Luke Pritchard mantém-se o frontman que todas as sogras quereriam para genro.
Após ter passado semanas a subestimar a capacidade dos Kooks comporem decentemente o Campo Pequeno, foi um prazer assumir o erro e dar de caras com a sala cheia, maioritariamente em casais, com um número também considerável de gente que mal teria entrado para a escola aquando do lançamento do álbum de estreia Inside In/Inside Out (acabou de fazer 20 anos!). Aparentemente a geração TikTok descobriu o indie-pop soalheiro e está tudo certo com isso.
Outro engano facilmente esquecível foi o peso do mais recente álbum Never/Know na publicidade ao concerto. Apesar de os ter levado de volta aos tops de vendas no Reino Unido, apenas o single “Sunny Baby” fez parte do alinhamento, na incontornável descida de intensidade a meio dum set, antecedido de “Bad Habit”, “Westside” e “Sweet Emotion” do quarto álbum Listen, de 2014, quando a juventude e novidade já ameaçavam evaporar e a obscuridade eterna espreitava ao fundo.
Tendo dito isto, tanto a banda como o recinto apinhado sabem onde está o ouro. E uma banda com dois primeiros álbuns como Inside In/Inside Out e Konk terá sempre onde se agarrar. Uma boa canção será sempre uma boa canção, catorze boas canções serão quase sempre garantia de uma noite bem passada. Da simplicidade acústica de “Seaside” ao rasganço indie de “You Don’t Love Me” ou “See The World”, com os incontornáveis “Always Where I Need to Be”, “She Moves in Her Own Way”, “Junk of the Heart (Happy)”, guardando ainda para o encore “Ooh La” (e a sua repetição deliciosamente aliterativa de “pretty pretty pretty petticoat”) e “Naive”, todos são cantados e dançados por toda a gente, a noite de final de tour está ganha e a banda só tem de não estragar. Como também ganhou ao não se ter estragado ela própria ao longo dos anos e eventualmente ter ficado pelo caminho como contemporâneos como os Thrills, ou chegado ao presente mas a cambalear como os Libertines.
Luke Pritchard mantém-se o frontman que todas as sogras quereriam para genro, os únicos sinais de que vinte anos se passaram desde que anda nisto são a troca das camisolas brancas de alças pela camisa preta com brilhantes e a dedicatória de “See Me Now” (momento para teclado em palco e lanternas de telemóveis na plateia) tanto ao pai já falecido como aos filhos. Destaque também para o impressionante som de guitarra de Hugh Harris num palco despido dum exército de amplificadores, que a tecnologia nestes vinte anos também os tornou dispensáveis para quem prefere a praticidade ao purismo.
Acabando pelo começo, a noite abriu com Girl in the Year Above, projecto encabeçado por Jennifer Ball, uma cabeleireira de Sheffield descoberta pelos produtores da banda sonora do filme de Peaky Blinders (e ex-membros dos Mescaleros que acompanharam Joe Strummer nos últimos anos da sua vida), para a qual contribuiu com uma cover de “Teardrop” já classificada pelos próprios Massive Attack como a interpretação mais sublime e bela do tema. Não fez parte do alinhamento, mas os temas que o fizeram aguçam a curiosidade por mais. Ferozes e dramáticos, a exigir um lugar à mesa dumas Last Dinner Party ou Ethel Cain.
Fotografias de Miguel Alverca










