Carminho é uma das principais vozes do novo fado que não obedece cegamente às estruturas rígidas desta canção centenária.
Comecemos pelo final. Em “Dia Cinzento”, Carminho canta um poema sobre um motivo de piano tocado por Mário Laginha e aquilo que acredito ser um ondes marenot a acrescentar uma textura etérea à canção que tem letra da fadista. É uma canção que é mais do que um fado, é um pequeno milagre que termina em menos de três minutos, mas que não se esgota.
Carminho é uma das principais vozes do novo fado que não obedece cegamente às estruturas rígidas desta canção centenária. Ouvem-se pianos, guitarras eléctricas e até sintetizadores que complementam a – e a gerência pede desde já desculpa pelo cliché – a alma de fadista.
E se Pedro Geraldes (ex-Linda Martini) brilha na guitarra eléctrica e André Dias se sublima atrás de uma guitarra portuguesa, Carminho agiganta-se acima de todos. Trina a voz, sussurra ao ouvido e até saltita alegremente para gáudio de quem a escuta.
Eu Vou Morrer de Amor ou Resistir é um disco para ouvir hoje e amanhã. É o presente, o passado e o futuro. É um grande disco que fica para os anais do fado. Benz’a e que a guarde dona Amália.