Primeiro as apresentações, que por agora são necessárias: os Sundara Karma são quatro rapazes de Reading, Inglaterra, acabadinhos de sair da escola, e que disputam o sempre perigoso epíteto de “nova melhor banda britânica”. Arriscado tendo em atenção que ainda só têm editado um EP. Pois.
Agora esqueçam o hype – que felizmente ainda não ultrapassou as fronteiras de terras de Sua Majestade – e podemos então analisar o que valem estes imberbes moços. E nada como deixar a música falar.
Este EP1 é a segunda investida gravada dos Sundara Karma, depois de uns singles gravados no ano passado. São quatro, apenas quatro músicas, mas que estão cravejadas de potencial pop.
Estes miúdos não vêm para revolucionar nada. A estrutura é a clássica banda rock – baixo, bateria, guitarra e voz – e o campeonato no qual se movem é o indie rock. A diferença para os milhares de projectos iguais que por aí andam reside no mais importante: nas canções. Nestas, na capacidade de nos agarrar, de afirmar, mais do que uma personalidade, um talento para conjugar notas e emoções.
As primeiras impressões atiram-nos para o melhor dos Vaccines, cortesia da energia jovem de grandes refrões – com uns toques épicos da composição dos Arcade Fire ou reminiscências dos primeiros tempos dos Killers, embora com mais caos e menos lantejoulas, felizmente.
Como cartão de apresentação, este EP1 é excelente, e deixa-nos ansiosos pelo disco de estreia. Fica-nos um único receio sobre o que aí virá: qual das forças que fazem esta banda reinará? A energia pop/rock ou a veia mais comercial que, aqui e ali, vislumbramos? É que os Sundara Karma mostram, nestes temas, que fazem singles com facilidade (ouça-se a maravilha viciante que é “Loveblood”), e isso, às vezes é perigoso. Cá estaremos para julgar.
Para já, é uma estreia em grande. Os Sundara Karma estão apresentados. Acreditamos que, dentro de pouco tempo, já não será preciso explicar quem são.
