Canção do dia

“No Cars Go” — Arcade Fire

A edição era forte, quase indiscutivelmente a mais forte e louca de sempre. Estavam lá os The Roots, cuja forma não impressionou toda a gente. Estavam os Pixies e os Queens of the Stone Age. Estavam os Foo Fighters. Estavam os The National com um álbum magnífico, talvez o melhor da sua discografia (Alligator) acabado de editar, e a começar a crescer popularmente. Estava um gigante chamado Nick Cave, acompanhado como habitual pelos seus inigualáveis Bad Seeds. E estavam bandas emergentes como os Kaizer Chiefs, !!!, Death From Above, The Bravery, Hot Hot Heat, Futureheads a compor um propalado melhor cartaz de sempre.
No meio disto tudo, os Arcade Fire eram os vencedores improváveis, mas ainda hoje o concerto é mítico. Vale a pena citar algumas passagens da então reportagem do jornal Público, lamentavelmente não assinada na versão digital: “Os Pixies ainda não tinham actuado (nem os Roots, nem os Queens of the Stone Age) e já havia um concerto do ano (…) Mais: um concerto da década, tanto quanto se vê bem daqui para 2010. (…) Não acontece assim tantas vezes, ouvir o som da história a fazer-se. Às vezes acontece: teria acontecido em qualquer lado onde os Arcade Fire fossem tocar pela primeira vez para alguém. (…) A banda de Win Butler e Régine Chassagne não é deste mundo. Os Arcade Fire são ao mesmo tempo da ordem do cântico dos cânticos e da marcha fúnebre, da canção de engate e do hino nacional: às vezes parece que estão quase a morrer (ou que há alguma coisa à volta deles que está quase a morrer, eles limitam-se a bater em latas) e outras vezes parece que estão a acabar de nascer, às vezes parece que saem das entranhas da terra e outras vezes parecem que vão disparados para o infinito e mais além

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