“Brothers and Sisters” fez parte do penúltimo disco dos Blur Think Thank (2003), ao qual se seguiu um longo período sem actividade por parte da banda. É, por sinal, o meu disco favorito dos Blur, eu que nunca fui especialmente entusiasta da britpop, embora ache os trabalhos anteriores dos Blur bastante respeitáveis.
Parece-me, contudo, que neste Think Thank (2003) os Blur, sob o comando de Damon Albarn, expandiram a sua música para mais territórios e géneros, ao mesmo tempo que a tornaram mais concisa – algo difícil de fazer com competência – menos histriónica e mais segura, menos ligada a uma estética dos tempos e mais capaz de dialogar com a tradição da música pop, da música electrónica e, noutros temas, até com a música jazz, para criar o seu marco naquele tempo.
“Brothers and Sisters” é dos meus temas favoritos, capaz de oferecer tanto momentos mais descontraídos como momentos mais efusivos, quase desvairados (capazes de levar, inclusivamente, à pista de dança): a voz bem colocada, o groove sempre presente e os loops instrumentais doseados com mestria a mostrarem que, por vezes, é nos momentos de maior indefinição que a inventividade das bandas atinge a plenitude.
