Reportagens

O Terno || Capitólio

Uma noite encantadora no Capitólio, que serviu de abrigo ao frio que se fazia sentir lá fora e a todos deixou com a alma aquecida.

Passados dois meses da presença de Tim Bernardes a solo por Lisboa, chegou agora a hora de vir a banda completa estrear-se na capital, depois de um concerto no Nos Primavera Sound no Porto em Junho. O Capitólio foi a sala escolhida e terá de facto a dimensão adequada para o efeito, que se recheou de um misto de portugueses e brasileiros para finalmente assistir ao vivo a banda do momento na cena musical brasileira e autora de um dos álbuns do ano. E o trio Tim, Peixe e Biel não deixou os seus créditos em mãos alheias – encantaram o público com o seu show de apoio a <atrás/além>, tocando todas as canções do mesmo, às quais acrescentaram várias de álbuns anteriores.

O arranque fez-se tal qual o álbum – “Tudo o que eu não fiz” e “Pegando Leve”, após as quais Bernardes deu a entrada, agradeceu presenças e partilhou alegria de ali estar. O mote estava dado e logo se começou a perceber várias vozes que acompanhavam cada estrofe cantada. Uma das forças motrizes da banda é a sua capacidade de fazer letras graciosamente simples e indo de encontro a sentimentos inerentes de uma fase de vida já não juvenil e ainda não totalmente adulta e portanto é fácil de se querer cantar versos como “Eu quero ficar velho, eu quero tudo que eu não fiz” ou “Triste geração que pode tudo / Quando tudo ficou tão banal?”. Os descasos do amor também são frequentes e é fácil de conectarmo-nos com os versos de “Pra Sempre Será” e “Culpa”.

A banda tocava sentada, Bernardes entre guitarra e piano, variando entre as partes mais íntimas de cada música, cantadas de forma cristalina, e as mais intensas com a todos os membros a colocarem toda a energia nos seus intrumentos, elevando o volume até ao limite. Mas algures a meio Tim levantou-se e decidiu passar ao “lado B do show”, mostrando que, tal como o público, também podiam estar de pé e atacando assim músicas mais energéticas como a tropical “Bielzinho/Bielzinho”, a pop doce de “Culpa”, a imponente “Passado/Futuro” (onde existe a excelência de se fazer uma música política quase sem se dar por isso, uma tradição que a MPB criou em tempos de ditadura que voltaram a pairar do outro lado do Atlântico). Para fechar o setlist (antes do tradicional encore) a escolha só podia ser uma – “E no Final”, que fecha também o álbum, música que consegue conciliar o tormento da incerteza na letra com a tranquilidade da melodia que a acompanha.

Mas final, final mesmo, saideira, foi com “Melhor do que Parece”, canção que apazigua as dores de crescimento como nenhuma outra – afinal, tal como diz o título, tudo está melhor do que parece. E só de ouvir isso de forma repetitiva acreditamos que sim, que está, apesar de olharmos e vermos tudo errado.

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Fotografia: Cecile Lopes

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