Os Club Makumba mandaram-nos virar as costas à Estrela Polar, sentir os nossos instintos mais tribais e a levantar o rabo para ir dançar. Nós, claro, obedecemos … de sorriso estampado no rosto!
Honestamente, não era preciso mais nada. Já tinha tudo! De férias, abraçado por companheiros de luta e festa e rodeado pela deslumbrante natureza da Costa Vicentina! Convenhamos que o cenário já era suficientemente idílico e que bastariam algumas playlists a precisar de recauchutagem para fazer companhia ao som do mar e das gargalhadas. Deixa lá o bicho do Altamont, da música ao vivo e das fotografias, descansar um pouco! Ou não!
Ainda que esta tenha sido já a terceira edição, foi apenas este ano que demos com o interessantíssimo Teatro de Palha, uma iniciativa da Cooperativa Cultural “Lavrar o Mar” que, durante cerca de mês, encerra uma programação artística multidisciplinar (cinema, dança, fotografia, música e teatro) numa fantástica construção unicamente composta por palha.
Aos Club Makumba coube a tarefa de fechar o cartaz e, arrisco,de preparar a matéria prima para posterior deglutição de uma privilegiada manada, que verá o valor nutricional da sua palha acrescentado por ricas vibrações artísticas.
Num alinhamento dominado pelos temas de Sulitânia Beat (editado no início do ano), o quarteto lisboeta espraiou a sua manta sónica desenhada pelos contornos definidos por uma secção rítmica (João Doce na bateria e percussões | Gonçalo Leonardo no contrabaixo e baixo elétrico) carregadíssima de groove, e colorida à boleia das meticulosas pinceladas das guitarras de Tó Trips e dos poderosíssimos golpes de trincha dos Saxofones de Gonçalo Prazeres.
Será difícil escapar à referência dos saudosos Dead Combo, sobretudo pela forma como a sonoridade das duas bandas nos faz deambular pelas velhas ruas de Lisboa e, ao cruzar a esquina, sermos transportados para geografias mais meridionais e/ou tropicais. Mas enquanto, os Dead Combo nos convidavam a sentar à mesa de tascas em vias de extinção e pedir copos de três, os Club Makumba parecem mais apostados em apelar a instintos mais tribais e a pôr toda a gente a dançar. Aposta bem sucedida, diga-se, pois foram raros os que resistiram ao apelo de levantar o rabo dos fardos de palha que formavam as bancadas do Teatro.











Ótima reportagem @Rui Gato! Também la estive e foi altamont!