Os Três Tristes Tigres são mais um dos presentes dados pelo Porto à música portuguesa. O projecto sempre foi algo à margem do que se fazia então, assentando no eixo Ana Deus (ex-Ban), Paula Sousa (ex-Repórter Estrábico) e Regina Guimarães, poetisa que sempre assegurou as letras e a imagética criativa do grupo. Entre o primeiro e o segundo disco dá-se a saída de Paula Sousa e a entrada de Alexandre Soares, que esteve nas origens dos GNR e que anda há décadas a voar “abaixo do radar” da música portuguesa, sempre com projectos interessantes (nos últimos anos, o veículo é Osso Vaidoso, juntamente com Ana Deus).
1996 é o ano de glória da banda. É editado o segundo álbum, Guia Espiritual, liderado por este single, “Zap Canal”, que beneficiou de muita exposição radiofónica. O disco – considerado pela Blitz o melhor desse ano na música portuguesa – é, no entanto, bem mais que um bom single: é um tratado de pop inteligente, agradável mas sem ceder a facilitismos.
Dois anos depois é editado Comum, até hoje o último disco de originais da banda. É uma arriscada incursão em territórios mais electrónicos e experimentais, e permanece até hoje como um dos segredos (infelizmente) bem guardados da música nacional.
