Desafiámos os nossos escribas a fazer a difícil escolha de selecionar um álbum, uma banda/artista, uma música, um concerto e um artigo escrito no altamont que os tenha marcado, nestes últimos 20 anos. Poderão vê-las no decorrer das próximas semanas, aqui e na nossa página de instagram.
Para mim, falar da música dos últimos 20 anos é quase falar da música da minha existência inteira. Tive a sorte de crescer rodeada de música de todos os tempos, mas a música verdadeiramente formadora do meu gosto musical saiu na última década, feita por artistas que comecei a acompanhar ainda criança, por grande influência da minha irmã mais velha. Por isso, se o meu primeiro disco foi a banda sonora da Floribella, os discos que se seguiram já eram música de gente grande e mudaram a minha vida ainda antes de eu saber o que isso significava.
Um concerto: Parcels || Paredes de Coura (2019)
O Vodafone Paredes de Coura foi o meu primeiro festival de sempre e, talvez também por isso, é o meu festival-casa. Tive, por isso, de escolher dos seus cartazes um concerto que me tivesse marcado e, automaticamente, penso no concerto de Parcels em 2019, provavelmente o concerto mais divertido a que assisti. Eles eram jovens, e eu mais ainda, e a clareira mágica do rio Taboão criou ali um pequeno delírio bondoso que me fez perceber que era na música que eu me sentia bem.
Uma banda / artista: Vampire Weekend
Os Vampire Weekend são uma das bandas que praticamente me criaram. Os seus discos foram saindo à medida que eu crescia e foram mesmo das primeiras bandas que se me ficaram na memória desde o início. Muito Contra ouvi eu no iPod da mana e muito vibrei quando os pude ver finalmente ao vivo, depois do lançamento do Father of the Bride. Eles estão lá para mim desde quase sempre.
Um álbum: Julia Jacklin – Crushing (2019)
Segundo álbum da australiana Julia Jacklin, foi um dos discos mais importantes do fim da minha adolescência. Entre o risco ao meio, as golas altas e as sombras coloridas, há algo da Julia em mim. Com ela, descobri que o rock também pode ser doce e rendilhado e que a revolução se faz de muitas formas — como falando directamente ao coração de jovens meninas com muitos sentimentos e sem sítio para os deixar.
Uma música: “Dia Felizˮ – Glockenwise
Faz-me sempre aumentar o volume. É sol quentinho, uma brisa de fim de tarde, um abraço efusivo, as ondas do mar.
Um artigo: God’s Favorite Customer – Father John Misty
Eu tinha chegado há pouco tempo ao Altamont e estava encantada com a liberdade que me dava para escrever como eu quisesse sobre o que eu quisesse. A croma estudiosa em mim navegou muito pelo site nessa altura, para inspiração, e encontrou rapidamente a crítica ao Favourite Worst Nightmare dos Artic Monkeys. Admitidamente quase em copy paste, escrevi, a partir dele, este meu texto. Foi provavelmente o artigo que mais gozo me deu, precisamente por ter sido completamente diferente da minha estrutura habitual e por me ter desafiado a sair da minha zona de conforto, que eu explorei tanto nesses primeiros textos.