Desafiámos os nossos escribas a fazer a difícil escolha de selecionar um álbum, uma banda/artista, uma música, um concerto e um artigo escrito no altamont que os tenha marcado, nestes últimos 20 anos. Poderão vê-las no decorrer das próximas semanas, aqui e na nossa página de instagram.
Entrei para o Altamont através do João Tiago (sdds Loto), que me apresentou o Frederico Batista, maior guru espiritual desta tribo. Das primeiras festas recordo-me de um gajo com ar meio janado de camisola Alice in Chains (grande Freire) e pouco mais. Depois, a coisa foi avançando, amizades cimentando-se, comezainas, concertos, muita conversa, futeboladas, alguma palermice. Mas volto lá atrás para um pensamento: poucas semanas após ter conhecido o Frederico, saí com ele e o JT – fomos ao Viking, noites bravas, Fabiana, boa cena. No dia seguinte eu ia mudar-me de casa e desafiei os tropas a juntarem-se e a ajudarem o amigo – haveria cervejola, animação, camaradagem. Frederico ainda hoje recorda o momento dizendo que a amizade não estava consolidada o suficiente para um convite daqueles. Não tenho mudança de casa prevista para os próximos tempos, mas creio que agora já o poderei convidar sem receios.
Um artigo: “Overgrown” – James Blake (2013)
É um dos meus discos preferidos de sempre e foi um dos primeiros artigos que escrevi para o Altamont. Reli-o agora, 12 anos depois, e acho que continua um texto válido e que faz justiça a este colosso da música eletrónica mais orgânica. Destaco também uma empreitada dedicada à britpop em que analisámos uma vintena de discos do género.
Um concerto: Suede (vários, em vários sítios)
São a minha banda de eleição e, nestes 20 anos, vi-os para cima de duas dezenas de vezes, entre Portugal, Reino Unido, Espanha, Bélgica e Alemanha. Estão numa forma demolidora e Brett Anderson é o maior animal de palco que vi – assumo que estou a ser parcial, mas não muito.
Um álbum: My Bloody Valentine – mbv (2013)
Foi, para mim, o disco maior destes 20 anos. Houve, neste período, o regresso da minha banda preferida – Suede – em grande forma, discos imensos de tanta gente, dos quais destaco só assim de cabeça LCD Soundsystem, Spiritualized, Lana del Rey, The National, Ryan Adams, M83, Arcade Fire, Bill Callahan, Purple Mountains, porque quero é falar dos My Bloody Valentine. mbv foi um disco eternamente adiado, que poderia nunca ter visto a luz do dia, que não muda grande coisa face ao anterior Loveless, de 1991. E, mesmo assim, foi para mim o objeto musical mais intenso e visceral que ouvi nestas duas décadas de Altamont. Gostava que todos o ouvissem. Aquelas guitarras continuam uma coisa indescritível. (E em Portugal? O consolidar dos Gift, nomeadamente com AM-FM e Altar, os Sensible Soccers, Bruno Pernadas, discos vários de Mão Morta, Mesa, Capitão Fausto, Linda Martini. E mais.)
Uma canção: “Midnight City” — M83 (2013)
É uma canção a que volto sempre, apesar de muito batida, inclusive em anúncios. Hurry Up, We’re Dreaming foi um dos meus discos preferidos destes 20 anos, viagem em que música se alia a imagem, som, estética. Não é para todos, mas quem gosta, tende a gostar muito.
Uma banda / artista: The National
Banda que mais eficazmente alia o estatuto de culto a uma relativa apreciação por massas, são para mim os que mais consistentemente rodaram nos meus sistemas de som ao longo destes 20 anos. Nem todos os discos são perfeitos e imaculados, mas em todos há canções, segredos, labirintos que merecem ser explorados. Que cá estejam, como nós, daqui a outros 20 anos.