cá para fora tudo aquilo que pensa, sem indicações de querer parar (não bastasse, este ano vão lançar uma edição comemorativa de aniversário dos primeiros EPs).
Nos últimos sete anos, já vieram a Portugal várias vezes (NOS Primavera Sound 2019 e 2024, MEO Kalorama 2023, NOS Alive 2025) e voltam este ano ao Vodafone Paredes de Coura. Ufa.
Não fugindo ao que a banda já nos habituou, Cartoon Darkness é composto por músicas aceleradas, punk simples, canções curtas e rápidas (o álbum, com 13 faixas, não chega aos 35 minutos), com mensagens que variam entre o feminismo, liberdade, pressão social, e sobretudo um grande “fuck you” a quem lhes diz como devem ser.
Não é que a sonoridade do álbum seja necessariamente inovadora ou diferente, mas também não precisa. O que eles fazem (e bem) é cimentar um som de uma banda que sabe muito quem são e para onde querem ir. Algumas das canções que mais nos agarraram foram: “Do It Do It”, “Me And The Girls”, “Jerkin’”, “U Shouldn’t Be Doing That” e “Tiny Bikini”.
Num mundo em que há milhares de bandas, Amyl and the Sniffers destacam-se sobretudo pela presença electrizante de Amy Taylor, mas também porque conseguem ter uma sonoridade que nos acelera o coração (e os pulmões).