Reportagens

Billie Eilish || Altice Arena

Sabíamos do hype mas nada nos tinha preparado para a noite de ontem: 20 mil adolescentes, na sua maioria miúdas, numa transe colectiva como o Altice Arena nunca vira, gritando eufóricas todas as letras, abafando a voz da sua heroína. Temos Beatlemania para o século XXI.

Billie soube mesmo apanhar os ares do tempo, descodificando as ondas cerebrais da geração milénio (a sua geração). E, claro, não decepcionou o seu jovem público, gingando, blasé, pelo palco – e nadando, andrógina, na sua t-shirt largueirona -, com uma bazófia descaradamente anti-pop, rindo-se do seu tornozelo torcido (ou seria da Taylor Swift?). Quem diria que uma teenager de 17 anos já teria repertório  para embevecer durante hora e meia tantos milhares de almas?

Gostámos dos recuerdos do EP Don’t Smile at me (2017) mas aquilo que nos encheu mais as medidas foram as canções do LP When We All Fall Asleep, Where Do We Go? (2019), praticamente interpretado na íntegra. Que bom gosto e encantadora contemporaneidade, tudo servido por apenas três criaturas: Billie na sua voz sincopada, o mano Finneas O’Connell nas teclas e na guitarra, e um terceiro mosqueteiro na bateria. O resultado foi um som deliciosamente depurado, com baixos trap a estremecer as colunas e ocasionais batidas de dança a fazer explodir a plateia.

Adultos contavam-se pelos dedos, na sua maioria pais extremosos, com as filhotas aninhadas debaixo das asas. E o calor era tanto, e o espaço tão pouco, que de cinco em cinco minutos desfalecia uma Lolita, logo levada em braços por paternais seguranças.

Em “Wish You Were Gay” – como para calar, de uma vez por todas, activistas LGBT menos espirituosos -, Billie ostentou uma orgulhosa bandeira arco-íris; gesto consensualmente aclamado, ou não fora a geração milénio a mais cosmopolita de sempre.

A cenografia era simples mas eficaz, sobretudo construída em volta da projecção de vídeos macabros, assumidamente “tim-burton-escos”. Só em “I Love You” Billie lá concede uma maior complexidade cénica, sentando-se com Finneas numa cama esvoaçante, explicando-nos que foi assim, na intimidade de um quarto, que os dois escreveram a canção.

Uma noite memorável que começou e acabou com a enorme “Bad Guy”, para pânico dos alicerces da altiva arena.

Que não haja dúvidas: 2019 pertence-lhe por inteiro. O mundo inteiro aos pés de Billie.

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Fotografias cedidas por Nuno Conceição

Alinhamento:

  1. Bad Guy
  2. My Strange Addiction
  3. You Should See me in a Crown
  4. idontwannabeyouanymore
  5. &Burn
  6. COPYCAT
  7. When I Was Older
  8. Wish You Were Gay
  9. Xanny
  10. All the Good Girls Go to Hell
  11. Ilomilo
  12. Listen Before I go
  13. Bellyache
  14. I love You
  15. Ocean Eyes
  16. When the Party’s Over
  17. Bury a Friend

Encore:

  1. All the Good Girls go to Hell
  2. Bad Guy
  3. Goodbye (gravação)
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