Reportagens

Snarky Puppy || EDP Cool Jazz 2019

Mais uma noite de EDP Cool Jazz! Mais dois nomes de sucesso no panorama atual do Jazz e derivados. Um a começar, outro com carreira feita: Jacob Collier e Snarky Puppy.

Estávamos muito curiosos para ver e ouvir Jacob Collier, o jovem que consegui captar a atenção de Quincy Jones por ter espalhado, nos ares da internet, versões da temas de Stevie Wonder. Depois de musicar “Isn’t She Lovely”, “Pure Imagination” ou “ Don’t You Worry ‘bout a Thing” foi-lhe chegando algum merecido reconhecimento. No entanto, não se julgue que Jacob Collier se ficou por interpretações alheias. Nada disso. Homem de sete instrumentos, o músico aventurou-se em nome próprio e o relativo sucesso inicial acabou por transformar-se em algo mais interessante. Tudo foi acontecendo de forma meteórica, e com apenas dois álbuns em carteira (In My Room e Djesse, este último um ambicioso trabalho de quatro discos com o intuito de gravar todos os géneros musicais que existem à face da terra, tendo apenas, até ao momento, saído dois volumes), Jacob Collier tem andado pelas bocas do mundo e feito colaborações com nomes importantes da música, sendo que um deles também esteve presente no duplo concerto de ontem à noite no Hipódromo Manuel Possolo, Os Snarky Puppy.

A voz de Collier não é comum. Forte e profunda, ela tem-se mostrado capaz de hipnotizar muita gente, rendendo-se ao seu particular encanto. O mesmo poderemos dizer da convidada Maro, a menina que já tinha estado no mesmo palco de ontem, em nome próprio, no dia da Jessie J, e que agora faz parte parte da banda do músico inglês, andando com ele em digressão mundial.

Jacob Collier é um autodidata que deve ser levado a sério, e ontem ficou clara essa ideia. No entanto, deu-nos a impressão que Jacob Collier ainda andará em busca de um caminho próprio, tais as variantes estilísticas que apresentou no seu concerto. De qualquer forma tem já, pelo que se viu ontem, uma grande falange portuguesa de apoio. Se é verdade que as expectativas iniciais eram elevadas, quando o concerto findou, ficou uma certo amargo de boca.

Um pouco depois da hora prevista, os moderníssimos Snarky Puppy entraram  em palco. Com uma discografia de treze álbuns, os texanos liderados pelo baixista Michael League mostraram ontem as razões de merecerem o elevado estatuto que insistentemente lhes é atribuído. São verdadeiros ases na mistura de géneros e estilos, desde o jazz (a base segura) até ao rock, passando pela world music e pelo funk com a maior das naturalidades, dando a ideia de que dominam com clareza todo o chão musical que pisam. São muitos em palco, chegando quase sempre a ultrapassar a dezena de músicos, o que lhes confere um som robusto e cheio. Temas como “Lingus”, “What About Me” ou “Binky” são dos mais apreciados pelos fãs. Ontem, na noite pouco ventosa e nada fria de Cascais (uma bela surpresa meteorológica) a banda esteve irrepreensível. Um luxo para os ouvidos, e mesmo para aqueles que estarão mais habituados a concertos com voz, é provável que se tenham esquecido dessa sonora ausência.

Os temas estendem-se como lençóis de som que se vão espreguiçando ao sabor de linhas melódicas sempre bem marcantes e bem presentes. Percebe-se a complexidade das composições, mas isso não impede que cheguem aprazíveis aos ouvidos menos treinados nestas andanças. Misturando temas do recente Imigrants com outros já mais antigos, o concerto foi muito equilibrado. O momento mais alto, para nós, foi “Thing of Gold”. Absolutamente fantástica! Guitarras, teclas, secção de sopros, bateria, todos os instrumentos contribuem para uma wall of sound impressionante! Destaque-se ainda a ótima qualidade de som durante todo o concerto, o que nem sempre acontece, sobretudo quando em palco estão quase uma dezena de executantes.

Se é verdade que o jazz é a força motriz dos Snarky Puppy, também é certo que vão percorrendo outras geografias musicais. Em alguns temas, por exemplo, nota-se a influência de alguma música brasileira (Egberto Gismonti, para referir apenas um nome, andou solto pelos ares do Hipódromo Manuel Possolo), mas as confluências de géneros são tantas, que esmiuçar o que ontem se ouviu em mais uma noite do EDP Cool Jazz é tarefa que não cabe nestas já tão longas linhas. Aquele ligeiro amargo de boca atrás referido, esfumou-se rapidamente com os Snarky Puppy. Belíssimo concerto!

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Fotografias cedidas pela organização

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