O Manel Cruz é o meu herói! Meu e, aposto, de muitos dos que quase encheram a sala do CCB. É um herói sem capa! Sem capa e, mais tarde ou mais cedo, sem camisola … mas com uma alma maior do que o Mundo e que insiste em pagar a conta do amor que lhe votamos em carinho, piadas e lindas melodias.
A última vez que vi o Manel Cruz foi em dezembro. Estava ali mesmo à minha beira! Tão perto que a lente se viu aflita para o focar em condições. Vinha carregado de eletricidade e na companhia de três velhos companheiros. Matei as saudades, fartei-me de cantar para dentro (que os vizinhos do lado pagaram o bilhete e não têm culpa da minha cana rachada), transpirei e emocionei-me!
Esta noite parecia que as coisas iriam ser bem diferentes. Uma sala imponente, a chamar por vestes mais dignas do que a minha já muito usada farda do Altamont e uma enorme plateia pelo meio. Tão longe! Como ele próprio logo reparou assim que subiu ao palco.
Hoje o Manel veio apenas com três ou quatro instrumentos acústicos, empenhado em diminuir a distância com com a beleza e a simplicidade das suas composições … para que possamos sentir os efeitos diretos da poesia.
O alinhamento foi dominado pelo disco em nome próprio Vida Nova, mas também passou pelos Ornatos – “Devagar” já sem camisola, claro! – e por temas sacados da cassete do Foge Foge Bandido, dos quais será imperativo destacar a música mais curta e mais difícil de tocar de toda a Europa – “Mau hálito” – que, diga-se, também mereceu o segundo maior aplauso do continente!
Pelo meio pudemos apreciar pérolas como “Navio dela” ou o “Filho do Vento”. No entanto, o maior aplauso do Universo foi mesmo para “Ainda não acabei” precedido de uma deliciosa história que meteu um anexo, filhos adolescentes, douradinhos e tendinites ao barulho.
Deve estar a fazer 10 anos que enquanto fazia o jantar, mostrava ao meu filho mais uma música do Manel até que ele, do alto dos seus 5 anos, me pergunta se eu conhecia o Manel. Feito parvo, disparei-lhe logo que sim, que o conhecia desde a maravilhosa tarde de sábado do primeiro Sudoeste!
“E pai, ele conhece-te a ti?”
Não, mas canta e fala para nós todos como se nos conhecesse de gingeira!













