Desafiámos os nossos escribas a fazer a difícil escolha de selecionar um álbum, uma banda/artista, uma música, um concerto e um artigo escrito no altamont que os tenha marcado, nestes últimos 20 anos. Poderão vê-las no decorrer das próximas semanas, aqui e na nossa página de instagram.
Um álbum: Sam The Kid – Pratica(Mente) (2006)
Possivelmente o único disco que consigo recitar do início ao fim. Aterrou como uma bomba, guiado pelo sucesso de “Poetas de Karaoke”, e empurrou o hip-hop em Português para o mainstream. Surge numa fase da minha vida em que praticamente só ouvia “hip-hop tuga” e da qual guardo boas memórias: noites a ouvir às escondidas, num pequeno rádio a pilhas, os programas da Antena 3; os blogs, o SOL Música, o canto na Fnac do Colombo onde ficava agachado à procura de novidades. Bons tempos, grandes músicas.
Uma banda: The National
Escolha óbvia e direta. Sempre tive um fraquinho pela melancolia por isso é natural que quem a canta como ninguém teria lugar de relevo. Nos últimos tempos tenho me desapegado deles, mas o eixo The National – Trouble Will Find Me, porém, pesa de tal maneira que quase apaga os efeitos desta desconexão mais recente. Fizeram a banda sonora da minha vida num momento de viragem. Liberdades novas, aventuras, desgostos, conquistas e derrotas. Estiveram sempre lá. De certa maneira, sempre estarão.
Uma canção: “Despair in the Department Lounge” – Arctic Monkeys
No início, havia o rock. Veloz e bem escrito, cedo caracterizou a identidade dos Arctic Monkeys. Mas havia mais que isso. Em 2006, no EP Who The Fuck Are Arctic Monkeys? encontramos a doce “Despair in the Departure Lounge”, um hino ao amor adolescente e às borboletas na barriga que ele causa. Lo-fi, bonita e simples, esta canção rodou mais que muitas vezes e escrever estas palavras pôs-me a ouvi-la novamente. Ainda bem.
Concerto: Feromona // Musicbox (2013)
Foi no dia 30 de Julho de 2013 que me despedi de uma banda que mal conhecia – foi o último concerto dos Feromona. Tinham-me sido apresentados há pouco tempo mas o baque foi imediato. Musicbox à pinha, muita transpiração, toda a gente a cantar, várias cervejas a mais. Rock n’ Roll e uma comunhão que até hoje recordo. Mais tarde acabei por conhecer o Diego Armés, o vocalista. Fazemos anos no mesmo dia e temos filhos com o mesmo nome. Há coincidências giras. Acho que nunca lhe disse que o aplaudi nessa noite no Cais do Sodré.
Um artigo: Altamont Entrevista – Filho da Mãe
Uma estreia é sempre especial e neste caso destaco a primeira entrevista que fiz para o Altamont. Foi no Jardim da Estrela e ia com o meu amigo Francisco Fidalgo, que fotografou. Tinha 21 anos e o deslumbramento de poder falar com quem admirava – o guitarrista português Filho da Mãe. Na altura, correu bem. Hoje, naturalmente, olho para trás e faria muita coisa diferente. Não deixa de ser, porém, uma memória boa desta vida no Altamont.