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Carne Doce: Mais surpresas a caminho e a saudade de Portugal

O ano de 2019 foi de grande projeção para os Carne Doce. Para nós, que gostamos do que fazem desde a primeira hora, foi um luxo. Tivemos direito a concertos em solo luso e a banda não se fez rogada, atacando cada um deles com profissionalismo e arte. Deixaram água na boca e parecem dispostos a regressar este ano. 2020 também será, muito provavelmente, ano de disco novo. Já se conhece o single de avanço. Estes são apenas alguns dos assuntos que alinhavámos para uma pequena conversa com Salma Jô, a magnética vocalista da banda brasileira.

A primeira pergunta só poderia ser esta, Salma: já têm saudades de Portugal?

Demais. De tudo, das paisagens, da comida, do povo, da beleza toda.

Foram vários os concertos que deram por cá. Que imagens guardam deles é do público português?

Não foi uma imagem homogênea. Tivemos experiências diferentes. Os concertos em Porto, Lisboa e Aveiro foram lotados, mas ainda assim cada público era único, a cultura obviamente muda de cidade para cidade. Em Coimbra e Torres Vedras os públicos foram menores, mas também reagiram de modo diferente. O mais surpreendente foi notar essa diversidade nos públicos, uns mais carinhosos, mais participativos, outros mais contemplativos, uns mais curiosos, outros mais assustados. De todo modo foi uma passagem muito rápida para traçar um perfil, mas fomos muito bem recebidos, tivemos muito carinho.

Salma Jô ©Gabriel Mendes

Por nós, gostaríamos muito de vos ter de novo a atuar em Lisboa. Há essa possibilidade?

Claro! Voltar está entre os nossos objetivos neste ano.

Falemos agora do novo single, “Temporal”. Até que ponto essa a canção é representativa de uma nova fase da banda, se é que isso se pode dizer?

Não sei, acho que pouco. Ela é longa, as próximas músicas serão curtas. Ela é mais complexa nos arranjos, as próximas serão mais simples, o tema dela é mais peculiar também, e as próximas serão mais clichês (risos).

O vídeo de “Temporal” transporta alguma estranheza, pelo menos na nossa opinião. Acha que ele pode ser visto como uma espécie de metáfora do Brasil atual?

É o interior do Brasil. O Centro-oeste, o Sertão. O interior do Sudeste e do Sul também têm algo disso, é uma grande parte do Brasil. Porque acharam estranho?

Talvez pelo facto do vídeo mostrar imagens de festa, mas uma festa em que ninguém parece estar a divertir-se. Mas passemos à frente. Tônus, o vosso último longa duração, é já de 2018, e há cada vez mais rumores de que neste ano haverá disco novo. O que nos pode dizer sobre isso, Salma?

No meio deste ano sai o próximo álbum. Até lá, vamos lançar mais alguns bons singles, vale acompanhar.

Atualmente, quais são as vossas maiores influências, tanto brasileiras como estrangeiras?

João Gilberto, Jorge Ben, Steve Lacy, Billie Eilish.

Que nomes da nova música brasileira gostaria de destacar?

Giovani Cidreira, Luiza Lian, Adriel Vinícius.

E em Portugal, que artistas / bandas conheceram quando estiveram por cá?

A banda que abriu para nós em Aveiro, a FUGUE, muito boa.

Chegámos às últimas questões: até que ponto, Salma, os Carne Doce podem ainda surpreender o seu público, tanto no Brasil como em Portugal?

A gente vai se surpreender junto quando isso acontecer, e vai ser em breve.

E por fim, a vossa aposta futura como banda deverá passar por alguma renovação do vosso som, ou o caminho mais próximo será o da continuidade?

Sinto que estamos mais simples, mais habilidosos em simplificar as coisas, em sermos mais pop num sentido de conseguirmos ser mais comoventes mais rapidamente, mas sem deixar de ser o que somos.

Muito obrigado, Salma. O Altamont espera por vocês em 2020, tanto em disco como ao vivo. Até breve.

Muito obrigada, Carlos. Adoramos lhe conhecer ao vivo e esperamos nos encontrar em breve!

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